sábado, 17 de abril de 2021

SIMBIOSES EM GRAUS DIVERSOS

SIMBIOSES EM GRAUS DIVERSOS

O grupo fez a leitura aleatória de diversos livros de André Luiz psicografados por Chico Xavier. Daí surgiram dúvidas que em vídeo conferencia foram solucionadas e cujos resumos seguem

OBSESSÕES ESPÍRITICAS são as obsessões propriamente ditas. se originam da atuação dos Espíritos desencarnados. Temos, como primeira subdivisão, as simbioses em graus diversos, processos muito antigo de conluios de mentes perturbadas.

Para estudá-las, vamos cotejá-las com as que ocorrem na natureza. De fato, simbiose é processo comum nos reinos inferiores e no organismo humano. No homem, por exemplo, existem simbioses fisiológicas, em que micro-organismos se albergam no trato intestinal dos seus hospedeiros, apropriando-se dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias úteis à existência dos anfitriões. Conforme elucida André Luiz, ocorre também do ponto de vista espiritual e, nesse processo, o encarnado entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que passa a lhe controlar a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio e, em troca, de certa forma, fica protegido contra o assalto de influências ocultas ainda mais deprimentes.  Vamos analisar alguns tipos de simbioses no reino vegetal e animal para podermos comparar com as que ocorrem em nível mental.

A simbiose pode ser útil e exploradora; quando essa expoliação atinge alto grau de vampirismo, temos a parasitose, outra modalidade de associação, muito mais deletéria para o hospedeiro.

Na simbiose útil, temos como exemplo a que existe entre o cogumelo e a alga, na esfera dos liquens, em que as hifas ou filamentos dos cogumelos se intrometem nas gonídias (Células verdes, que, nas algas e nos líquens, formam uma camada contínua, em que parece residir todo o poder vegetativo daquelas plantas.) Ou células das algas e projetam-lhes no interior certos apêndices, equivalendo a complicados haustórios (raízes muito finas desenvolvidas por plantas parasitas. Penetram nos tecidos da planta hospedeira, de onde retiram os alimentos necessários à sobrevivência da planta parasita), efetuando a sucção das matérias orgânicas que a alga elabora por intermédio da fotossíntese.

O cogumelo empalma-lhe a existência, todavia, em compensação, a alga se revela protegida por ele contra a perda de água, e dele recolhe, por absorção permanente, água e sais minerais, gás carbônico e elementos azotados, motivo pelo qual os liquens conseguem superar as maiores dificuldades do meio. Entretanto, o processo de semelhante associação pode estender-se em ocorrências completamente novas. E que se dois liquens, estruturados por diferentes cogumelos, se encontram, podem viver, um ao lado do outro, com talo comum, pelo fenômeno da parabiose (simbiose, observada por ex nas formigas de espécies diferentes, cujos ninhos apresentam galerias que se entrecruzam, mas sem que haja entre elas qualquer relação harmônica ou desarmônica) ou união natural de indivíduos vivos

Dessa maneira, a mesma alga pode produzir liquens diversos com cogumelos variados, podendo também suceder que um líquen se transfigure de aspecto, quando uma espécie micológica se sucede a outra. Outro exemplo de simbiose útil vamos encontrar em certas plantas leguminosas que guardam os seus tubérculos nas raízes, cujas nodosidades albergam determinadas bactérias do solo que realizam a assimilação do azoto atmosférico, processo esse pelo qual essas plantas se fazem preciosas a gleba, devolvendo-lhe o azoto despendido em serviço.

 

ORIGEM DAS SIMBIOSES MENTAIS

As raízes desse problema prendem-se ao próprio desenvolvimento do princípio inteligente. Ao atingir a fase nominal, emergindo de um longo processo evolutivo nos reinos inferiores, este princípio já se transmudou em alma, ganhando o direito de gerar o pensamento de forma ininterrupta. A partir daí, inicia-se no processo conhecido como mentossíntese, baseado em trocas: a alma emite as próprias ideias e radiações, assimilando as radiações e ideias alheias.

Como meio de mantê-lo estimulado à experiência terrena, a Providência Divina impregnou-o do desejo de satisfação, através da aquisição dos bens terrenos e do afeto. Com a morte física, porém, a alma sente-se alquebrada e aflita por constatar que todos os seus sonhos de propriedade e afetividade foram interrompidos. Arrebatado aos que mais ama e ainda incapaz de entender a transformação da paisagem doméstica de que foi alijado, revolta-se comumente contra as lições da vida a que é convocado, em plano diferente, e permanece fluidicamente algemado aos que se lhe afinam com o sangue e com os desejos, comungando-lhes a experiência vulgar. Desde as mais remotas eras, aprendeu automaticamente a respirar e a viver justaposto ao hausto e ao calor alheio.

Foi assim que surgiu a simbiose das mentes. A alma amedrontada diante da morte, essa grande incógnita, vale-se da receptividade dos que lhe choram a perda e demora-se colada aos que mais ama.

a simbiose espiritual permanece entre os homens, desde as eras mais remotas, em processos de mediunismo consciente ou inconsciente, através dos quais os chamados mortos , traumatizados ou ignorantes, fracos ou indecisos , se aglutinam em grande parte ao habitat , dos chamados vivos , partilhando-lhes a existência, a absorver-lhe parcialmente a vitalidade, até que os próprios Espíritos encarnados, com a força do seu próprio trabalho, no estudo edificante e nas virtudes vividas lhes ofereçam material para mais amplas meditações .

Através dessas, passam a se habilitar à necessária transformação com que se adaptem a novos caminhos e aceitem encargos novos, à frente da evolução deles mesmos, no rumo de esferas mais elevadas.

DIVERSAS MODALIDADES

Como vimos, a simbiose é processo comum nos reinos inferiores e na vida biológica humana, estendendo-se às mentes. Na simbiose espiritual, como vimos o encarnado entrega-se inconscientemente ao desencarnado, que passa a lhe controlar a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio e, em troca, de certa forma, fica protegido contra o assalto de influências ocultas ainda mais deprimentes. Semelhantes processos de associação aparecem largamente empregados pela mente desencarnada, ainda tateante, na existência além-túmulo. E André Luiz ressalta: Sentindo a receptividade dos que lhe choram a perda a mente receosa permanece colada aos que mais ama. E qual cogumelo que projeta para dentro dos tecidos da alga dominadores apêndices, com os quais lhe suga grande parte dos elementos orgânicos, por ela própria assimilados, o Espírito desenfaixado da veste física lança habitualmente, para a intimidade dos tecidos fisiopsicossomáticos daqueles que o asilam, as emanações do seu corpo espiritual, como radículas alongadas ou sutis alavancas de força, subtraindo-lhes a vitalidade, elaborada por eles nos processos de biossíntese, sustentando-se, por vezes, largo tempo, nessa permuta viva de forças. Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio, até certo ponto, mas, em troca, em face da sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdurar semelhante influência, necessariamente protegida contra o assalto de forças ocultas ainda mais deprimentes.

Por esse motivo, ainda agora, em plena atualidade, encontramos os problemas da mediunidade evidente, ou da irreconhecida, destacando, a cada passo, inteligências nobres intimamente aprisionadas a cultos estranhos, em matéria de fé, as quais padecem a intromissão de ideias de terror, ante a perspectiva de se afastarem das entidades familiares que lhes dominam a mente através de palavras ou símbolos mágicos, com vistas a falaciosas vantagens materiais. Essas inteligências fogem deliberadamente ao estudo que as libertaria do cativeiro interior, quando não se mostram apáticas, em perigosos processos de fanatismo, inofensivas e humildes, mas arredadas do progresso que lhes garantiria a renovação.

Em outros processos simbióticos, André Luiz enfatiza:  o desencarnado que teme as experiências do Mundo Espiritual ou que insiste em prender-se por egoísmo aos que jazem na retaguarda, se possui inteligência mais vasta que a do hospedeiro, inspira-lhe atividade progressiva, que resulta em benefício do meio a que se vincula, tal como sucede com a bactéria na raiz da leguminosa. Noutras circunstâncias, porém, efetua-se a simbiose em condições infelizes, nas quais o desencarnado permanece eivado de ódio ou perversidade enfermiça ao pé das próprias vítimas, inoculando-lhes fluidos letais, seja copiando a ação do cogumelo que se faz verdugo da orquídea, impulsionando-a a situações anormais, quando não lhe impõe lentamente a morte, seja reproduzindo a atitude das algas invasoras no corpo dos anelídeos, conduzindo-os a longas perturbações.

