sexta-feira, 26 de março de 2021

CAIBAR SCHUTEL

 

 

CAIBAR SCHUTEL

·        ESPÍRITO E MATÉRIA

·        FENÔMENOS DA MEMÓRIA

·        MANIFESTAÇÕES PÓSTUMAS

·        JESUS E SEU PENSAMENTO ÍNTIMO

 

INTROITO

"O espírito é que vivifica". Sem espírito não há vida, não há sabedoria, não há verdade.

Em todos os seres existe o espírito vivificante. Em todas as coisas realça a iniciativa, que é o resultado, o produto da inteligência que caracteriza o espírito: nas nobres instituições, nos grandes empreendimentos, é o espírito que impera, dirige, mantém, orienta.

Nos animais inferiores e nas criaturas humanas, o espírito é a entidade viva, que domina e equilibra a forma.

Nas instituições, a letra do Código, do Regimento, reveste sempre um escopo determinativo, que se denomina - o "espírito da lei". A lei não se interpreta por si mesma, mas representa a interpretação do "espírito".

O Cristianismo, sob os ditames de Jesus, é uma Religião Viva, representada por um corpo de espíritos que se acham a ele subordinados e que dirigem e animam o Cristianismo.

O Espírito do Cristianismo, que apresentamos aos leitores, é a forma interpretativa da Religião do Cristo, segundo o nosso critério.

No livro Parábolas e Ensinos de Jesus nos esforçamos, tanto quanto possível, para traduzir as parábolas e explicar os ensinos do Senhor, bem como as exposições apostólicas, de acordo com a interpretação espiritual dos trechos, sem nos deixar vencer pela "letra que mata".

No Espírito do Cristianismo, que é um complemento dessa obra, modelamos a interpretação dos capítulos e versículos, em seu conjunto, sem truncar a forma, de acordo com o pensamento íntimo de Jesus Cristo, corporificado nos quatro Evangelhos. Enfim, falamos do Espírito ao espírito livre dos dogmas sectários, das interpretações humanas.

Criada a Religião do Cristo na Revelação, e não podendo esta efetuar-se sem a base da Imortalidade, não quisemos entregar nossa obra à publicidade sem fazê-la preceder de um ligeiro esboço elucidativo do Espírito. Ele não representa mais do que uma resumidíssima síntese da Ideologia Espírita, aclarada com rara maestria pelo grande Missionário, Alan Kardec, e explicada, com lógica e clareza, pelos dois grandes luminares, Gabriel Delanne e Léon Denis, cujas, existências foram das mais profícuas para o engrandecimento da Verdade.

 

ESPÍRITO E MATÉRIA

O homem é um ser inteligente: pensa, sente, quer; odeia e ama; estuda e progride; em seu coração palpitam afetos e do seu cérebro brotam luzes.

O homem é o "rei da criação", título que auferiu pela superioridade da inteligência, que tem sobre a dos animais, que lhe são inferiores.

"O seu corpo: carne, sangue, nervos, ossos, desde as mais tênues camadas do cérebro, até a carcaça óssea, que representa o reino mineral e faz parte do seu organismo, como aliás aconteceu com todos os outros seres, nasce, cresce e morre; transforma-se e modifica-se, pois que é composto desses mesmos elementos imponderáveis que se decompõem, oriundos da matéria cósmica universal: hidrogênio, oxigênio, azoto, carbono, constituintes das variedades da matéria, que se apresentam com nomes de cal, fósforo, sódio, potássio, enxofre, flúor, cobre, chumbo, etc.

Mas, existe no homem um princípio que não deve sua existência à Terra; existe no homem uma luz mais intensa do que a que resulta do fósforo.

Esse princípio é o que constitui seu verdadeiro EU; essa luz não arde no túmulo como um fogo-fátuo; deve, forçosamente, permanecer na Eternidade (a centelha divina da criação protegida e envolvida por um corpo espiritual como chamava Paulo ou Períspirito como chamou Kardec.) Nosso edifício biológico jamais teria movimento se não fosse esse corpo duplo centelha+involucro= Espírito), posto que ao se desprender do corpo material pelo fenômeno da morte, a matéria vira pó e não pode ser recomposta

Tal conclusão não é só um ditame da razão, um aviso prévio do sentimento; mas é o resultado de sábias lições que, durante prolongadas vigílias, aprendemos pela indução e dedução da análise comparativa dos sistemas filosóficos, científicos e religiosos, que passam pela nossa mente como o desenrolar de uma guerra sem tréguas, de exércitos inimigos que se combatem e se aniquilam, deixando, entretanto, imanentes os princípios que não entraram em luta e que, ignorados por uns, e proclamados intuitivamente por outros, atravessam eras e gerações, sem serem atingidos por uma negação lógica e positiva.

Mas, não é só no ápice dessas escolas, umas proclamando soberania da matéria, outras aplaudindo o reinado do Espírito, que nós vemos aparecer esse princípio, que tem animado as gerações, fixando-se através dos tempos.

É também na tela imensa, no grande panorama da vida terrena: com suas grandezas e misérias, suas investidas para a luz e quedas para as trevas, que a Vida se apresenta em sua forma mais positiva, e a alma se realça com um ser que desempenha o seu papel (cada qual na sua esfera de ação) neste planeta que chamamos Terra.

E se deixarmos essa esfera de observação comum, e entrarmos nos domínios da Metafísica e da Metapsíquica, ficaremos admirados ao ver homens de responsabilidade moral e cientifica negarem a existência da alma e chegarem a confundir a ação que esta exerce, com as funções dos órgãos, tomando o efeito pela causa e inutilizando todos os princípios da lógica e do raciocínio, que devem guiar nossos passos na pesquisa da Verdade mas, limitemo-nos a estes anseios da alma à síntese que, à guisa de prefácio, damos a este livro, e comecemos a analisar o pró e o contra referentes ao princípio anímico, ou seja, o princípio da Imortalidade que, segundo afirma Pascal, "é preciso ter perdido todo o sentimento e aniquilado toda a razão, para dele não tratar"

 

FENÔMENOS DA MEMÓRIA

 

A memória é a faculdade que mais tem atraído a atenção dos filósofos de todas as épocas: "A faculdade misteriosa que reflete e conserva os acidentes, as formas e as modificações do pensamento, no espaço e no tempo. Ela representa essa sucessão de ideias, imagens e acontecimentos que já se esvaíram e ficaram sepultados no passado. Ressuscita-os espiritualmente na mesma graduação pela qual o cérebro os experimentou e a consciência os percebeu e formou."

Aí estão os fenômenos, aí estão os fatos subjetivos, mas reais; como negá-los? Como explicá-los sem a admissão de um princípio imutável que os coordena e expende?

"Thompson, Vierodt, Flourens, dizem que os fatos justificam plenamente a suposição de que o corpo renova a maior parte da sua substância em um lapso de 20 a 30 dias, e acrescentam: "até o ar que respiramos muda a cada instante a composição do cérebro e dos nervos".

Como demonstrar que, apesar dessas mutações contínuas, nos conservamos sempre idênticos?

"Entretanto envelhecemos e sabemos que nosso EU não mudou. No meio das vicissitudes da existência, nossas faculdades podem alargar-se ou alternar-se, e mesmo obliterar-se; nossas predileções podem variar indefinidamente, e nossa conduta apresentar as contradições mais singulares, contudo, estamos persuadidos de que conservamos o mesmo ser primitivo, e temos consciência de que ninguém se colocou em nosso lugar; entretanto, em todos os elementos do nosso corpo, nenhum dos átomos que o constituíam há dez anos atrás subsiste presentemente neles."

Como permanece a memória que temos dos acontecimentos passados?

Foram os fenômenos da memória, e tão somente da memória, que fizeram a Escola Espiritualista proclamar a existência, no homem, de um princípio que é imutável, e cuja natureza indivisível não se acha sujeita, como a da matéria, à destruição.

