sábado, 17 de abril de 2021

CORPO MENTE ALMA CORAÇÃO

 

CORPO MENTE ALMA CORAÇÃO

Vamos penetrar, agora, numa especificação maior, observando o emprego da palavra soma (corpo), em seu complexo carne-sangue, já que, em vários passos, não o termo sárx É usado em lugar de soma, como também o adjetivo sarkikós (ou sarkínos) se refere, como parte externa visível, a toda a personagem, ou seja, ao espírito encarnado e preso à matéria; e isto sobretudo naqueles que, por seu atraso, ainda acreditam que seu verdadeiro eu É o complexo fisco, já que nem percebem sua essência espiritual. Paulo, por exemplo, justifica-se de não escrever aos coríntios lições mais sublimes, porque não pode falar-lhes como a "espirituais" (pnenmatikoí, criaturas que, mesmo encarnadas, já vivem na individualidade), mas s como a carnais" (sarkínoi, que vivem s na personagem). Como a crianças em Cristo (isto É, como a principiantes no processo do conhecimento cristico), dando-lhes leite a beber, não comida, pois ainda não na podem suportar; "e nem agora o posso, acrescenta ele, pois ainda sois carnais" (1.“ Cor. 3:1-2). Dessa forma, todos os que se encontram na fase em que domina a personagem terrena são descritos por Paulo como não percebendo o Espírito: "os que são segundo a carne, pensam segundo a carne", em oposição aos "que são segundo o espírito, que pensam segundo o espírito". Logo a seguir define a "sabedoria da carne como morte, enquanto a sabedoria do Espírito É Vida e Paz" (Rom, 8:5-6). Essa distinção também foi afirmada por Jesus, quando disse que "o espírito está pronto (no sentido de "disposto), mas a carne É fraca" (Mat. 26:41; Marc. 14:38). Talvez por isso o autor da Carta aos Hebreus escreveu, ao lembrar-se quiçá desse episódio, que Jesus "nos dias de sua carne (quando encarnado), oferecendo preces e súplicas com grande clamor e lágrimas aquele que podia livrá-lo da morte, foi ouvido por causa de sua devoção e, não obstante ser Filho de Deus (o mais elevado grau do adaptado, cfr. vol. 1), aprendeu a obediência por meio das coisas que sofreu" (Heb, 5:7-8). Ora, sendo assim fraca e medrosa a personagem humana, sempre tendente para o mal como expoente típico do Antissistema, Paulo tem o cuidado de avisar que "não devemos submeter-nos aos desejos da carne", pois esta antagoniza o Espírito (isto É constitui seu adversário ou diábolos). Aconselha, então que não se fala o que ela deseja, e conforta os "que são do Espírito", assegurando-lhes que, embora vivam na personalidade, "não estão sob a lei" (Gal. 5:16-18). A razão É dada em outro passo: "O Senhor É Espírito: onde está o Espírito do Senhor, a há liberdade" (2. “Cor. 3:17). Segundo o autor da Carta aos Hebreus, esta foi uma das finalidades da encarnação de Jesus: livrar a personagem humana do medo da morte. E neste trecho confirma as palavras do Mestre a Nicodemos: "o que nasce de carne É carne" (João, 3:6), esclarecendo, ao mesmo tempo, no campo da psicobiologia, (o problema da hereditariedade: dos pais, os filhos s herdam a carne e o sangue (corpo fisco e duplo entérico), já que a psychê É herdeira do pneuma ("o que nasce de espírito, É espírito", João, ibidem). Escreve, então: "como os filhos têm a mesma natureza (kekoinônêken) na carne e no sangue, assim ele (Jesus) participou da carne e do sangue para que, por sua morte, destruísse o adversário (diábolos, a matéria), o qual possui o império da morte, a fim de libertá-las (as criaturas), já que durante toda a vida elas estavam sujeitas ao medo da morte" (Heb. 2:14). Ainda no setor da morte, Jesus confirma, mais uma vez, a oposição corpo-alma: "não temais os que matam o corpo: temei o que pode matar a alma (psychê) e o corpo (sôma)" (Mat. 10:28). Note-se, mais uma vez, a precisão (elegantia) vocabular de Jesus, que não fala em pneuma, que É indestrutível, mas em psychê, ou seja, o corpo astral sujeito a estragos e até morte. Interessante observar que alguns capítulos adiante, o mesmo evangelista (Mat. 27:52) usa o termo soma para designar o corpo astral ou perispírito: "e muitos corpos dos santos que dormiam, despertaram". Refere-se ao choque terrível da desencarnação de Jesus, que foi tão violento no plano astral, que despertou os desencarnados que se encontravam adormecidos e talvez ainda presos aos seus cadáveres, na hibernação dos que desencarnam despreparados. E como era natural, ao despertarem, dirigiram-se para suas casas, tendo sido percebidos pelos videntes. HÁ um texto de Paulo que nos deixa em suspenso, sem distinguirmos se ele se refere ao corpo fisco (carne) ou ao psíquico (astral): "conheço um homem em Cristo (uma individualidade já cristificada) que há catorze anos - se no corpo (en somai) não sei, se fora do corpo (ektòs sômatos) não sei: Deus