ALGUNS EXEMPLOS DE SIMBIOSE ESPIRITUAL

Inicialmente, vamos enfocar um caso de simbiose generalizada: o fato comum da permanência dos parentes desencarnados nas residências terrestres. O caso de Ester e sua família. Alexandre dirigiu-se, com André Luiz, à casa de Ester, localizada em uma rua modesta. Antes mesmo da penetração deles no ambiente doméstico, perceberam uma grande movimentação de entidades de condição inferior, com entradas e saídas constantes.

Penetraram a casa sem que os espíritos menos evoluídos se dessem conta, em virtude do baixo-padrão vibratório que lhes caracterizava as percepções. A família, constituída da viúva, três filhos e um casal de velhos, permanecia a mesa de refeições, no almoço muito simples. Um fato marcante, até então inédito para André Luiz: seis entidades, envolvidas em círculos escuros, alimentavam-se, também, pelo sistema de absorção. Diante do espanto do nosso caro médico desencarnado, Alexandre explicou: Meu amigo, os quadros de viciação mental, ignorância e sofrimento nos lares sem equilíbrio religioso, são muito grandes. Onde não existe organização espiritual, não há defesas da paz de espírito. Isto é intuitivo para todos os que estimem o reto pensamento. Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantêm ligados a casa, as situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico. Ao ver a satisfação das entidades que absorviam gostosamente as emanações dos pratos fumegantes, André quis saber se estavam se alimentando de fato.

Alexandre replicou que, efetivamente, aquelas entidades, viciadas nas sensações fisiológicas, estavam encontrando nas substâncias cozidas e desintegradas pelo fogo, absorvidas ali, o mesmo sabor que apreciavam quando estavam no corpo. Segundo lembrou, isso não era de se admirar uma vez que o homem terrestre recebe mais de setenta por cento da alimentação comum através dos princípios atmosféricos que ele capta pelas vias respiratórias. Quanto à argumentação de André de que era muito desagradável tomar refeições na companhia de estranhos, assim de condição inferior, Alexandre ponderou que não se tratava de desconhecidos, mas de familiares diversos, e que, ainda que fossem estranhas, aquelas almas estariam ali obedecendo às tendências do conjunto, uma vez que cada Espírito tem as companhias que prefere.

Em seguida, o instrutor ressaltou que a mesa familiar é sempre um receptáculo de influenciações de natureza invisível. Por esse motivo, os que tecem comentários maledicentes à mesa atrairão caluniadores invisíveis, os que buscam a ironia receberão como resposta a presença de entidades galhofeiras e sarcásticas. E Alexandre deu o diagnóstico completo no caso do lar de Ester: - E o vampirismo reciproco. Logo em seguida, André passou a ouvir os espíritos, comensais habituais da casa, constatando-lhes o grau de apego à existência terrestre e desejou fazer-se visível para dialogar com eles, mas Alexandre adiantou-se, aconselhando:

...noutra oportunidade, porque as cristalizações mentais de muitos anos não se desfazem com esclarecimentos verbais de um dia. O caso Libório e esposa de ”Nos Domínios da Mediunidade”, ilustra o processo simbiótico. Libório uniu-se a uma mulher encarnada em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. A companheira buscou ajuda em sessão de desobsessão realizada por um centro espírita e, devido ao concurso de entidades abnegadas, obteve o afastamento momentâneo do espírito obsessor. Bastou, porém, que ele fosse retirado para que ela o fosse procurar, durante o sono físico, reclamando-lhe a presença. Na prática da desobsessão, temos de levar em consideração esses casos, em que o encarnado julga querer o reajustamento, entretanto, no íntimo, alimenta-se com os fluidos doentios do companheiro desencarnado e apega-se a ele, instintivamente. O caso Desiderio-Elisa de “E A Vida Continua” podemos assim resumir: Ernesto Fantini falecera, vítima de um tumor maligno da suprarrenal, deixando a esposa Elis a e a filha Vera. Depois da morte, esteve internado em uma clínica de refazimento do mundo espiritual, com vários desencarnados, inclusive Evelina Serpa, que falecera ainda jovem e, fato curioso, vítima da mesma doença. Ernesto, porém, trazia um peso na consciência: quando jovem, participara de uma caçada com mais dois amigos e, por ciúme da mulher, atirara em um deles - Desiderio - que veio a falecer. Embora dois tiros tivessem sido detonados, de lados diferentes, Ernesto responsabilizava-se pelo crime e a dor de consciência era um espinho constante a dilacerar-lhe o íntimo. Após um período de refazimento na clínica do mundo espiritual, Evelina e Ernesto dispuseram-se a servir juntos, assistindo aos familiares que permaneceram na crosta. Voltando para junto dos seus, que, no momento, estavam instalados na casa de veraneio do Guarujá, Ernesto teve uma enorme surpresa. Elisa, a esposa, cabelos mais grisalhos, rosto mais vincado de rugas, estava deitada e, ao seu lado, estirava-se um homem desencarnado, o mesmo sobre o qual ele havia atirado anos antes. Era Desiderio Santos, o Dedé, companheiro de sua meninice, assassinado naquela caçada e que ele supunha haver removido para sempre da própria casa. Fantini chorou, pensando no inimigo que estava, ali, triunfante e dominador. Depois, mais sereno, foi percebido por ambos. Elisa passou a gritar, chamando-o de assassino, matador, expulsando-o de casa, revelando suas faculdades psíquicas desordenadas, desgastadas pelo longo processo de simbiose junto a Dedé. Ela falava com Ernesto, de certo modo identificando-lhe a presença, sem que a filha Vera e o genro Caio pudessem entender a razão dos impropérios, supondo-a em avançada demência senil.

Elisa confessou que passou a gostar de Dedé, desde que Fantini acabou com ele, descendo a detalhes da vida íntima dos dois, sobre os quais, pede a caridade, se faça silêncio.

Em seguida, foi Desiderio quem investiu contra Ernesto e, apesar das rogativas de perdão, não cedeu em nada em seu ódio. Mas revelou que o verdadeiro assassino tinha sido Amâncio, o outro caçador do dia fatídico, que acabou ficando com sua esposa e filha. Apesar de não ter sido ele, Ernesto, o autor direto, não lhe perdoava a ideia e o modelo do crime, aproveitado pelo verdadeiro homicida. E Desiderio falou da simbiose que estabeleceu com Elisa: batido à maneira de um cão escorraçado e sem dono, sem a companheira que retirou da lembrança e sem a filha que devia beijar seu algo por segundo pai, vagueou pelas estradas de ninguém, entre as maltas das trevas, até que se instalou definitivamente ao pé de Elisa, sua mulher, cuja silenciosa ternura o chamava, insistentemente(...)

Aos poucos, do ponto de vista do espírito, ajustou-se a ela, como o pé ao sapato, e passou a amá-la com ar dor, porque era ela a única criatura da Terra que o guardava na memória e no coração (...)

Adotando a violência, nada mais conseguiu senão atirar-se mais intensivamente para os braços de sua mulher (...)

E, enquanto você viveu nesta casa, após acreditar morto, partilhou sua mesa e sua vida (...) vive aqui, mora aqui e a mulher lhe pertence...

Eis aí a descrição de um processo que se verifica na Terra, desde a mais remota antiguidade.

Os corpos morrem, mas os Espíritos permanecem nos lares, convivendo com os chamados vivos em graus de intimidade e de profundidade, por enquanto insuspeitados pela imensa maioria dos homens.

FONTE:

Marlene Nobre ”Obsessão e suas máscaras” 

O DISCIPULATO

 

O DISCIPULATO

Mat. 16:24-28

Então disse Jesus a os seus discípulos: "Se alguém quer vir após mim,  salvar a  sua vida, a perderá; mas o que perder sua vida por mim, a achará.  De fato que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro mas arruinar sua vida? Ou o que poderá o homem dar em troca de sua vida   Pois o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com seu comportamento. Em verdade vos digo, que alguns dos aqui estão não provarão a morte até que vejam o filho do homem vindo em seu reino.