Conseguintemente, é a alma que conserva a reminiscência dos fatos verificados, assim como favorece as conquistas da inteligência e o desdobramento das virtudes, lentamente adquiridas na luta incessante contra as paixões: 

Até     aqui, nada de novo adiantamos: Aristóteles, Descartes, Leibnïtz, São Tomás de Aquino, Ballanche, Helmont e inúmeros filósofos da Antiguidade proclamaram esta doutrina, ou seja, a doutrina da existência da alma.

Mas, o que é a alma? No que consiste este princípio imutável, cuja natureza indivisível não está sujeita às leis físico-químicas, por não se adstringir ao tempo e espaço?

Não se pode deixar de concluir que a alma não é a resultante do organismo, do corpo, desde que permanece apesar das mutações da matéria, à qual soube resistir e vencer.

Então que será ela? - Uma chama, uma luz, uma estrela, uma nuvem, uma coisa abstrata, que nem ideia de si nos possa dar?

Aqui intervêm o Espiritismo, cujos ensinos constituem a solução do maior de todos os problemas que têm embaraçado os filósofos de todos os tempos.

O homem terreno, por mais ilustrado e perspicaz que seja, não pode perceber nem compreender as coisas Espirituais, senão por manifestações, como dissemos, subjetivas e objetivas, ou sejam, diretas ou indiretas.

A alma de per si, sem uma forma, sem um corpo para sua manifestação passaria, como passam as ondas hertzianas, a matéria radiante, os raios imponderáveis e invisíveis.

Tanto isso é verdade que o filósofo materialista Hartmann disse: "Se se pudesse demonstrar que o Espírito individual persiste depois da morte, eu concluiria daí que, apesar da desagregação do corpo, a substância do organismo persistiria sob uma forma inalienável, porque só com esta condição posso conceber a persistência do Espírito individual."

Pois é justamente isso que o Espiritismo explica, demonstrando por meio de fatos incontestes, que uma substância do organismo persiste sob forma inalienável; e é justamente essa substância que constitui o períspirito corpo espiritual que é inseparável da alma.

Segundo o Espiritismo, a ideia de alma é inseparável da ideia de uma forma que a envolve. Assim como o corpo carnal é parte integrante do homem, o corpo espiritual é parte integrante da alma.

O períspirito não é uma concepção filosófica para remediar complacentemente as dificuldades da investigação é uma realidade física, um órgão que não se conhecia e é hoje constatado até pela chapa fotográfica. A noção do períspirito vem esclarecer o fenômeno da memória, pois ele se nos apresenta como o local dos estados de consciência passados, o armazém de lembranças, a região no qual se faz a fixação mnemônica. Pois bem, o ser pensante continua a existir depois da morte, com esse corpo que é inalienável.

 

AS MANIFESTAÇÕES PÓSTUMAS

Um manancial de sabedoria, único capaz de solucionar todos os problemas da Vida e da Morte.

Pena é que a opinião pública, mal orientada, não veja nele o que, de fato, ele é.

Quanto à Moral, o Espiritismo é o protótipo, o fac-símile da Doutrina de Jesus Cristo; como Filosofia e Ciência, é um sistema maravilhosamente erguido sobre fatos escrupulosamente observados e constatados pelos sábios de maior nomeada e dos mais circunspetos do mundo.

Analisando-se com espírito inteligente, imparcial, mesmo prevenido, os fenômenos de aspectos múltiplos, chamados supranormais, sejam os casos de materializações, transportes, levitações, fotografias (que constituem os fenômenos objetivos); sejam as comunicações faladas ou escritas pelos médiuns (que constituem fenômenos subjetivos), não se pode deixar de chegar à conclusão da sobrevivência da alma, com todas as suas prerrogativas e aquisições.

Seria mesmo estultícia negar tais fatos ou lhes querer dar explicação diversa da que eles mesmos exprimem.

A constância, a persistência dessas manifestações, o caráter que exprimem, tudo nos induz a crer que o EU Subsisto à morte do corpo, assim como perante às renovações contínuas das substâncias que o mantêm durante a influência vital, que não permite a desagregação das suas células.

Assim, pois, o método indutivo, que é a regra geral para o estudo dos fatos que se verificam em todos os ramos da Ciência, confirma categoricamente o que o Espiritismo ensina sobre a existência e imortalidade do Espírito.

Encaremos agora nossa tese sob outro prisma: a dedução.

Comecemos do maior para o menor; do grande para o pequeno; do Macrocosmo para o Microcosmo; do ômega para o alfa; da causa para os efeitos; do princípio para as consequências; do geral para o particular.

Ao contemplarmos os vastos horizontes que cobrem aa imensas paisagens, o céu infinito recamado de estrelas, é que notamos quão insignificantes somos neste conjunto da Criação! Entretanto, nos sentimos presos a essa criação, sentimos fazer parte dela; admiramo-la, estudamo-la e aumenta nossa ansiedade por conhecermos os seus enigmas.

É então que, sejam quais forem nossas crenças, seja qual for nossa posição social, sentimos a necessidade de nos conhecer intimamente e de saber as leis que regem nossa existência. Quaisquer que sejam nossas preocupações, sentimo-nos invencivelmente levados a ocuparmo-nos do nosso destino e de saber as leis que o regem.

É no contato com a Natureza, essa sublime criação de Deus, que a alma se eleva, que a razão se aclara, que o sentimento se abre para aprofundar os mistérios da existência.

Se no meio das cidades populosas essa necessidade domina muitas vezes nosso espírito, com quanto maior força ela se apodera de nós ao nos encontrarmos perante a Natureza eterna!

O que é a Terra? O que é esse firmamento marchetado de estrelas que cintilam sobre nossas cabeças?

Esses sítios que perlustramos e que já foram calcados por multidões de homens que, de sua passagem, não deixaram mais que o vestígio do pó dos seus ossos; homens que viveram como nós, que amaram, que sofreram; esses sítios que se vão engrandecendo todos os dias com o trabalho inteligente das gerações, representarão, porventura, uma vasta cloaca onde o progresso, palavra sem significação literal, ergue escolas, edifica monumentos, faz cruzar redes aéreas e subterrâneas para unir os povos e desenvolver civilizações; para logo depois, após alguns anos, fazer desaparecer nos báratros do nada, nos hiantes sorvedouros das trevas, sem aproveitar a quem quer que seja, nem fazer prevalecer a sua obra, para formação, engrandecimento e persistência das inteligências submetidas aos seus ditames, ao seu império dominador?

Por que é para que todo esse movimento contínuo de trabalhos, de lucubrações modernas, de galas e esplendores, de consecução de um ideal, se de todo esse harmonioso conjunto não resulta ao menos uma luz para esclarecer nosso futuro?

Se tudo é matéria e não passa de matéria; se a sabedoria não é mais que uma função do cérebro e a virtude uma vibração do coração, vamos abrir bancarrota à Moral e continuemos a caminhar ao léu da sorte dará, aos barulhos do acaso, sem Deus, sem alma, sem religião, visto que tudo não passa de mera convenção humana!

Para que a vida, se não existe alma? Para que a verdade, se tudo é falsidade? Para que a luz, se as trevas virão dominar até seus últimos reflexos?

Existem, no infinito, globos como o nosso, que obedecem a regras invariáveis e cuja harmonia é tão admirável que não podemos deixar de reconhecer uma profunda sabedoria presidindo à sua disposição!

Como admitir sem autoria de uma Inteligência Suprema e Permanente no Universo, essa complicada máquina celeste, que liga em suas órbitas milhões de mundos, com uma regularidade tão poderosamente estabelecida, que a mais fértil imaginação somente com muito esforço pode descobrir as suas leis mais elementares! Quem não fica maravilhado e não estremece de emoção vendo as miríades de estrelas, sóis gigantescos, centros de outros sistemas planetários, pairando no espaço! Quem não se sente admirado pensando no astro em que pousamos, que desliza no éter com a velocidade superior à de uma bala de canhão, e sem outro ponto de apoio que não seja a atração de um astro longínquo! Quem não compreenderá que a harmonia não pode nascer do caos, e que a casualidade, a força-cega não pode engendrar a ordem e a regularidade?!