sabe foi raptado ao terceiro céu" (l Cor. 12:2- “sabeis que quando éreis gentios, éreis irresistivelmente arrastados para os ídolos mudos-alusão aos fenômenos violentos, desordenados, de certos cultos pagãos que eram considerados como sinal de sua autenticidade”).  uma confissão de Êxtase (ou talvez de "encontro"?), em que o próprio experimentador se declara inapto a distinguir se se tratava de um movimento puramente espiritual (fora do corpo), ou se tivera a participação do corpo psíquico (astral); nem pode verificar se todo o processo se realizou com pneuma e psychê dentro ou fora do corpo. Entretanto, de uma coisa ele tem certeza absoluta: a parte inferior do homem, a carne e o sangue, esses não participaram do processo. Essa certeza é tão forte, que ele pode ensinar taxativamente e sem titubeios, que o fisco denso e o duplo entérico não se unificam com a Centelha Divina, não "entram no reino dos céus, sendo esta uma faculdade apenas de pneuma, e, no máximo, de psychê. E ele o diz com Ênfase: "isto eu vos digo, irmãos, que a carne (sárx) e o sangue (haima) Não podem possuir o reino de Deus" (l Cor. 15:50-“digo-vos irmãos a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorruptbilidade.Eis que vos dou a conhecer um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados”). Note-se que essa afirmativa É uma negação violenta do "dogma" da ressurreição da carne.

ALMA Num plano mais elevado, vejamos o que nos diz o N.T. a respeito da psychê e da diánoia, isto É, da alma e do intelecto a esta inerente como um de seus aspectos. Como a carne é, na realidade dos fatos, incapaz de vontades e desejos, que provêm do intelecto, Paulo afirma que "outrora andávamos nos desejos de nossa carne", esclarecendo, porém, que fazíamos "a vontade da carne (sárx) e do intelecto (diánoia)" (Ef. 2:3). De fato, "o afastamento e a inimizade entre Espírito e corpo surgem por meio do intelecto" (Col. 1.21). A distinção entre intelecto (faculdade de refletir, existente na personagem) e mente (faculdade inerente ao coração, que cria os pensamentos) pode parecer sutil, mas já era feita na antiguidade, e Jeremias escreveu que YHWH "dá suas leis ao intelecto (diánoia), mas as escreve no coração" (Jer. 31:33- “porque esta é a aliança que concluirei com a casa de Israel depois desses dias, oráculo de Iahweh. Porei minha lei no fundo de meu ser e a escreverei em meu coração. Então serei seu deus e eles serão meu povo), citado certo em (Hb. 8:10- “eis a aliança pela qual ficarei unido ao povo de Israel, e depois daqueles dias diz o Senhor: porei minhas leis na sua mente e as inscreverei no seu coração e eu serei seu Deus e eles serão meu povo), e com os termos invertidos em Heb. 10:16). A bem se diversificam as funções: o intelecto recebe a dádiva, refletindo-a do coração, onde ela está gravada. Realmente a psychê corresponde ao corpo astral, sede das emoções. Embora alguns textos no N.T. atribuam emoções a kardía, Jesus deixou claro que s a psychê É atingível pelas angústias e aflições, asseverando: "minha alma (psychê) está perturbada" (Mat. 26:38; Marc. 14:34; João, 12:27). Jesus não fala em kardía nem em pneuma.