(Marc. 8:34-38 e 9:1)

Chamando a multidão, juntamente com seus discípulos disse-lhes: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua visa a perdera; mas o  que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho a salvara com efeito que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida? De fato, aquele que, nesta geração adúltera e pecadora se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o filho do homem se envergonhara dele, quando vier na gloria de seu Pai com os santos anjos.

E dizia ainda:! Em verdade vos digo que estão aqui presentes, alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus, chegando com poder.”.

 

Luc. 9:23-27

23. Dizia, ele, a todos: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá; mas o que perder sua vida por causa de mim, a salvar com efeito o que aproveito ao homem ganhar o mundo inteiro, se se perder ou arruinar a si mesmo? Pois quem se envergonhar de mim ou de minhas palavras, o filho do homem dele se envergonharia quando vier na sua gloria e na do Pai e dos santos anjos. eu vos digo verdadeiramente, que  alguns dos que  aqui estão  não provarão a morte antes de terem visto o Reino de Deus.

Depois do episódio narrado no último capítulo, novamente Jesus apresenta uma lição seria, embora bem mais curta que as do Evangelho de João. Segundo Mateus, a conversa foi mantida com seus discípulos. Marcos, entretanto, revela que Jesus "chamou a multidão" para ouvi-la, como que salientando que a aula era "para todos"; palavras, aliás, textuais em Lucas.

Achava-se a comitiva no território não-israelita ("pagão") de Cesária de Filipe, e certamente os moradores locais haviam observado aqueles homens e mulheres que perambulavam em grupo homogêneo. Natural que ficassem curiosos, a "espiar" por perto. A esses, Jesus convida que se aproximem para ouvir os ensinamentos e as exigências impostas a todos os que ambicionavam o DISCIPULATO, o grau mais elevado dos três citados pelo Mestre: justos (bons), profetas (médiuns) e discípulos. As exigências são apenas três, bem distintas entre si, e citadas em sequência gradativa da menor maior. Observamos que nenhuma delas se prende a saber, nem a dizer, nem a crer, nem a fazer, mas todas se baseiam em SER. O que vale é a evolução interna, sem necessidade de exteriorizais, nem de confissões, nem de ritos. No entanto, é bem frisada a vontade livre: "se alguém quiser"; ninguém É obrigado; a espontaneidade deve ser absoluta, sem qualquer coação física nem moral. Vamos analisar: Vimos, o Mestre ordenar a Pedro que "se colocasse atrás Dele". Agora esclarece: "se alguém QUER ser SEU discípulo, siga atrás Dele". E se tem vontade firme e inabalável, se o QUER, realize estas três condições:

1.     “ - negue-se a si mesmo (Lc. arnésasthô; Mat. e Mr. aparnésasthô eautón).

2.     “ - tome (carregue) sua cruz (Lc. "cada dia": arátô tòn stáurou autoú kath'hêméran);

3.     “ - e siga-me (akoloutheítô moi).

Se excetuarmos a negação de si mesmo, já ouvíramos essas palavras em Mat. 10:38. O verbo "negar-se" ou "renunciar-se" (aparnéomai) é empregado por Isaías (31:7-“porque naqueles dias todos porão fora seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro que vossas mãos pecaminosas fizeram para vós”)) para descrever o gesto dos israelitas infiéis que, esclarecidos pela derrota dos assírios, rejeitaram ou negaram ou renunciaram a seus dolos. E essa É a atitude pedida pelo Mestre aos que QUEREM ser seus discípulos: rejeitar o ídolo de carne que É o próprio corpo físico, com sua sequela de sensações, emoções e intelectualismo, o que tudo constitui a personagem transitória a pervagar alguns segundos na crosta do planeta. Quanto ao "carregar a própria cruz", já vimos, o que significava. E os habitantes da Palestina deviam estar habituados a assistir cena degradante que se vinha repetindo desde o domínio romano, com muita frequência. Para nos reportarmos a Flávio Josefo, ele cita-nos quatro casos em que as crucificações foram em massa: Varus que fez crucificar 2.000 judeus, por ocasião da morte, em 4 A.C., de Herodes o Grande (Ant. Jud. 17.10-4-10); Quadratus, que mandou crucificar todos os judeus que se haviam rebelado (48-52 A.D.) e que tinham sido aprisionados por Cumarus (Bell. Jud. 2. 12.6); em 66 A.D. até personagens ilustres foram crucificadas por Gessius Florus (Bell. Jud. 2.14.9); e Tito que, no assédio de Jerusalém, fez crucificar todos os prisioneiros, tantos que não havia mais nem madeira para as cruzes, nem lugar para plantá-las (Bell. Jud. 5.11.1). Pois se calcula quantos milhares de crucificações foram feitas antes; e o espetáculo do condenado que carregava as costas o instrumento do próprio suplício era corriqueiro. Não se tratava, portanto, de uma comparação vazia de sentido, embora constituindo uma metáfora. E que o era, Lucas encarrega-se de esclarecê-lo, ao acrescentar "carregue cada dia a própria cruz". Vemos a exigência da estrada de sacrifícios heroicamente suportados na luta do dia-a-dia, contra os próprios pendores ruins e vícios. A terceira condição, "segui-Lo", revela-nos a chave final ao discipulado de tal Mestre, que não alicia discípulos prometendo-lhes facilidades nem privilégios: ao contrário. Não basta estudar-lhe a doutrina, aprofundar-Lhe a teologia, decorra-lhe as palavras, pregar-Lhe os ensinamentos: É mister SEGUI-LO, acompanhando-O passo a passo, colocando os pés nas pegadas sangrentas que o Rabi foi deixando ao caminhar pelas Ásperas veredas de sua peregrinação terrena. Ele é nosso exemplo e também nosso modelo vivo, para ser seguido até o topo do calvário. Aqui chegamos a compreender a significação plena da frase dirigida a Pedro: “ainda és meu adversário (porque caminhas na direção oposta a mim, e tentas impedir-me a senda dolorosa e sacrificial): vai para trás de mim e segue-me; se queres ser meu discípulo, terás que renunciar a ti mesmo (não mais pensando nas coisas humanas); que carregar também tua cruz sem que me percas de vista na dura, laboriosa e dorida ascensão ao Reino". Mas isto, "se o QUERES" ... Valerá a pena trilhar esse Áspero caminho cheio de pedras e espinheiros? O versículo seguinte (repetição, com pequena variante de Mat. 10:39 –“aquele que acha a sua vida, a perdera, mas quem perde sua vida por causa de mim, a achará”) responde a essa pergunta. As palavras dessa lição são praticamente idênticas nos três sinópticos, demonstrando a impressão que devem ter causado nos discípulos. Sim, porque quem quiser preservar sua alma (hs eán thélei tên psychên autòn sõsai) a perderá (apolêsei autên). Ainda aqui encontramos o verbo sôzô, cuja tradução "salvar" dá margem a tanta ambiguidade atualmente. Neste passo, a palavra portuguesa "preservar" (conservar, resguardar) corresponde melhor ao sentido do contexto. O verbo apolesô "perder", só poderia ser dado também com a sinonímia de "arruinar" ou "degradar" (no sentido etimológico de "diminuir o grau"). E o inverso é salientado: "mas quem a perder "hós d'án apolésêi tên psychên autoú), por minha causa (héneken emoú) - e Marcos acrescenta "e da Boa Nova" (kaì toú euaggelíou) - esse a preservará (sósei autén, em Marcos e Lucas) ou a achará (heurêsei autén, em Mateus). A seguir pergunta, como que explicando a antinomia verbal anterior: "que utilidade terá o homem se lucrar todo o mundo físico (kósmos), mas perder - isto É, não evoluir - sua alma? E qual o tesouro da Terra que poderia ser oferecido em troca (antállagma) da evolução espiritual da criatura? Não há dinheiro nem ouro que consiga fazer um mestre, riem que possa dar-se em troca de uma iniciação real. Bens espirituais não podem ser comprados nem trocados por quantias materiais. A matemática possui o axioma válido também aqui: quantidades heterogêneas não podem somar-se. O versículo seguinte apresenta variantes. MATEUS traz a afirmação de que o Filho do Homem vira com a glória de seu Pai, em companhia de Seus Mensageiros (anjos), para retribuir a cada um segundo seus atos. Traduzimos aqui dóxa por "glória", porque É o melhor sentido dentro do contexto. E entendemos essa glória como sinônimo perfeito da "sintonia vibratória" ou a frequência da túnica do Pai (Verbo, Som). A atribuição a cada um segundo seus atos" (tên práxin autoú) ou talvez, bem melhor, de acordo com seu comportamento, com a "prática" da vida diária. Não são realmente os atos, sobretudo isolados (mesmo os heroicos) que atestarão a Evolução de uma criatura, mas seu comportamento constante e diuturno. MARCOS diz que se alguém, desta geração "adúltera", isto É, que se tornou "infiel" a Deus, traindo-O por amar mais a matéria que o espírito, e "errada" na compreensão das grandes verdades, "se envergonhar" (ou seja "desafinar", não-sintonizar), também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier com a glória do Pai, em companhia de Seus mensageiros (anjos). LUCAS repete as palavras de Marcos (menos a referência Boa Nova), salientando, porém, que o Filho do Homem vira com sua própria glória, com a glória do Pai, e com a glória dos santos mensageiros (anjos). E finalmente o último versículo, em que s Mateus difere dos outros dois, os quais, no entanto, nos parecem mais conformes s palavras originais. Afirma o Mestre "alguns dos aqui presentes" (eisin tines tõn hõde hestótõn), os quais não experimentarão (literalmente: "não saborearão, ou mê geúsôntai) a morte, até que vejam o reino de Deus chegar com poder. Mateus em vez de "o reino de Deus", diz "o Filho do Homem", o que deu margem expectativa da Parusia, ainda para os indivíduos daquela geração. Entretanto, não se trata aqui, de modo algum, de uma Parusia escatológica (Paulo avisa aos tessalonicenses que não o aguardem "como se já estivesse perto”; mas da descoberta e conquista do "reino de Deus DENTRO de cada um" (cfr. Luc. 17:21), prometido para alguns "dos ali presentes" para essa mesma encarnação. A má interpretação provocou confusões. Os gnósticos (como Teodósio), João Crisóstomo, Teofilacto e outros - e modernamente o cardeal Billot, S.J. (cfr. "La Parousie", pág. 187), interpretam a "vinda na glória do Filho do Homem" como um prenúncio da Transfiguração; Cajetan diz ser a Ressurreição;