 

A Ciência Moderna nos veio abrir novos horizontes à inteligência. Ela nos diz que, desde o tempo em que a Terra não era mais que uma porção de matéria cósmica, efetuaram-se nela infinitas metamorfoses, até produzir-se o resultado que nos é dado conhecer na época atual. Não se pode, pois, negar o desenvolvimento da vida, através dos períodos geológicos; e, em virtude dessa progressão, desse aperfeiçoamento contínuo, ininterrupto do nosso mundo, que vai do simples para o concreto, do mínimo para o máximo, da fealdade para a beleza e harmonia, poderemos negar a arte denunciadora da Inteligência que tudo modela, que tudo aperfeiçoa?

Seja no plano físico, seja na esfera animal, seja na manifestação espiritual do ideal, não há que negar as fases transformativas que precederam o estado atual do nosso mundo, considerado um dos compartimentos da Casa de Deus, e que se vai tornando digno de ser habitado por Espíritos de maior progresso moral e espiritual.

Onde estão as ruas e praças de então, os veículos, terrestres e marítimos que tanto serviço prestaram a nossos avós? Aonde se foram as candeias que os alumiaram, as máquinas medievais de que se serviram, como auxiliares do seu trabalho, como instrumentos dos seus esforços nas lutas cotidianas da aquisição do pão e das vestes?

Nada desapareceu, mas tudo se transformou, tudo melhorou, tudo se aperfeiçoou!

Tudo evolui, tudo progride no Mundo, no Universo, na Natureza! A própria Natureza é testemunha e dá testemunho do progresso, da evolução que constitui a Lei Suprema de Deus.

Partindo do mínimo para o máximo, nós vemos traçadas com letras indeléveis, no plano da Natureza, a palavra: Evolução! Começando do máximo para o mínimo, salienta-se com exuberância a sentença que inspirou o filósofo, para em altos surtos do pensamento glorificar a Deus: Sempre ascendens!

 

Pelo exposto podemos confirmar que a razão, a inteligência, o entendimento, seja pela indução, seja pela dedução, não se podem deixar de curvar à ideia Mater da Imortalidade, que embalou as gerações passadas e abre, atualmente, novos e ilimitados horizontes às gerações futuras.

A Imortalidade é a base única e inamovível, sobre a qual se deve erguer o edifício social e religioso.

Portanto, não poderia o Cristianismo fundar-se em outra qualquer rocha, ou sobre outros quaisquer alicerces.

Na análise indutiva da alma e sua sobrevivência, partindo dos efeitos para as causas, todas as razões, todos os fatos vieram em favor da nossa tese, proclamando o espírito como o fator de todas as ocorrências que se desdobram diariamente às nossas vistas, como que nos despertando para uma ideia mais nobre, para um ideal mais puro do que aquele que limitava nossas ocupações e prazeres.

Na análise dedutiva, do Macrocosmo ao Microcosmo, do Universo ao Homem, tomando como premissas as grandes causas da Verdade Eterna, do mesmo modo, chegamos à conclusão da existência de Deus, como o Grande Fator Primordial de tudo quanto existe, e da existência da alma, base elementar da vida e autora dos fenômenos espíritas e metapsíquicos de que fala a História de todos os tempos.

O estudo do Cristianismo, digno de toda a atenção e observação, está intimamente ligado ao estudo da alma, do espírito. Não se pode compreender as leis morais e sua razão de ser, sem se haver desvendado os mistérios da Psique em suas mais esplendorosas formas.

De fato, o que nos valem os ensinos de Jesus, os exemplos que nos legou de uma vida de pureza, as maravilhas que produziu, se não temos a crença na Imortalidade, se julgamos que tudo se finda com a morte, se o nosso Saduceísmo vai ao ponto de crer que Deus é só para esta existência!

O Apóstolo dos Gentios dizia: "Se cremos em Cristo só para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens."

A Doutrina do Ressuscitado é a manifestação viva da Sobrevivência que já começou a explodir no mundo todo e que se cumprirá em todo o orbe como o Pentecoste no cenáculo de Jerusalém que repercutiu por toda a Judéia.

Escrevendo, pois, este livro, quisemos concorrer, de certa forma, para que a Ideia Religiosa se estreite cada vez mais com a Ideia da Imortalidade, para que o Evangelho mereça um lugar de destaque no nosso coração e aí possa o Espírito de Jesus Cristo erigir a sua cátedra.

Oxalá que nesta humilde obra possam os estudiosos encontrar a Luz que ilumina, a Fé que orienta, a Verdade que alegra e felicita!

EXCLUSIVOS INTUITOS DE JESUS E SEU PENSAMENTO ÍNTIMO

"Eu sou a luz que vim ao mundo, para que o que crê em mim não permaneça nas trevas." (João, XII, 46-“eu a luz vim ao mundo para que aquele que crê em mim, não permaneça nas trevas.)

"Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas..." (João X, 11-“ eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas.)

"Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida." (João VIII, 12-“de novo Jesus lhe falava: ”Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andara nas trevas, mas terá a luz da vida””)

"Se alguém tiver sede venha a mim e beba" (João VII, 37-no último dia da festa, o mais solene, Jesus de pé disse em voz alta: “se alguém tem sede venha a mim e beberá””.)

"Eu sou o pão vivo que desci do céu." (João, VI, 51-“eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer desse pão vivera para sempre., o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo”.)

"Eu sei, respondeu a mulher, que vem o Messias (que se chama Cristo); quando ele vier, anunciar-nos-á todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo" (João, IV, 25-26-“ a mulher lhe disse: sei que vem um Messias (que se chama Cristo). Quando ele vier nos explicará tudo., disse-lhe Jesus. “Sou eu, que falo contigo””!)

"Como João no cárcere tivesse ouvido falar nas obras do Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que há de vir, ou é outro o que devemos esperar?"

"Respondeu Jesus: Ide contar a João o que estais ouvindo e observando: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados; aos pobres anunciasse-lhes o Evangelho; bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço." (Mateus, XI, 1-6.-“quando Jesus acabou de dar instruções a seus doze discípulos, partiu dali para ensinar e pregar, nas cidades deles.

João ouvindo falar, na prisão, a respeito das obras de Cristo, enviou-lhe alguns dos seus discípulos para lhe perguntarem: és tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Jesus respondeu-lhes ide contar a João o que ouvis e vedes: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem; os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. E bem-aventurado aquele que não se escandalizar por causa de mim”)

"João, chamando dois deles, enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que há de vir, ou havemos de esperar outro? Quando esses homens chegaram a Jesus, disseram: João Batista enviou-nos para perguntar: És tu aquele que há de vir, ou havemos de esperar outro? Na mesma hora curou Jesus a muitos de moléstias, de flagelos e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então lhes respondeu.

"Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, aos pobres anunciasse-lhes o Evangelho; e bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço." (Lucas VII, 19-23.)

"A ninguém sobre a Terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está no Céu. Nem queirais ser chamados mestres, porque só um é o vosso mestre, o Cristo." (Mateus XXIII, 9-10-“ao ouvir tais palavras, Jesus ficou admirado e, voltando-se para a multidão que o seguia disse: ” eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. E ao voltarem para casa os enviados encontraram o servo em perfeita saúde.”.)

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João XIV, 6.)

As palavras de Jesus excluem antecipadamente todas as ideias falsas que se possam fazer sobre Ele e o seu escopo primordial.

O motivo exclusivo da sua vinda a este mundo foi, como profetizou Isaías, fazer raiar a Luz aos que se achavam na região da morte: dar crença aos que não a tinham, guiar os que se haviam perdido e se achavam desviados da Estrada da Vida, animá-los e vivificá-los, finalmente, apresentar-se a todos como o Modelo, o Paradigma, o Enviado de Deus, o único Mestre capaz de legar um ensino puro e perfeito, o verdadeiro representante da Verdade que redime e salva. Daí a sua sentença: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim."

Querendo excluir de si mesmo toda a primazia divina, Ele não se apresenta, apesar da sua incomparável missão, como sendo Deus, o Pai, mas, sim, como um seu Enviado - o Cristo.