Godet acha que foi Pentecostes; todavia, os próprios discípulos de Jesus, contemporâneos dos fatos, não interpretaram assim, já que após a tudo terem assistido, inclusive ao Pentecostes, continuaram esperando, para aqueles próximos anos, essa vinda espetacular. Outros recuaram mais um pouco no tempo, e viram essa "vinda gloriosa" na destruição de Jerusalém, como "vingança" do Filho do Homem; isso, porém, desdiz o perdão que Ele mesmo pedira ao Pai pela ignorância de Seus algozes (D. Calmet, Knabenbauer, Schanz, Fillion, Prat, Huby, Lagrange); e outros a interpretaram como sendo a difusão do cristianismo entre os pagãos (Gregório Magno, Beda, JansÊnio, Lamy). Penetremos mais a fundo o sentido.

Na vida literária e artística, em geral, distinguimos nitidamente o "aluno" do "discípulo". Aluno é quem aprende com um professor; discípulo é quem segue a trilha antes perlustrada por um mestre. Só denominamos "discípulo" aquele que reproduz em suas obras a técnica, a "escola", o estilo, a interpretação, a vivência do mestre. Aristóteles foi aluno de Platão, mas não seu discípulo. Mas Platão, além de ter sido aluno de Sócrates, foi também seu discípulo. Essa distinção já era feita por Jesus há vinte séculos; ser Seu discípulo é segui-Lo, e não apenas "aprender" Suas lições. Aqui podemos desdobrar os requisitos em quatro, para melhor explicação. Primeiro: é necessário QUERER. Sem que o livre-arbítrio espontaneamente escolha e decida, não pode haver discipulado.

Daí a importância que assume, no progresso espiritual, o aprendizado e o estudo, que não podem limitar-se a ouvir rápidas palavras, mas precisam ser sérios, contínuos e profundos. Pois, na realidade, embora seja a intuição que ilumina o intelecto, se este não estiver preparado por meio do conhecimento e da compreensão, não poderá esclarecer à vontade, para que esta escolha e resolva para o ou contra. O segundo é NEGAR-SE a si mesmo. Hoje, com a distinção que conhecemos entre o Espírito (individualidade) e a personagem terrena transitória (personalidade), a frase mais compreensível será: "negar a personagem", ou seja, renunciar aos desejos terrenos, conforme ensinou Sidarta Gautama, o Buda. Cientificamente poderíamos dizer: superar ou abafar a consciência atual, para deixar que prevaleça a supraconsciência. Essa linguagem, entretanto, seria incompreensível àquela época. Todavia, as palavras proferidas pelo Mestre são de meridiana clareza: "renunciar a si mesmo". Observando-se que, pelo atraso da humanidade, se acredita que o verdadeiro eu é a personagem, e que a consciência atual é a única, negar essa personagem e essa consciência exprime, no fundo, negar-se "a si mesmo". Diz, portanto, o Mestre: "esse eu, que vocês julgam ser o verdadeiro eu, precisa ser negado". Nada mais esclarece, já que não teria sido entendido pela humanidade de então. No entanto, aqueles que seguissem fielmente sua lição, negando seu eu pequeno e transitório, descobririam, por si mesmos, automaticamente, em pouco tempo, o outro Eu, o verdadeiro, coisa que de fato ocorreu com muitos cristãos. Talvez no início possa parecer, ao experimentado: desavisado, que esse Eu verdadeiro seja algo "externo". Mas quando, por meio da evolução, for atingido o "Encontro Místico", e o Cristo Interno assumir a supremacia e o comando, ele verificará que esse Divino Amigo não é um TU desconhecido, mas antes constitui o EU REAL. Além disso, o Mestre não se satisfez com a explanação teórica verbal: exemplificou, negando o eu personalistico de "Jesus", até deixá-lo ser perseguido, preso, caluniado, torturado e assassinado.

Que lhe importava o eu pequeno? O Cristo era o verdadeiro Eu Profundo de Jesus (como de todos nós) e o Cristo, com a renúncia e negação do eu de Jesus, pode expandir-se e assumir totalmente o comando da personagem humana de Jesus, sendo, às vezes, difícil distinguir quando falava e agia "Jesus" e quando agia e falava "o Cristo". Por isso em vez de Jesus, temos nele O CRISTO, e a história o reconhece como "Jesus", O CRISTO", considerando-o como homem (Jesus) e Deus (Cristo). Essa anulação do eu pequeno fez que a própria personagem fosse glorificada pela humildade, e o nome humano negado totalmente se elevasse acima de tudo, de tal forma que "ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na Terra e debaixo da terra" (Filip. 2:10).

Tudo isso provocou intermináveis discussões durante séculos, por parte dos que não conseguiram penetrar a realidade dos acontecimentos, caracterizados, então, de "mistério": são duas naturezas ou uma? Como se realizou a união hipostática? Teria a Divindade absorvido a humanidade? Por que será que uma coisa tão clara terá ficado incompreendida por tantos luminares que trataram deste assunto? O Eu Profundo de todas as criaturas é o Deus Interno, que se manifestará em cada um exatamente na proporção em que este renunciar ao eu pequeno (personagem), para deixar campo livre à expressão do Cristo Interno Divino. Todos somos deuses (cfr. Salmo 81:6 e João, 10:34) se negarmos totalmente nosso eu pequeno (personagem humana), deixando livre expansão à manifestação do Cristo que em todos habita. Isso fez Jesus. Se a negação for absoluta e completa, poderemos dizer com Paulo que, nessa criatura, "habita a plenitude da Divindade" (Col. 2:9). E a todos os que o fizerem, ser-lhes-á exaltado o nome acima de toda criação" (cfr. Filip. 2:5-11). Quando isto tiver sido conseguido, a criatura "tomará sua cruz cada dia" (cada vez que ela se apresentar) e a sustentará galhardamente - quase diríamos triunfalmente - pois não mais será ela fonte de abatimentos e desânimos, mas constituirá o sofrimento-por-amor, a dor-alegria, já que é a "porta estreita" (Mat. 7:14) que conduzirá à felicidade total e infindável (cfr. Pietro Ubaldi, "Grande Síntese, cap. 81). No entanto, dado o estágio atual da humanidade, a cruz que temos que carregar ainda é uma preparação para o "negar-se". São as dores físicas, as incompreensões morais, as torturas do resgate de carmas negativos mais ou menos pesados, em vista do emaranhado de situações aflitivas, das "montanhas" de dificuldades que se erguem, atravancando nossos caminhos, do sem-número de moléstias e percalços, do cortejo de calúnias e martírios inomináveis e inenarráveis. Tudo terá que ser suportado - em qualquer plano - sem malsinar a sorte, sem desesperos, sem angústias, sem desfalecimentos nem revoltas, mas com aceitação plena e resignação ativa, e até com alegria no coração, com a mais sólida, viva e inabalável confiança no Cristo-que-é-nosso-Eu, no Deus Imanente, na Força-Universal-Inteligente e Boa, que nos vivifica e prepara, de dentro de nosso âmago mais profundo, a nossa ascensão real, até atingirmos TODOS, a "plena evolução cristica" (Ef. 4:13). A quarta condição do discipulado é também clara, não permitindo ambiguidade: SEGUI-LO. Observe-se a palavra escolhida com precisão. Poderia ter sido dito “imitá-Lo". Seria muito mais fraco. A imitação pode ser apenas parcial ou, pior ainda, ser simples macaqueação externa (usar cabelos compridos, barbas respeitáveis, vestes talares, gestos estudados), sem nenhuma ressonância interna. Não. Não é imitá-Lo apenas, é SEGUI-LO. Segui-Lo passo a passo pela estrada evolutiva até atingir a meta final, o ápice, tal como Ele o FEZ: sem recuos, sem paradas, sem demoras pelo caminho, sem descanso, sem distrações, sem concessões, mas marchando direto ao alvo. SEGUI-LO no AMOR, na DEDICAÇÃO, no SERVIÇO, no AUTO-SACRIFÍCIO, na HUMILDADE, na RENÚNCIA, para que de nós se possa afirmar como dele foi feito: "fez bem todas as coisas" (Marc.  –“pois que daria o homem em troca de sua vida?”) E: "passou pela Terra fazendo o bem e curando" (At. 10:38). Como Mestre de boa didática, não apresenta exigências sem dar as razões. Os versículos seguintes satisfazem a essa condição. Aqui, como sempre, são empregados os termos filosóficos com absoluta precisão vocabular (elegantia), não deixando margem a qualquer dúvida. A palavra usada é psychê, e não pneuma; é alma e não "espírito" (em adendo a este capítulo daremos a "constituição do homem" segundo o Novo Testamento). A alma (psychê) é a personagem humana em seu conjunto de intelecto-emoções, excluído o corpo denso e as sensações do duplo eterico. Daí a definição da resposta 134 do "Livro dos Espíritos": "alma é o espírito encarnado", isto é, a personagem humana que habita no corpo denso. Aí está, pois, a chave para a interpretação do "negue-se a si mesmo": esse eu, a alma, é a personagem que precisa ser negada, porque, quem não quiser fazê-lo, quem pretender preservar esse eu, essa alma, vai acabar perdendo-a, já que, ao desencarnar, estará com "as mãos vazias". Mas aquele que Por causa do Cristo Interno - renunciar e perder essa personagem transitória, esse a encontrará melhorada (Mateus), esse a preservará da ruína (Marcos e Lucas). E prossegue: que adiantará acumular todas as riquezas materiais do mundo, se a personalidade vai cair no vazio? Nada de material pode ser-lhe comparado. No entanto, se for negada, será exaltada sobre todas as coisas (cfr. O texto acima citado, Filip. 2:5-11-“quando estávamos mortos, em nossos delitos, nos vivificou juntamente com isto -  pela graça foste salvos! E com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus em Cristo Jesus. Pela graça sois salvos por meio da fé e isso não vem de vós é o dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se encha de orgulho. Pois somos criaturas dele criados em Cristo jesus para as boas obras que Deus já antes preparara para  nelas andássemos).

Toda e qualquer evolução do Espírito é feita exclusivamente durante seu mergulho na carne (veja atrás). Só através das personagens humanas haverá ascensão espiritual, por meio do "ajustamento sintônico". Então, necessidade absoluta de consegui-lo, não "se envergonhando", isto é, não desafinando da tônica do Pai (Som) que tudo cria, governa e mantém. Enfrentar o mundo sem receio, sem "respeitos humanos", e saber recusá-lo também, para poder obter o Encontro Místico com o Cristo Interno. Se a criatura "se envergonha" e se retrai, (não sintoniza) não é possível conseguir o Contato Divino, e o Filho do Homem também a evitará ("se envergonhará" dessa criatura). Só poderá haver a "descida da graça" ou a unificação com o Cristo, "na glória (tônica) do Pai (Som-Verbo), na glória (tônica) do próprio Cristo (Eu Interno), na glória de todos os santos mensageiros", se houver a coragem inquebrantável de romper com tudo o que é material e terreno, apagando as sensações, liquidando as emoções, calando o intelecto, suplantando o próprio "espírito" encarnado, isto é, PERDENDO SUA ALMA: só então “a achará”, unificada que estará com o Cristo, Nele mergulhada (batismo), “como a gota no oceano" (Bahá'u'lláh). Realmente, a gota se perde no oceano, mas, inegavelmente, ao deixar de ser gota microscópica, ela se infinitiva e se eterniza tornando-se oceano ... Em Mateus é-nos dado outro aviso: ao entrar em contato com a criatura, esta “receberá de acordo com seu comportamento" (pláxin). De modo geral lemos nas traduções correntes “de acordo com suas obras". Mas isso daria muito fortemente a ideia de que o importante seria o que o homem FAZ, quando, na realidade, o que importa é o que o homem é: e a palavra comportamento exprime-o melhor que obras; ora, a palavra do original práxis tem um e outro sentido. Evidentemente, cada ser só poderá receber de acordo com sua capacidade, embora todos devam ser cheios, replenos, com “medida sacudida e recalcada” (cfr. Lc. 5:38). Mas há diferença de capacidade entre o cálice, o copo, a garrafa, o litro, o barril, o tonel ... De acordo com a própria capacidade, com o nível evolutivo, com o comportamento de cada um, ser-lhe-á dado em abundância, além de toda medida. Figuremos uma corrente imensa, que jorra permanentemente luz e força, energia e calor. O convite nos é feito para aproximar-nos e recolher quanto quisermos. Acontece, porém, que cada um só recolherá conforme o tamanho do vasilhame que levar consigo. Assim o Cristo Imanente e o Verbo Criador e Conservador SE DERRAMAM infinitamente. Mas nós, criaturas finitas, só recolheremos segundo nosso comportamento, segundo a medida de nossa capacidade. Não há fórmulas mágicas, não há segredos iniciáticos, não peregrinações nem bênçãos de "mestres", não há sacramentos nem sacramentais, que adiantem neste terreno. Poderão, quando muito, servir como incentivo, como animação a progredir, mas por si, nada resolvem, já que não agem ex pere operantis nem ex opere operatus, mas sim ex opere recipientis: a quantidade de recebimento estará de acordo com a capacidade de quem recebe, não com a grandeza de quem dá, nem com o ato de doação. E pode obter-se o cálculo de capacidade de cada um, isto é, o degrau evolutivo em que se encontra no discipulado de Cristo, segundo as várias estimativas das condições exigidas: a) pela profundidade e sinceridade na renúncia ao eu personalistico, quando tudo é feito sem cogitar de firmar o próprio nome, sem atribuir qualquer êxito ao próprio merecimento (não com palavras, mas interiormente), colaborando com todos os "concorrentes", que estejam em idêntica senda evolutiva, embora nos contrariem as ideias pessoais, mas desde que sigam os ensinos de Cristo;