Os intuitos da sua vinda ao mundo não foram, pois, o de ser deificado, o de que se levantassem igrejas ou catedrais em seu nome, nem se fizesse dos seus ensinos uma religião hierárquica, em que dominasse o formalismo, regida por um ritual.

Ele apresentou-se no cenário terrestre como o Médico que deveria restabelecer a saúde das almas; como o Pregoeiro a anunciar a todos o Reino de Deus; como um eleito do Céu, cheio de amor e poder para dominar Potestades e Elementos.

A interpelação dos Mensageiros de João, a sua resposta foi categórica: "Ide contar a João o que estais ouvindo e observando."

Humilde em extremo, mas de uma energia inquebrantável; bondoso, mas justiceiro; estrito cumpridor dos seus deveres; trabalhador incansável, cujos feitos soube tão brilhantemente unir à sua Palavra Redentora, a ponto de chegarem a aclamá-lo Deus, estamos certos não poder Jesus ser solidário com uma "religião" de franjas, de paramentos, de dogmas, que não condiz com o Verbo que reboou no Carmelo e resplandeceu no Tabor, livre de todas as pompas que pudessem desnaturar a sua beleza natural.

Sua Doutrina é mais do que igrejas e sacerdotes, mais do que catecismos e sacramentos, mais do que todo e qualquer princípio de partidarismo que divide a família humana em vez de reuni-la sob um só preceito de moral, abrangendo a obediência a Deus e o Amor ao próximo.

Jesus não só é a Luz do Mundo, o Sal da Terra, a Água Viva, o Pão, o Suco da Videira, mas, todos esses atributos que o Mestre Galileu conferiu a si mesmo e não representam outra coisa senão a Sua Doutrina, o Verbo que nele se fez carne e habitou entre nós.

Não transviemos o pensamento íntimo de Jesus, dedicando-lhe honrarias e títulos que Ele não usou, e nem revistamos a Sua Palavra de preceitos e de roupagens que só podem desnaturá-la.

"O discípulo não pode ser mais do que o Mestre" e só nele permaneceremos se a Sua Palavra permanecer em nós, livre dos abusos de interpretações e do dogmatismo bastardo que transvia as almas e obscurece o Seu Evangelho.

Finalmente, o pensamento íntimo do Mestre quando veio a esse mundo, não teve intuitos glorificadores, mas de concorrer para que essa Religião Sublime do Amor a Deus e ao Próximo se tornasse conhecida de todos e pudesse, em breve tempo, substituir os fermentos farisaicos que até hoje ainda envenenam a Humanidade.

FONTE:

Caibar Schutel

Bíblia de Jerusalém

 

 

 

 

 

 

 

 

politicamente correto

 

Alison maia é repórter do plantão policial de caldas novas – Goiás além de policial militar

A hipocrisia de quem lê e acusa o texto de político, é o reconhecimento de que há décadas, roubar foi sinônimo de sucesso e posição política e social. Por outro lado, é adepto de que menor não pode trabalhar.

Trabalhar, baseado em uma ridícula lei de proteção ao menor e alegação de escravidão de trabalho infantil,

Esses hipócritas geralmente são pessoas inconformadas com a impossibilidade de roubar pouco ligando quanto ao futuro do menor e favoráveis a diminuição da maioridade penal. Por isso o tráfico agradece.

 

Vejam uma das consequências dessa droga de “politicamente correto” ...

Olá ...

Me chamo Alison Maia sou Repórter Policial;

Hoje um adolescente infrator me deixou sem ação e reação diante dele! Estava eu na delegacia fazendo mais uma cobertura de notícias policiais quando me deparei com um adolescente de 14 anos sentando esperando para ser autuado por porte ilegal de arma de fogo. Olhei para ele e pensei, mais um moleque que não fica preso, então nem vou perder meu tempo, mas enquanto aguardava uma outra ocorrência que estava a caminho da delegacia me aproximei dele e como as vezes faço comecei a dar conselhos para ele,

- Sai dessa vida rapaz, você vai morrer, a vida das drogas e do crime não compensa."

Foi quando ele que até então estava calado olhou bem para mim e disse:

- Seu Alisson, esse papo do senhor eu já cansei de ouvir, estava armado porque vendo droga, e ganho muito fazendo isso, mas eu antes de ser vendedor eu trabalhava numa oficina e sabe o que fizeram?

Denunciaram o dono da oficina porque eu estava trabalhando lá, ele me pagava legal, eu tinha minhas coisas, meu tênis, tinha tudo...

Mas ele teve que me mandar embora para não ir preso, mas acho que ele está até hoje respondendo na justiça por ter dado emprego a um menor. Depois eu fui trabalhar na feira da Avenida Antônio Sanches, trabalhei 07 meses e sabe o que aconteceu lá? A mesma coisa que na oficina, tive que sair. Não sei quem é meu pai e minha mãe é uma coitada e eu tentei seu Alisson trabalhar honestamente, e até trabalhava e estudava direito, mas não deixaram e achei no tráfico o sustento meu e da minha casa, então seu Alisson, guarda seus conselhos para esses safados que vocês votam e que acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar, entrei nessa vida porque sem trabalhar quero um tênis mas não posso, quero comer um sanduíche no Bobs mas também não posso, quero ir no cinema também não posso, então já que não posso trabalhar como gente, vou traficar, pelo menos assim tenho dinheiro .

Tive que ouvir isto de um garoto de 14 anos estragado pelo sistema. Logo chamaram ele e não podemos continuar conversando.

Fiquei mudo e saí calado, sei que há vítimas do sistema, mas foi um garoto de 14 anos que me calou mostrando-me o quanto nós, com nossas escolhas políticas erradas, estamos acabando com a juventude. Por causa dessas quadrilhas que colocamos e ainda mantemos no poder é que jovens estão matando, roubando e traficando... Ele disse: "Não posso trabalhar, mas posso roubar, traficar e matar!" Esse é o futuro que estamos construindo nesse país! Senhores eleitores, leiam isso e se envergonhem do Brasil que você está deixando para essa juventude!

FONTE:

Facebook

“ADVOGADO” PARACLETO CONSOLADOR

 

O “ADVOGADO” PARACLETO CONSOLADOR

João, 14:15-24

15. “Se me amais, observeis meus mandamentos, 16. e  rogarei ao Pai e ele vos dará outro paraclito (advogado, conselheiro), para que convosco permaneça para sempre, 17. O Espírito da verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece; vós o conheceis, porque permanece convosco . 18. Não vos deixarei órfãos: eu virei a vós (já veio diversas vezes aos discípulos). 19. Ainda um pouco e o mundo não mais me vera, mas vós me vereis (promessa cumprida), porque eu vivo e vós vivereis. 20. Nese dia, vós compreenderei que estou em meu Pai e vós em mim, e eu em vós. 21. Quem tem meus mandamentos e os observa, é quem me ama; e quem me ama será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22. Judas (não o Iscariotes, mas o irmão de Tiago) lhe diz: Senhor, porque te manifestaras a nós, e não ao mundo? 23. Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardara minha palavra e meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos faremos morada. 24. Quem não me ama, não guarda minhas palavras; e minha palavra não é minha, mas do Pai que me enviou”.

Vamos começar aqui a analisar algumas palavras. O termo paráklêtos é vulgarmente transliterado como paráclito ou ainda paracleto; ou é traduzido como Consolador, Advogado, conselheiro ou Defensor de acordo com a religião ou seita. Examinando-o, vemos que é formado de para (ao lado de, junto de) e de klêtos do verbo kaléô (chamar). Então, paráklêtos é aquele que é chamado para junto de alguém: o Evocado. A melhor tradução literal é ADVOGADO, que deriva do latim advocatus (formado de vocatus, chamado e ad, para junto de alguém). Apesar de o sentido atual dessa palavra ter mudado de tal forma que não caberia aqui, por ter se vulgarizado e desvirtuado seu princípio, ainda assim, não encontramos termo melhor. O sentido de paráklêtos é mais passivo que ativo: não exprime aquele que toma a iniciativa de defender-nos, mas sim aquele que nós chamamos ou evocamos ou invocamos para permanecer junto de nós. Esse advogado É dito, logo a seguir, o Espírito verdadeiro (tò pneuma tês alêtheias). Ainda aqui afastamo-nos da tradição, que apresenta a tradução literal: o Espírito da Verdade. O raciocínio alerta-nos para o sentido racional e logico: que pode exprimir a junção dessas duas palavras? equiparando essa frase com a outra de João (1.“ João, 2:16-“ ...e disse aos que vendiam pombas: tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu pai, uma casa de comercio”...), onde se fala do espirito da mentira, verificamos que, em ambos os passos, há evidentemente uma figura de hendiades. Trata-se realmente de Espirito verdadeiro e de espirito mentiroso ou enganador. Mais adiante (vers. 26) o Espírito verdadeiro, ou evocado, É dito o Espírito, o Santo, expressão que levou os teólogos a confundi-lo com a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Observemos a oposição nítida do ensino: o Espirito verdadeiro, isto É o Espírito real e genuíno, É o que não teve princípio nem terá fim, o Espírito eterno, individuação da Centelha divina; enquanto o espirito mentiroso ou enganador É aquele que ilude as criaturas, que o julgam eterno e real, quando É apenas transitório e perecível: aprendemos a oposição entre o Eu profundo e o eu menor; entre a Individualidade e a personagem; entre o Cristo e a criatura; entre o Espirito VERDADEIRO E REAL e o espirito ENGANADOR E TRANSITRIO que, sistematicamente distinguimos, escrevendo o primeiro com maiúscula (Espírito) e o segundo com minúscula (espírito). O termo mundo (cosmos) É empregado como em outros passos de João (1:10-...ele estava no mundo...; 7:7-...o mundo não vos pode odiar...; 12:31-...é agora o julgamento deste mundo...; 15:18,19-...se o mundo vos odeia sabei que, primeiro, me odiou a mim se fosseis do mundo...; 16:8, 11-...estabelecerá a culpabilidade do mundo...; 1.” João, 2:15-...não ameis o mundo nem o que há no mundo..., 16, 17-...porque tudo o que há no mundo;... 3:1-...se o mundo não nos conhece,...13; 4:5-...eles são do mundo...;5:4-...vence o mundo..., 5, 19-...e que o mundo inteiro...). A expressão não vos deixarei órfãos deve colocar-se ao lado da que os discípulos são carinhosamente chamados filhinhos (João, 13:33-...por pouco tempo ainda estou convosco...). Ao falar de Judas, João tem o cuidado de esclarecer não o Iscariotes. Nas listas de Mateus (13:55-...e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas...) parece tratar-se do Emissário a denominado Tadeu. Lucas di-lo irmão de Tiago o menor, primeiro inspetor de Jerusalém e irmão de Jesus.

***

“Se amardes o Cristo (se me amardes) executareis meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai e vos dará outro advogado, para que convosco esteja no eon, o Espírito verdadeiro”. O verbo “amar”, aqui, é ágape, que exprime o amor de predileção, de união profunda. Esse amor, que revela e exige sintonia perfeita entre o amado e o amante, faz que este, espontânea e alegremente se coloque em posição de realizar todos os desejos do amado, observando intuições e inspirações que lhe chegam, sem deixar-se levar pelas distrações e injunções externas. Qualquer desejo do Cristo interno, através do Eu profundo, será uma ordem, um “mandamento” para a personagem transitória. Neste caso, ao verificar que a personagem por ele criada para a evolução do Espírito é obediente e fiel, correspondendo integralmente à sua expectativa, realizando e vivendo suas orientações, o Eu profundo, através do Cristo interno, rogará ao Pai para que permita a descida definitiva e permanente, durante todo o eon, da Força Cristônica, ou seja, evocará a ligação do Cristo, verdadeiro Espírito, para que fique ligado e “morando” na personagem, como prêmio à sua fidelidade sintonia perfeita. Então o Espírito real do Homem, o Espírito já santo, porque santificado, não o abandonará durante o ciclo evolutivo, jamais correndo ele perigo de haver o abandono da personagem por parte da Individualidade. Esse Espírito verdadeiro “não pode o mundo receber, porque não o vê nem o conhece mas vós o conheceis, porque habita em vós e está em vós”; o mundo, que representa aqui aqueles que ainda estão voltados para as coisas exteriores, jamais têm condição de ver e conhecer aquilo que se passa dentro deles mesmos: seu olhar estende-se para horizontes longínquos - prazeres, cobiça de agregar a si riquezas perecíveis julgadas eternas, erudição, fama, e glória das personagens e para as personagens e não têm condições de humildemente enclausurar-se em si mesmo, renunciando e esquecendo tudo o que vem de fora. Aqueles, todavia, que negarem e esquecerem sua personagem transitória e mergulharem no abismo sem fundo de seu Eu, esses conhecem seu “Morador Divino”, com ele mantém as mais íntimas relações de afeto, confabulam, pedem orientações, e prestam conta de seus atos e pensamentos; em Sua mão entregam todos os problemas que surgem, e a qualquer momento sabem que podem encontrá-lo, porque “neles habita e está neles”, mais valioso que o universo inteiro com suas riquezas e belezas mais importante que todos os seres humanos com suas glórias e sua fama. Neste ponto, o Cristo manifestado em Jesus fala diretamente para confortar o coração dos discípulos: “eu não vos deixarei órfãos, volto a vós”; embora não mais no corpo físico de Jesus, mas no âmago de cada um. No corpo de Jesus, o mundo não mais o verá dentro de pouco tempo, porque esse corpo será levado alhures ("num outro lugar" ou "em outro momento”). “Mas vós vedes, porque eu, o Cristo, vivo, e vós vivereis em mim e por mim”, pois “quem vive e sintoniza comigo, jamais conhecerá a morte” (João, 11:26-...e quem vive e crê em mim, jamais morrera...). E então, nesse dia em que conseguirmos VIVER no Cristo, “conhecereis (tereis a gnose plena) de que EU (o Cristo) estou no Pai, e vós em mim e eu em vós”. Nada pode ser mais claramente declarado, do que a revelação dessa verdade: o Cristo interno está em nós, e nós estamos no Cristo interno. Por que não O percebemos? Por falta, ainda, de sintonia. No momento em que elevarmos nossa sintonia até a do Cristo, pela negação e renúncia total, absoluta e definitiva a tudo o que é externo, inclusive a nosso eu, pequeno e vaidoso, e a nosso intelecto cheio de convencimento e orgulho, nesse momento poderemos sintonizar com o Cristo interno, através de nosso Eu profundo, de modo total: é o Cristo que viverá em nós (cfr. Gal. 2:20-...já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim...). É o que faz Salomão exclamar em êxtase: “vosso Espírito incorruptível está em todos” (Sab. 12:1-...todos levam teu espírito incorruptível...). Repete-se aqui a fórmula: “Quem têm meus mandamentos e os executa”, isto é, quem os conhece e reconhece e os vive intensa e permanentemente, “é quem me ama”; em grego, literalmente: “é meu amador ou amante” (ho ágape me). E quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e a ele eu mesmo me manifestarei (esphans auti emautn)”. Essa é uma das frases mais fortes, uma das promessas mais confortadoras do Cristo. Não se dirige apenas aos Emissários ali presentes, nem a Seus discípulos imediatos, durante Sua peregrinação terrena na Palestina, mas sim A TODOS OS QUE AMAM O CRISTO. Muitos queixam-se da dificuldade de conseguir a união com o Eu profundo e posteriormente a unificação com o Cristo. Mas a condição de obter-se isso, É uma só: Ama-lo e seguir lhe as ordens, obedecer-lhe as intuições, viver-lhe os ensinos, renunciando a tudo, com desapego total (não abandono!), absoluto, permanente de objetos, de pessoas, de seu próprio eu pequeno, de seu próprio intelecto, de sua própria cultura, de todos os seus conhecimentos humanos. De que vale a própria “sabedoria” humana da personagem? “A Sabedoria da carne (da personagem) é adversária de Deus” (Rom. 8:7-...uma vez que o desejo da carne é inimigo de Deus...); e mais: “Se alguém, entre vós, se julga sábio neste mundo, torne-se louco para tornar-se sábio, pois a sabedoria deste mundo é loucura perante Deus” (1.ã Cor. 3:1819-...ninguém se iluda: se alguém dentre vós julga ser sábio aos olhos desse mundo, torne-se louco para ser sábio...). Quem assim ama o Cristo, entra plenamente na sintonia crística (reino dos céus) e, logicamente, na sintonia do Pai, na frequência do SOM cósmico, cuja tônica, em cada planeta, é dada pela tônica de seu Governador, o Pai plasmado e sustentador de tudo. Estabelecida a sintonia no receptor, a onda da Estação transmissora entra perfeitamente, sem distorções: é a união do amor mais perfeito, a onda hertziana em vibrações de beleza, de bem, de verdade, que entra e replena o circuito do receptor bem sintonizado em alta fidelidade, numa unificação total, no amor mais puro e absorvente. E se o aparelho é aquilo que denominamos de “televisor”, além do som, entra a imagem: “eu mesmo me manifestarei a ele”. O verbo emphan significa exatamente “manifestar-se visivelmente” ou “fazer-se ver”, isto é “mostrar-se”; daí ter sido dito: “felizes os limpos (desapegados) de coração, porque verão a Deus (Mat. 5:8;-...felizes os puros de coração, porque verão a Deus... ). Visão contemplativa, não de uma forma física, mas sem forma, pois estamos no plano mental (arupa) onde só se percebe o caminho (Cristo), o Som que é a Verdade (Pai) e a Luz que é a Vida (Espírito, a Divindade). Jamais esperem os iniciantes ver com olhos físicos; nem mesmo os médiuns que se ambientaram no astral, esperem ver com o olho de Shiva(Na testa, a figura mitológica do deus Shiva tem um terceiro olho(conhecido como o "Olho de Shiva") que simboliza a inteligência e o fogo destrutivo da renovação.) a forma humana do Cristo ou do Pai: é mais alto, mais elevado, mais sublime. Trata-se da absorção, pela mente, das ondas espirituais que emanam do Pai como SOM e do Espírito Santo como LUZ e envolvem e impregnam o Espírito do Adepto, e se transubstanciam nele, numa fusão daí por diante indissolúvel e irreversível: mais uma vez o Cristo se transubstancia na criatura, e mais uma vez teremos um Avatar, um Hierofante (termo usado para designar os sacerdotes da alta hierarquia dos mistérios da Grécia e do Egito. É o sacerdote supremo, que pode ser chamado também de Sumo Sacerdote) cristificado, um Buddha. Judas não contém sua curiosidade: por que seria que essa manifestação, prometida aos discípulos que O amassem, não seria feita ao mundo? Não seria um acontecimento fabuloso se isso ocorresse, elevando todos a planos superiores? Volta o Cristo a paciente e caridosamente elucidar o discípulo insofrido: “Se alguém me ama, executa meu ensino”, no sentido de cima: obedece, VIVE o ensino. E também em outro sentido: realiza meu Logos, ou seja, passa a VIVER MEU SOM, a vibrar na mesma nota fundamental, na mesma frequência vibratória, no mesmo tom. E repete uma vez mais: “o Pai o amará e eu (o Cristo) e o Pai viremos (como uma só coisa) e habitaremos nele”: e passaremos a viver em lugar dele, e nos transubstanciaremos nele.