b) pela resignação sem queixas, numa aceitação ativa, de todas as cruzes, que exprimam atos e palavras contra nós, maledicências e calúnias, sem respostas nem defesas, nem claras nem veladas (já nem queremos acenar à contra-ataques e vinganças). c) pelo acompanhar silencioso dos passos espirituais no caminho do auto sacrifício por amor aos outros, pela dedicação integral e sem condições; no caminho da humildade real, sem convencimentos nem exterioridades; no caminho do serviço, sem exigências nem distinções; no caminho do amor, sem preferências nem limitações. O grau dessas qualidades, todas juntas, dará uma ideia do grau evolutivo da criatura. Assim entendemos essas condições: ou tudo, à perfeição; ou pouco a pouco, conquistando uma de cada vez. Mas parado, ninguém ficará. Se não quiser ir espontaneamente, a dor o aguilhoará, empurrando-o para a frente de qualquer forma. No entanto, uma promessa relativa à possibilidade desse caminho é feita claramente: "alguns dos que aqui estão presentes não experimentarão a morte até conseguirem isso". A promessa tanto vale para aquelas personagens de lá, naquela vida física, quanto para os Espíritos ali presentes, garantindo-se lhes que não sofreriam queda espiritual (morte), mas que ascenderiam em linha reta, até atingir a meta final: o Encontro Sublime, na União mística absoluta e total. Interessante a anotação de Marcos quando acrescenta: O "reino de Deus chegado em poder". Durante séculos se pensou no poder externo, a espetacularidade. Mas a palavra "en dynÁmei" expressa muito mais a força interna, o "dinamismo" do Espírito, a potencialidade cristica a dinamizar a criatura em todos os planos.

FONTE:

Estudo do evangelho

Carlos T Pastorino

Bíblia de Jerusalém

PÃO

 

Pão

Chegamos a postar uma sinopse, mas foi solicitado o estudo final completo!

Aqui a expressão varia. Não é mais "o pão da Vida", mas "o Pão Vivo", ou seja: ho ártos ho zôn, literalmente: "O PÃO, O QUE VIVE". Depois acrescenta: "é minha carne" (hê sárx mou estin) expressão muito mais forte do que se dissera "meu corpo" (sóma). Notemos a insistência de João (aqui e nos versículos 52, 53, 54, 55 e 56) em frisar bem que Jesus possuía realmente carne e sangue, e que, portanto, era um homem normal, e não apenas um fantasma, com o corpo fluídico.

A preposição hupér, quando construída com o genitivo, apresenta os significados usuais:

a)     - Sobre em cima de;

b)     - Por, ou para;

c)     - Em lugar de;

d)     - Por causa de;

e)     - A respeito de.

Ao transladá-la, neste trecho, para a Vulgata, Jerônimo (que não dominava o Grego apenas sabia falar e ler sem conhecer a gramatica) usou a preposição latina PRO, que aceita os significados 2, 3 e 4, mas não o 1.º nem o 5.º. Temos, então, que limitar o sentido da frase a:

1 - a) PELA vida do mundo (em troca da ...);

2 - b) PARA a vida do mundo (para vivificá-la);

3        - EM LUGAR DA vida do mundo (para substituí-la);

     4- POR CAUSA DA vida do mundo (para que não morra).

Por todo o contexto da exposição, verificamos que cabem melhor os sentidos 2 e 3: PELA, EM TROCA DA, EM LUGAR DA, EM SUBSTITUIÇÃO A.

Preferimos "em lugar da" porque apresenta maior clareza de sentido, sem perigo de ambiguidade.

Até o 53 é usado sistematicamente o verbo defectivo phageín, sempre traduzido por "comer". Nos versículos 54, 56 e 57 é empregado trôgeín, que tem quase o mesmo sentido; alguma razão deve haver para essa troca de sinônimos. Beber é pípein, e sangue, haíma.

"Verdadeiramente", em ambas as repetições, é alêthôs, advérbio, nos mss. aleph, D, delta, theta e Vulgata; ao passo que B, C, L, T, e W têm "verdadeira" (alêthês), adjetivo na forma feminina.

"Permanece" é o verbo ménei (cfr. latim Manet). Veja a mesma afirmativa em João, 14:10,20 e João, 3:24 e 4:15-16.

 O mesmo adjetivo usado para qualificar o pão, no vers. 51, é empregado aqui para qualificar o Pai: "o Pai Vivo" ou "que vive". "Eu vivo através do Pai" (zô dià tòn patéra), em que "através de" tem o sentido de “por meio de", melhor tradução do que simplesmente "por" ou "pelo", que apresentaria ambiguidade de sentido, podendo ser interpretado como "por causa do Pai". Ora, a preposição diá significa basicamente "através de"; e só secundariamente apresenta sentido causal.

Neste vers. há uma variação sinonímica entre os verbos: primeiro é empregado éphagon (comeram), ao passo que depois é usado trôgôn (saboreia). A expressão "para a imanência" tem, no original:

eis tòn aiôna.

Assim como diante da Samaritana (a alma "vigilante") foi dito "Eu sou a Água Viva", expondo o primeiro passo do DESPERTAMENTO DO EU; e no trecho da cura da Hemorroíssa e da ressurreição da filha de Jairo, foi alertado sobre a VIA PURGATIVA; e no trecho que acabamos de comentar foi ensinada a VIA CONTEMPLATIVA, agora nos é revelada a VIA UNITIVA, ou seja, o Cristo confirma que Deus habita em nós com Sua Essência; e não apenas em nós, mas "em todas as coisas" (Cfr. . Tomás de Aquino, Summa Theológica, I, q. 8, art. 1: Deus est in ómnibus rebus ... et intime ... sicut agens adest ei in quod agit, isto é: "Deus está em todas as coisas ... e intimamente ... como o agente está naquilo em que age").  Vimos que "a vontade do Pai" é que O encontremos. Agora, veremos que temos que VIVER NELE, tal como Ele vive em nós, não apenas em perfeita união, mas em unificação total.

Então prosseguimos no mesmo tom, que se eleva cada vez mais, até chegar ao clímax, que faz que os imaturos (indecisos) se afastem definitivamente. São dados os ensinos práticos de como obter essa unificação.

Vejamos:

O novo passo é iniciado ainda com a fórmula de garantia da veracidade: "Em verdade, em verdade vos digo". Sempre é repetida como prólogo de uma lição importante, de uma verdade fundamental.

Vem depois a afirmativa: "quem confia em mim (no Cristo Cósmico, que continua com a palavra) tem a Vida eterna (Imanente)". E então reafirma solenemente: "Eu sou o Pão da Vida". A imagem do Pão é uma das mais felizes para ensinar a Via Unitiva.

Aparece depois uma comparação para introduzir, com melhor compreensão, a temática que será desenvolvida. Começa, pois, concedendo a veracidade da objeção formulada no vers. 31: "Vossos pais comeram o pão no deserto". Observemos que, se fora a personalidade de Jesus que falasse, teria dito: "nossos pais"; mas sendo o Cristo, não tem filiação humana, não tendo nascido "do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" ( “..., eles que não foram gerados nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus” João, 1:13.).

Vamos observar ainda que diz apenas "pão", e não como fora enunciado pelos objetantes: "pão vindo do céu". Concedida, em princípio, a objeção apresentada, é lhe oposta, de imediato e contradita decepcionante:

"mas morreram" ... A contra argumentação é categórica, verdade irrespondível que não admite réplica.

E logo em contraposição do pão que não evita a morte, é apresentado aos discípulos o outro pão espiritual que, uma vez ingerido, lhe comunica, vida que não admite morte. O que mais assusta os circunstantes é que Jesus, após apresentar-se como sendo Ele o Pão que desce do céu, diz que se alguém comer desse pão não morrerá. Não tendo conhecimento de que era o Cristo que falava, julgavam ser a personalidade de Jesus que se propunha dar-se como alimento. Daí o “quiproquó” terrível que os desorienta, que se agrava cada vez mais, e que o Cristo não se preocupa em desfazer.

Ao contrário: vai dando Sua lição superior, sem cuidar dos imaturos.

Fala o Cristo. "Eu sou o PÃO VIVO que desci do céu". Já não diz mais "o Pão da Vida", mas muito mais explicitamente, definindo Sua natureza: "o PÃO, O QUE VIVE" (ho ártos, ho zôn, com a mesma fórmula usada no vers. 57 “o PAI, 0 QUE VIVE, ho pátêr, ho zôn”.).