Não é possível ser mais explícito nem proferir palavras mais consoladoras, ensinos mais profundos: a união será permanente: habitaremos (monên par 'autôi poiêsómetha, isto é, faremos nele nossa moradia) ou permaneceremos nele, dentro e em redor dele. Não há mais separação, não há mais distinção. A que mais pode aspirar-se nesta Terra? Volta-se, então, para o outro lado, ao referir-se ao mundo: “Quem não me ama”, preferindo as exterioridades superficiais do mundo e seu próprio eu pequeno, “não realiza evidentemente meu ensino” e, logicamente, não tem possibilidade de perceber a sintonia do Cristo interno: recebe e realiza as ondas de outras estações emissoras. E mais uma vez é dada garantia absoluta da fonte de onde emanam as revelações; “o ensino que ouvis (ho logos hn akoœete,) não é meu, mas do Pai que me enviou”. Ainda uma vez revela-se a obediência cega às ordens do “Pai, que é maior que eu”: o Filho faz a vontade do Pai sem titubear, repete o ensino do Pai, revela o Logos (SOM, Palavra) paterno, como lídimo intérprete que não trai a confiança nele depositada.

FONTES:

Bíblia de Jerusalém

Carlos T. Pastorino

Huberto Rodhen

Haroldo D. Dias

 

 

 

TRANSFORMAÇÃO DA ÁGUA EM VINHO

 

TRANSFORMAÇÃO DA ÁGUA EM VINHO

Este “milagre”, referido unicamente no Evangelho de João, é apresentado como o primeiro que Jesus operou na sua fase adulta e, nessas condições, deveria ter sido um dos mais notados. Entretanto, bem fraca impressão parece haver produzido, pois que nenhum outro evangelista dele trata. Fato não extraordinário era para deixar espantados, no mais alto grau, os convivas e, sobretudo, o dono da casa, os quais, todavia, parece que não o perceberam, considerado em si mesmo, pouca importância tem o fato, em comparação com os que, verdadeiramente, atestam as qualidades espirituais de Jesus.

Admite Kardec que as coisas hajam ocorrido, conforme foram narradas, é de notar-se seja esse, de tal gênero, o único “fenômeno” que se tenha produzido.

Jesus era de natureza extremamente elevada, para se ater a efeitos puramente materiais, próprios apenas a aguçar a curiosidade da multidão que, então, o teria nivelado a um mágico. Ele sabia que as coisas úteis lhe conquistariam mais simpatias e lhe granjeariam mais adeptos, do que as que facilmente passariam por fruto de grande habilidade e destreza.

Se bem que, a rigor, o fato se possa explicar, até certo ponto, por uma ação fluídica que houvesse, como o magnetismo oferece muitos exemplos, mudado as propriedades moleculares da água, dando-lhe o sabor do vinho, pouco provável é se tenha verificado semelhante hipótese, dado que, em tal caso, a água, tendo do vinho unicamente o sabor, houvera conservado a sua coloração, o que não deixaria de ser notado. Mais racional é se reconheça aí uma daquelas parábolas tão frequentes nos ensinos de Jesus, como a do filho pródigo, a do festim de bodas, do mau rico, da figueira que secou e tantas outras que, todavia, se apresentam com caráter de fatos ocorridos. Provavelmente, durante o repasto, terá ele apenas aludido ao vinho e à água, tirando de ambos um ensinamento.

Justificam esta opinião as palavras que a respeito lhe dirige o mordomo: “Toda gente serve em primeiro lugar o vinho bom e, depois que todos o têm bebido muito, serve o menos fino; tu, porém, guardas até agora o bom vinho. ” Entre duas hipóteses, deve-se preferir a mais racional e os espíritas não são tão crédulos que por toda parte vejam manifestações, nem tão absolutos em suas opiniões, que pretendam explicar tudo por meio dos fluidos.

Texto evangélico

·        No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia; e a mãe de Jesus, estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora não havia mais vinho, pois, o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “eles não têm mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim mulher? ” Minha hora ainda não chegou. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”!