É a repetição do mesmo conceito em outros termos mais precisos e profundos, numa didática perfeita, em que cada repetição acrescenta um pormenor, por vezes mínimo, mas trazendo sempre maior elucidação. E repisa: "se alguém comer deste Pão (que é Ele!) viverá para a imanência".

Como poderia dar-se isso? Não dando tempo nem para pensar, vem a frase chocante: "e mais, o Pão que eu darei é MINHA CARNE" ... e esclarece "em lugar da vida do mundo"! O ensino chegou à revelação total da Verdade que constituía nosso objetivo. Compreendamos bem o texto: para todos os que ainda vivem na personalidade, o eu é constituído por seu próprio corpo físico denso; então a substância deles, para eles, é a carne deles. Nesse sentido, diz o Cristo que o Pão é Sua Carne," isto é, Sua Substância; pois a substância do Cristo Cósmico é a substância última de todas as coisas, apenas numa vibração mais baixa, ou seja; na condensação da energia.

Exatamente esse pensamento é repetido por Agostinho que, em suas meditações, confessa ter percebido essa mesma voz do Cristo Interno: tamquam audírem vocem tuam de excelso: cibus sum gradium; cresce et manducabis me Nec tu me in te mutabis sicut cibum carnis tuae, sed tu mutáberis in me (Confiss. 7, 10, 16) ou seja: "como se eu ouvisse uma voz do alto: sou o alimento dos evoluídos; cresce e me comerás. E tu não me transformarás em ti como alimento de tua carne, mas tu te transformarás em mim". A característica das criaturas geniais é dizerem bem e dizerem muito em poucas palavras.

Nessa frase de Agostinho está perfeitamente revelada a Cristificação da criatura, que se infinitisa, se eterniza? Se deifica em contato com a Substância Divina, que está em todos e em cada um, pela unificação com o Cristo Interno, que é o Eu Profundo e verdadeiro, a Centelha Divina.

Tomás de Aquino explica o modo por que está em nós a essência de Deus (cfr. Summa Theol. I, q. 8, art. 3, ad primum, citado acima). Quanto à segunda parte da frase de Agostinho, é ela elucidada por

Tomás de Aquino, que escreve: “Spiritualia cóntínent ea in quibus sunt, sicut ánima cóntinet corpus”.

Unde et Deus est in rebus sicut cóntinens res. Támen, secundurn quamdam similitudinem corporalium,

dicuntur omnia esse in Deo, in quanturn continentur ab ipso (Sum. Theol. I, q. 8. art. I, ad 2 um), que significa: "as coisas espirituais contêm as coisas em que estão, como a alma contém o corpo. Donde também Deus está nas coisas corno contendo as coisas. Contudo, por uma espécie de semelhança com as coisas materiais, diz-se que todas as coisas estão em Deus, já que são contidas por Ele".

Em Sua lição, de que é o Pão Vivo o Cristo não quer deixar a menor dúvida de que o Pão de que Ele fala é "Sua CARNE", ou seja, Sua Substância aquela mesma substância divina que Ele nos dá na Vida Imanente, para substituir a vida do mundo, ou seja, em lugar da vida pequenina e transitória da personalidade.

Claro que nada disso foi compreendido pelos ouvintes, embora encontremos em Strack-Billerbeck que alguns deveriam ter entendido "comer e beber" como aplicados ao estudo da lei mosaica. Surgem então as discussões com os que entenderam que tudo devia ser interpretado literalmente. Vem a pergunta: "Como dará Ele de comer sua própria carne"? A hipótese antropofágica foi rejeitada como absurda e inaceitável.

Diante de tal incompreensão, o Cristo nem procura explicar. Nem uma palavra é proferida em resposta à indagação angustiosa. De nada adianta perder tempo esclarecendo criaturas que não alcançam sequer a metáfora e o simbolismo, quanto mais o sentido profundo. E sabendo o Cristo que mesmo com alterações sua mensagem é para a humanidade em todos os tempos.

Então o Cristo resolve romper todas as barreiras e repetir Seu ensinamento, martelando na mesma tecla e acrescentando um pormenor “horripilante” para os israelitas: "Se não comeis a carne do Filho do Homem, e não bebeis seu sangue, não tendes a Vida em vós"! Ora, era terminante e severamente proibido "comer o sangue" dos animais, mesmo cozinhado (cfr. Gên. 9:4 e Deut. 12:16), porque aí mesmo se esclarece que "o sangue é a alma do ser vivente". Muito pior seria, portanto, a hipótese de beber o sangue cru, ainda quente, e não de um animal, mas de um ser humano ...

Mas era exatamente isso que o Cristo ensinava e ensina-nos ainda: para ter a Vida Imanente é indispensável COMER (assimilar a si) a carne (a substância viva) do Cristo Interno que é nossa vida; e além disso, BEBER (aspirar em si por sintonia vibratória perfeita) o Seu sangue (a alma, a parte mais espiritual Dele). De fato, é assim: só nos unificaremos ao Eu Profundo no Esponsalício Místico, quando assimilarmos a nós a Substância e o Espírito do Cristo de Deus, que em nosso coração habita com toda a plenitude da Divindade.

E diante de um movimento de horror escandalizado, o Cristo repisa, já então mudando o verbo, para causar maior repulsa nos imaturos e mais apurado amor nos evoluídos: “quem me saboreia a carne e me bebe o sangue tem a Vida Imanente, e eu o elevarei na etapa final”. Só depois que o Espírito consegue essa unificação mística, mas REAL, é que poderá atingir a etapa final da evolução. Sem o Encontro no "mergulho", sem a unificação com o Cristo Interno dentro de nós, não obteremos o "reino dos céus", não atingiremos a etapa final! ("o último dia") de nossa subida para o Alto.

“Paulo já dizia “não sou mais eu que vivo, o Cristo é que vive em mim" (Gal. 2:20).”.

E a razão disso é dada:

"Porque minha carne é verdadeiramente alimento e meu sangue é verdadeiramente bebida". Não são apenas símbolos: são realidades, embora não físicas e materiais, mas espirituais, porque todas as palavras do Cristo são Espírito e são Vida" (vers. 63 – “O espírito é que vivifica; a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida”). Com efeito, nosso Eu Real não é constituído da carne do corpo físico denso, nem do sangue que circula em nossas veias: nosso EU REAL é constituído da substância mais íntima (a carne) e da vibração mais pura (o sangue) do Filho do Homem, do Cristo Interno, do Amado Divino. Então, essa essência de Deus em nós é que constitui o verdadeiro alimento e a verdadeira bebida da Vida Imanente.

E aqui chegamos ao ponto mais sublime do ensino sobre a Via Unitiva; temos a revelação plena da unificação com o Cristo; após mais uma repetição didática, para que não haja ambiguidade: "quem me saboreia (longamente, no mergulho interno) a carne e me bebe (a largos haustos, na oração) o sangue, PERMANECE EM MIM E EU NELE"! ...

Esse maravilhoso ensino será ainda repetido pelo Cristo em João, 14:10-20; 15:4-5; João, 4:15-16. Trata-se da unificação total, mútua, perfeita: vivemos na plenitude do Cristo e o Cristo vive em nós, como dizia Paulo: "não sou mais eu que vivo, o Cristo é que vive em mim" (Gal. 2:20).

Como não entender que toda essa magnífica e elevadíssima lição não se prende apenas a um simples ato externo da ingestão de uma hóstia de trigo? Seu sentido é muito mais profundo, mais belo, mais verdadeiro e mais sublime! Por que limitar um ensino de tal excelsitude a um pequeno e rápido rito exterior? Compreendamos o alcance maravilhoso da Palavra do Cristo em toda sua profundidade viva e real. Nenhum Avatar, nenhum místico, em qualquer época ou país, atingiu níveis tão elevados e sublimes de ensino.

Neste versículo volta o Mestre a insistir na união do Amado ao Amante: "assim como o Pai (o Verbo, o Som Criador) que vive, que é a Vida porque é Deus em Seu segundo aspecto, enviou a mim, o Cristo (o Amado), e eu, o Cristo, vivo por meio do Pai (através do Pai), assim quem me saboreia também viverá por meio de mim (através de mim)".