·        Havia ali seis talhas de pedra, para purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas (equivalente a 30/40 litros). Jesus lhes disse: “Enchei as talhas de água”. Eles as encheram até a borda. Então lhe disse: ” Tirai agora e leva ao mestre-sala”. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “todo homem primeiro serve o vinho bom e quando os convidados estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora! Esse princípio dos sinais Jesus o fez em Caná da Galileia e manifestou a sua gloria e os seus discípulos creram nele. ”

Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior, mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.( João, 2.1-11)

 

A transformação de água em vinho é o primeiro chamado “milagre” de Jesus narrado no Evangelho de João. Os materialistas negam a possibilidade de que isso tenha acontecido. Religiosos, digamos, “ortodoxos”, sustentam que o vinho produzido por Jesus não tinha álcool – sustentam que o vinho produzido por Jesus não tinha álcool – pois, se tivesse, Jesus estaria sendo conivente com o uso do álcool. (O que não faz sentido porque naquele tempo o vinho continha graduação alcoólica e Jesus não veio destruir costumes bem como o álcool daquela época possa não ter o mesmo sentido grande bobagem)

Essas discussões são inócuas e, quase sempre, ridículas. O Evangelho não é um amontoado de fatos supostamente extraordinários. O Evangelho foi escrito e pensado através de símbolos. O que nos importa, realmente, nos Evangelhos, são os simbolismos oferecidos por Jesus para o nosso aprendizado espiritual até porque não são simbolismos para aquela época mas para toda humanidade tanto que ainda nos dias de hoje estudamos os evangelhos.

 

Este capítulo nos apresenta o primeiro chamado “milagre” (ou sinal) de Jesus na fase adulta: a transformação de água em vinho, no episódio conhecido como As bodas de Caná, que ocupa quase todo o capítulo.

E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus.

 “Ao terceiro dia” quer dizer “dois dias depois”, ou, como nós costumamos dizer, “depois de amanhã”.

Naquele tempo, naquela região, contava-se o dia corrente. Por exemplo, imaginemos que hoje seja domingo: ao terceiro dia seria a terça-feira, pois contaríamos o próprio domingo – domingo, primeiro dia; segunda-feira, segundo dia; terça-feira, terceiro dia.

Vimos que este Evangelho começa com um prólogo (Do grego “prólogos” que significa "escrito preliminar”. É o mesmo que introdução, prefácio, preâmbulo. É a introdução de um trabalho)

A ação só começa depois deste prólogo seguido do ministério de Jesus, ou seja, no capitulo 2. Desde a apresentação de João Batista há uma contagem de dias, que simbolizam etapas de desenvolvimento espiritual.

No primeiro dia, nos é apresentado João Batista, que simboliza a virtude, a força. A raiz da palavra virtude se refere a força. Virtude é o esforço para a auto superação, é o uso da força moral para superar as próprias falhas de caráter. João Batista levava uma vida de ascetismo, abstinha-se de prazeres materiais, pregava o jejum e a oração, denunciava as imoralidades: um exemplo de virtude.

No segundo dia João Batista viu Jesus, o que simboliza a descoberta do Cristo interno. O espírito virtuoso, depois de um longo exercício de virtude para combater as suas más tendências, descobre que esses cuidados exteriores – o cuidado com os hábitos – embora sejam importantes, são apenas um caminho, um caminho que nos leva ao descobrimento do nosso Cristo interno, do Deus imanente, a partícula divina que está dentro de cada um de nós, que no início deste Evangelho é chamado de “logos” ou “verbo”.

No terceiro dia dois discípulos de João Batista decidem seguir Jesus e ficam com ele até o dia seguinte. O espírito virtuoso, que já se exercitou moralmente através da virtude, resolve seguir o Cristo. Descobriu o Cristo dentro de si e percebe que ele é superior a qualquer tentativa de elevação à força.

No quarto dia há o encontro de Simão e Jesus. Jesus muda o nome de Simão para Pedro – na verdade, “pedra”. O espírito exercitou-se na virtude, descobriu o Cristo dentro de si, decidiu seguir o Cristo, e agora está sobre uma base sólida, sólida como uma pedra, mas esta pedra precisa ser constantemente lapidada. O espírito já é virtuoso e quer seguir o caminho do Cristo, mas ainda é pedra bruta que precisa ser lapidada. Sabemos que tanto o carvão mineral quanto o diamante são compostos de carbono. O Cristo que habita em nós, a nossa partícula de luz divina, é como um pequeno diamante recoberto de uma grossa camada de pedra bruta. Esta pedra terá que ser cuidadosamente lapidada para chegar-se ao diamante.

No quinto dia Jesus convoca Filipe a segui-lo e Filipe fala de Jesus a Natanael. Natanael não leva muito a sério que do pequeno povoado de Nazaré possa sair um grande profeta. Filipe repete a ele as palavras de Jesus: “Vem e vê” – é um convite à fé raciocinada. O espírito adquiriu virtude, descobriu o Cristo, decidiu seguir o Cristo e tem uma base sólida que precisa ser constantemente lapidada, lapidada com a fé. Mas esta fé tem que ser raciocinada – o espírito deve fazer uso da razão – sua fé deve apoiar-se numa base sólida como uma pedra.

O sexto dia não é narrado. Depois do quinto dia vem a narração das bodas de Caná.  

Vimos que este capítulo começa dizendo: “No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia” – o terceiro dia, como vimos, quer dizer dois dias depois. Dois dias depois do quinto dia é o sétimo dia que o capítulo 1:19 chama de A Semana Inaugural (este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para o interrogar quem és tu?).

O primeiro sinal de Jesus, que será tratado a seguir, ocorreu no sétimo dia – ou na sétima etapa, pois esta contagem de dias é evidentemente simbólica.

E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.

E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. (a expressão “mulher”, talvez pensássemos ser mesmo um desprezo, entretanto, naquela época correspondia à palavra “senhora”, com que, atualmente, tratamos com respeito as mulheres).

Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

E estavam ali postas seis talhas de pedra, metretas (antiga medida para líquidos, de origem grega, equivalente a cerca de 30 a 40 litros) para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes (Almude é o nome de uma antiga medida de capacidade, correspondente à 12 canadas ou cerca de 32 litros).

Vemos que se tratava de uma grande festa. As festas de casamento duravam até sete dias, eram a ocasião de maior alegria para as pessoas da época. Somando-se todos os dias, centenas de pessoas devem ter comparecido a esta festa, que era de algum familiar de Jesus, pois a mãe de Jesus exercia autoridade na casa.

Causa muita estranheza o tratamento de Jesus para com a sua mãe: “ (…) Mulher, que tenho eu contigo? (…) ” – referir-se à mãe como “mulher” pode parecer estranho hoje, mas na época era um tratamento respeitoso. Rainhas eram tratadas assim. Dizer “mulher” equivalia a dizer “senhora”, uma palavra que não existia, mas era uma forma respeitosa.

“ (…) Mulher, que tenho eu contigo? (…) ” – “que tenho eu contigo” é a tradução de τι εμοι και σοι γυναι. Se traduzirmos literalmente teremos: “Que é para ti e para mim, mulher? ” A melhor tradução seria “que é isso para mim e para ti? ” ou “o que representa isso para nós? ” “Que nos importa isso? ”

E Jesus diz que ainda não havia chegado a sua hora. Talvez tenha achado, num primeiro momento, que não seria o caso de uma grande manifestação de poder. Mas Maria parece ter ignorado a advertência de Jesus e ele acabou por atendê-la. Nos outros Evangelhos há exemplos de curas que foram efetuadas pela insistência das pessoas, numa demonstração de fé inabalável no poder de Jesus.

“E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus (…) ” – os judeus lavavam suas mãos com esmero antes de comer, como uma forma de purificação, para não se contaminarem.

 

 

Há divergências sobre a capacidade de cada uma das talhas (ou jarros) em litros, mas era perto de 30 ou 40 litros cada um. Foi a água desses jarros que Jesus transformou em vinho.

Não vamos especular sobre como Jesus fez isso ou se ele realmente fez isso. Não é este o nosso objetivo. Não conhecemos todas as leis que regem a matéria. É perfeitamente entendível que Jesus tivesse conhecimentos e poderes que nós não temos e nem possuímos ideia do que possam ser.