É perfeita a simbiose entre o Amante (Pai) e o Amado (Filho), e um vive pelo outro dentro do Amor (o Espírito Santo), que é o Absoluto, a Luz Incriada, o Sem Nome. Só quem saboreia o Cristo no mergulho, poderá viver através do Cristo, tal como o Cristo vive através do Pai que O enviou à matéria, na qualidade de Centelha Divina, para dar Vida ao mundo.

E como arremate da lição, volta às palavras iniciais, repetindo a tese que foi exuberante e exaustivamente provada: este é o pão que desce do céu e "que não é como o pão que comeram vossos pais e morreram: quem come este pão, viverá sempre na imanência".

Maravilhosa e sublime lição, que atinge as maiores altitudes místicas capazes de serem compreendidas no estágio hominal em que nos achamos!

Depois da aula virá uma explicação de grande importância reservada aos discípulos. “a revelação do Paraclito”

Quem defende, guia e protege outra pessoa; intercessor, mentor, consolador; paraclito, paracleto.

O consolador prometido por Jesus e trazido e codificado em 1857

“Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da verdade ele vos guiará na verdade plena (na verdade inteira), pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras”.

“E a Doutrina Espírita é o consolador prometido trazido pelo Espírito da Verdade onde revela tudo o que se precisa saber quando a “de onde vens, para onde vais e o que está fazendo aqui” além de repetir tudo o que Jesus já disse”.

Fontes:

Evangelho de João

Bíblia de Jerusalém

Novo Testamento C.E.I.

Confissões de Santo Agostinho

Epístolas de Paulo

 

sexta-feira, 26 de março de 2021

UMA REFLEXÃO SOBRE O CORONAVIRUS

 

UMA REFLEXÃO SOBRE O CORONAVIRUS

A guerra começou no íntimo de cada criatura, nesse sentimento de auto destruição, na revolta, na violência contra o seu próximo e agora nos dias que vivemos, tem-se a impressão de que o anjo enviado pelo Senhor, compadecido finitamente da miserabilidade do ser terrestre, trouxe um pequeno monstro, invisível a olho nu, e foi soprado sobre a Terra a fim de que as nossas paixões pudessem teme-lo, porque nenhuma arma seria capaz de o vencer, nas primeiras movimentações do planeta em todas as nações e pensei que esse vírus brutalizado pelos pensamentos desarvorados das criaturas humanas, pelas ideias de ódio, de conjunção, pelos desejos vãos, da farta escapativa da eternidade para o corpo que pode ser consumido por um alfinete infetado, pela picada de uma serpente ou pela picada de um inseto, eu tenho a impressão de que o corona vírus foi o segundo elemento que Deus mandou recentemente apiedado de uma guerra calamitosa e total em que o planeta terrestre atrasaria infinitamente o seu processo evolutivo. Então a guerra nuclear que atingiria algumas das nações poderosas e arrastaria as demais na sua cauda de misérias foi substituído por esse vírus invisível que nos ataca a todos, em particular aqueles que talvez por alguma afinidade psíquica neste mundo no qual nós somos cocriadora com o criador para nos chamar a atenção e respeitar as soberanas leis porque nenhum de nós é capaz de imaginar a gravidade do dia que nós estamos vivendo.

O vírus estava muito longe estava na china e naqueles dias a china mandara construir um hospital para 1000 pacientes em 10 dias o que abalou o mundo e todos dizíamos está muito bom e o espirito dizia está muito bem; Deus mandou para a humanidade despertar um vírus e a única solução para ele é o fortalecimento do amor entre nós, para que as nossas mentes, as suas mentes não fortaleçam, porque tudo começa no pensamento; o pensamento é o dínamo cocriador com a divindade. Então o amor é a terapia de Deus para o grande momento que todos estamos vivendo; a naturalidade de estender as mãos de acabarmos as nossas guerras porque se mostro cego, surdo e mudo insensível, deu lugar a outro muito pior pelo desespero que se pode falar das pessoas, pode levar a guerras a mortes, a tumultos.

Então com serenidade, com toda serenidade porque a barca terrestre não está soçobrando porque o nauta divino a conduz com segurança na direção do porto da felicidade.

Jesus esse amigo e benfeitor da humanidade está no leme, mas é necessário que abramos os nossos corações, qual fizeram Allan Kardec e aqueles pioneiros espiritas de ontem, de hoje, ajudando nosso próximo e construindo já o mundo de regeneração; esse mundo de regeneração anunciado pelas escrituras, cantado no evangelho de Jesus,  está chegando para nós com lagrimas e expectativas mas a certeza de que nós triunfaremos se o amor se transformar na caridade que liberta e os homens no sentido genérico de homens e mulheres compreendermos que somente através do amor seremos dignos e viver em nosso planeta deixemos o pavor e o pânico, pois todos vamos morrer hoje ou mais tarde. Alguém disse que eu estou na faixa de risco porque alguém se atreveu a dizer que eu tenho mais de 80 anos e me disse que eu não saísse de casa e que se eu espirasse, se eu tivesse secreção, que eu a tenho herança de um suicídio de encarnação bem próxima porque eu fazia parte do risco; respeitarei as leis mesmo quando imperfeitas, a doutrina me impõe respeita-las, mas acima dela a lei de amor e certas em o livro dos espíritos em todo capitulo terceiro umas dez leis morais, fala-me que o sentido da minha da nossa vida é amar, então, olvidemos por um momento as queixas e as reclamações e nos lembremos desse Senhor do universo que tanto nos deu para que ele nos erga e possamos dizer Senhor eu gostaria de ser o amor que se expressa na bondade  e agradecer-te por tudo que me destes tudo que me dás, o ar o pão e a paz dizer-te da minha gratidão pelos olhos que contempla a natureza a terra e a sua beleza; passeou em todas as cores muito obrigado Senhor porque eu posso enxergar para diante da minha visão eu percebo os videntes que caminham na escuridão, que tropeçam na  solidão que choram na multidão e por eles eu rogo comiseração, porque eu sei que depois dessa vida na outra vida eles também enxergarão.

]muito obrigado senhor pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus, ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro a melodia do vento nos ramos do olmeiro e as lagrimas que vertem dos olhos do musiqueiro; ouvidos que ouvem à música do povo que descem do morro na praça a cantar a melodia dos mortais que ouvimos uma vez e não esquecemos nunca mais pela minha faculdade de ouvir; pelos surdos eu quero pedir porque sei que depois dessa prova na vida nova eles escutarão.

Muito obrigado Senhor pela minha voz, pela sua voz, pela voz que canta, pela voz que ama, pela voz que legisla, pela voz que perdoa, pela voz que o teu nome profere, obrigado Senhor.

Mas diante da minha canção eu encontro aqueles que sofrem e afazia, não cantam de noite na farra do dia oro por eles, porque eu sei que na outra vida els cantarão obrigado senhor muito obrigado pelo meu coração, pelas minhas mãos que aram que semeiam, que agasalham; mãos de sintonia de psicografia, mãos de cirurgia mãos de poesia, mãos que apertam mãos, mãos que atendem a velhice a dor o desamor, pelas mãos que do seio agasalham o corpo do filho alheio sem receio; pelos pés que me levam a andar sem reclamar muito obrigado senhor porque eu posso andar; diante do meu corpo perfeito eu te quero louvar porque eu vejo na terra  aleijados amputados marcados paralisados e eu posso bailar muito obrigado senhor eu sei que depois dessa expiação na outra reencarnação eles também caminharão; muito obrigado por tudo pelo meu lar, tão maravilhoso eu tenho um lar não importante ser uma mansão duplex um paraíso uma favela seja lá o que for mas que dentro dele exista a figura do amor de mãe ou e pai de mulher e de marido de companheiro e companheira de irmão ou de alguém que lhe de a mão de um gato ou de um cão por que é muito triste viver na solidão mas se eu se ninguém tiver para me amar nem um teto para me agasalhar ou uma cama para repousar mesmo assim não t negarei e direi obrigado senhor porque eu nasci obrigado Senhor porque eu creio em ti

FONTE:

https://youtu.be/zyM3mB6vuJw