Mas isso não muda as nossas vidas. O que nos interessa de fato nos Evangelhos são os ensinamentos de Jesus, e a maior parte dos seus ensinamentos são dados numa linguagem simbólica. Essa linguagem só é acessível a quem abrir a sua mente e o seu coração e se despir de preconceitos religiosos.

As bodas (ou a festa de casamento), são uma figura muito utilizada por Jesus para nos indicar o nosso processo de união com o Cristo. Nossa união com o nosso Cristo interno, com a fagulha de luz divina que habita dentro de nós, deve ser como a união dos noivos nas núpcias.

Particularmente não acreditamos em transformação de água em vinho, mas sim de um simbolismo tanto que ninguém levou em conta e apenas a igreja de Roma nos seus dogmas dá importância.

Quando Adão manteve relações sexuais com Eva é dito que Adão “conheceu” Eva (Gênesis 4:1). Nossa união com o Cristo deve ser de conhecimento íntimo. Este é o simbolismo das bodas. E para essas bodas Jesus foi convidado – o Cristo foi convidado.

A transformação da água em vinho é a transmutação da materialidade para a espiritualidade. No contexto bíblico a água é o elemento gerador absoluto. No começo do Gênesis, quando trata da creação, vemos que Deus não crea a água, como se a água já existisse, pois ela representa o princípio material – “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gênesis 1:2): o princípio espiritual e o princípio material, conforme nos ensina a questão 27 de O Livro dos Espíritos.

O vinho é um composto de espírito e matéria (álcool e água – o álcool é produzido pela fermentação). A palavra “espírito” vem do latim spiritus, relacionado a spirare, “respirar”. O vapor do álcool também era chamado de “espírito do álcool” – essa é a origem da palavra “espiriteira”, que é uma espécie de fogareiro a álcool. O vinho simboliza a espiritualização na matéria.

Vimos que há uma sequência de cinco dias (ou cinco etapas de espiritualização) e depois passamos para o sétimo dia, que são as bodas. Não temos o sexto dia, mas eram seis jarros de água – seis jarros de água (representando o princípio material) que foi transformada em vinho (que representa a espiritualização na matéria). Podemos nos aperfeiçoar depois que morrermos, quando conhecermos a verdadeira realidade da vida eterna. Mas nossa transformação começa agora, enquanto estamos encarnados, vivendo na matéria.

Quando o mestre-sala (o organizador da festa) provou o vinho, ele chamou o noivo e disse: “ (…) Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho”. O melhor vinho estava guardado – o melhor ainda está por vir, o melhor ainda não foi revelado (o melhor do Cristo ainda virá, não foi revelado ainda).

A insuficiência do vinho é a nossa espiritualidade insuficiente. O vinho que acaba é a conscientização da nossa carência espiritual. Então nós ouvimos o Cristo e fazemos tudo o que ele nos diz. O melhor vinho ficou para o final, assim como o melhor ensino ficou para o final.

Os homens costumam oferecer primeiro o vinho bom, e depois que os convidados já estão bêbados, dão o vinho inferior. Os homens também costumam oferecer primeiro um ensino bom, uma doutrina boa, e depois que aqueles que a receberam já estão fanatizados, bêbados da sua doutrina, caem na mesmice dos seus dogmas empedrados e conceitos irracionais.

Mas Jesus proporcionou o melhor vinho para o final – e nós temos à nossa disposição uma doutrina condizente com as exigências do nosso grau evolutivo.

O mestre-sala diz ao noivo: “ (…) tu guardaste até agora o bom vinho” – ele está se referindo, sem saber, à água que foi transformada em vinho por Jesus. A palavra grega que é traduzida como “guardar” (tu guardaste), é tetérekas (τετηρηκας), que quer dizer “mantido em guarda”, “vigiado”.

O vinho bom, que representa o ensino bom, a boa doutrina, estava guardado, estava vigiado – há muito a ser revelado. Os Evangelhos guardam ensinamentos vigiados pelas letras mortas.

Este foi o primeiro sinal de Jesus – o texto fala em “sinais”, não em “milagres”. A palavra grega é semeion (σημειων), que quer dizer “demonstração”, “sinal”, “símbolo”.

Jesus “ (…) manifestou a sua glória (…) ” – “manifestou” é a tradução de efanérosen (εφανερωσεν), indicativo ao Cristo, na voz ativa, terceira pessoa do singular do verbo phaneroo (φανεροω), que quer dizer “iluminar”, “tornar visível”. A raiz deste verbo é phos (φως), que quer dizer “luz”. Jesus mostrou a sua luz, a luz do Cristo. “Glória” é a tradução da palavra grega doxa (δοξα). A melhor tradução para esta passagem não é glória. Doxa é como traduzem a palavra hebraica kabod, que na Bíblia quase sempre se refere ao “peso da presença de Deus”. Mas não é o caso aqui. Jesus não está dando uma demonstração de poder, não está dando um show. Está claramente aproveitando a oportunidade para nos deixar um ensinamento.

A palavra grega doxa originalmente se referia à opinião que uma sociedade elabora num determinado momento histórico pensando se tratar de uma verdade óbvia, uma evidência natural, mas que para a filosofia não passa de uma crença ingênua, uma crença que deverá ser superada para a obtenção do conhecimento verdadeiro. Com o tempo a palavra doxa passou a expressar qualquer opinião, verdadeira ou não.

Jesus produziu um fenômeno provocando nos presentes a ideia de que estavam diante de uma verdade óbvia, de uma evidência natural de que se tratava de um “milagre”, e a opinião que formaram a respeito de Jesus se baseou (e se baseia até hoje) em torno do que consideram um “milagre”. Mas essa opinião – essa doxa, como diz o significado original da palavra doxa – é apenas uma crença ingênua, uma crença que deverá ser superada para a obtenção do conhecimento verdadeiro.

Por outro lado convém lembrar que Jesus não fez “milagres” pois “milagre” é um acontecimento dito extraordinário que, à luz dos sentidos e conhecimentos até então disponíveis, não possuindo explicação científica ainda conhecida, dá-se de forma a sugerir uma violação das leis naturais que regem os fenômenos ordinários e Jesus não veio destruir a lei e muito menos as leis divinas ou naturais; Jesus não veio violar Lei de Deus.

E o conhecimento verdadeiro é o simbolismo que se encontra por trás das letras do Evangelho. Muitas pessoas mantêm essas crenças ingênuas num Jesus “milagreiro” que faz questão de manifestar o seu poder. Essas pessoas são as pessoas “ortodoxas” – orto quer dizer “certo”, “correto” – ortodoxo quer dizer “aquele que tem a opinião certa”. É isso que elas pensam, e por isso não se abrem a novas opiniões. Lembrem que a infalibilidade papal determina que a palavra é do papa que possui a verdade e que nenhum fiel pode discutir ou questionar devendo aceitar.

Mas doxa, como vimos, originalmente se refere a uma opinião ilusória, no fundo é apenas uma crença ingênua. Essas crenças foram necessárias naquele momento. Naquele momento histórico a humanidade não tinha condições de uma compreensão mais profunda do ensinamento de Jesus.

Caná quer dizer “zelo”, “fervor”. Assim foi a fé daquelas pessoas em Jesus.

“ (…) manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele” – a palavra grega pistis (πιστις) é normalmente traduzida como “crença”, mas quer dizer fidelidade, lealdade, obediência, sintonia, harmonia, adesão.

Jesus mostrou a sua luz através deste fenômeno, que esconde um ensino profundo, e seus discípulos aderiram intimamente a ele, seus discípulos foram fiéis a ele, entraram na mesma sintonia que ele.

Crer, eles já criam em Jesus – se não cressem nele, não o estariam seguindo.

Com o ensino mais profundo, seus discípulos entraram em sintonia com o Cristo. É o que nós precisamos fazer: sintonizar com o Cristo. E o Cristo está dentro de nós. Simples assim; cada um que analise questione, abandonando seus dogmas e chegue a sua própria conclusão se Jesus é um “milagreiro” ou o caminho a verdade e a vida.

FONTE:

Huberto Rodhen

Carlos Pastorino

Bíblia de Jerusalém