A MENTE Noús É a MENTE ESPIRITUAL, a individualizadora de pneuma, e parte integrante ou aspecto de kardía. E Paulo, ao salientar a necessidade de revestir-nos do Homem Novo (de passar a viver na individualidade) ordena que "nos renovemos no Espírito de nossa Mente" (Ef. 4:23-24), e não do intelecto, que é personalista e divisionário. E ao destacar a luta entre a individualidade e a personagem encarnada, sublinha que "vê outra lei em seus membros (corpo) que se opõem lei de sua mente (Noús), e o aprisiona na lei do erro que existe em seus membros" (Rom. 7:23-“mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros). A mente espiritual, e s ela, pode entender a sabedoria do Cristo; e este não se dirige ao intelecto para obter a compreensão dos discípulos: "e então abriu-lhes a mente (Noús) para que compreendessem as Escrituras" (Luc.24:45-“então abriu-lhes a mente para que entendessem as escrituras). Até então, durante a viagem (bastante longa) ia conversando com os "discípulos de Emaús". falando-lhes ao intelecto e provando-lhes que o Filho do Homem tinha que sofrer; mas eles não O reconheceram. Mas quando lhes abriu a MENTE, imediatamente eles perceberam o Cristo. Essa mente é, sem dúvida, um aspecto de kardía. Isaias escreveu: "então (YHWH) chegou-lhes os olhos (intelecto) e ensurdeceu-lhes o coração, para que não vissem (intelectualmente) nem compreendessem com o coração" (Is. 6:9-“ele me disse; vai e dize a esse povo: podeis ouvir certamente, mas não entendereis; podeis ver certamente, mas não compreendereis); citado por (João 12:40-“cegou-lhes os olhos e ensurdeceu-lhes o coração, para que seus olhos não vejam, seu coração não compreenda e nãos e convertam e eu não os cure”).

O CORAÇÃO

Que o coração é a fonte dos pensamentos, nós o encontramos repetido em exaustão; por exemplo:(Mt. 12:34- “raça de víboras como podeis falar coisas boas se sois maus? porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio); (Mt15:18,19 – “mas o que sai da boca procede do coração e é isto que torna o homem impuro. Com efeito, é do coração que procedem más intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações), (Marc 7:18- “e ele disse-lhes: então nem vós tendes inteligência? Não entendeis que tudo que vem de fora, entrando no homem não pode torna-lo impuro; (Luc. 6:45- “o homem bom do bom tesouro do coração tira o que é bom, mas o mau, de seu mal”)

Tira o que é mau, porque a boca fala daquilo que está cheio o coração); etc. Ora, se o termo Coração exprime, límpida e indiscutivelmente, a fonte primeira do SER, o "quarto fechado" onde o "Pai vê no secreto" (Mat. 6:6-“tu porém quando orares entra no teu quarto e fechando a tua porta, ora a teu Pai que está lá, no segredo; e teu Pai que vê no segredo te recompensará”) , logicamente se deduz que a reside a Centelha Divina, a Partícula de pneuma, o CRISTO (Filho Unigênito), que É UNO com o Pai, que também, consequentemente, a reside. E, portanto, a também está o Espírito-Santo, o Espírito-Amor, DEUS, de que nosso Eu É uma partícula não desprendida. Razão nos assiste, então, quando escrevemos que o "reino de Deus" ou "reino dos céus" ou "o céu", exprime exatamente o Coração; e entrar no reino dos céus É penetrar, É MERGULHAR (batismo) no mago de nosso próprio EU,  ser UM com o CRISTO, tal como o CRISTO É UM com o PAI ( João, 10.30-“eu e o Pai somos um; “pelo contexto essa afirmação visa em primeiro lugar ao poder comum de Jesus e do Pai”, mas os judeus entenderam que Jesus se referia a ser Deus e a igreja católica não perdeu tempo em inventar a santíssima trindade igualando Jesus a Deus”); (17:21,23-“ a fim de que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a gloria que me deste para que sejam um, como nós somos um”).

Sendo esta parte a mais importante para a nossa tese, podemos dividir em três seções:

a) Deus ou o Espirito Santo habitam DENTRO DE nós;

b) CRISTO, o Filho (UNO com o Pai) também está DENTRO de nós, constituindo NOSSA Essência PROFUNDA;

c) o local exato em que se encontra o Cristo É o Coração, e nossa meta, durante a encarnação, “É CRISTIFICAR-NOS”, alcançando a evolução cristico e unificando-nos com Ele.

 

a.     A expressão "dentro de" pode ser dada em grego pela preposição ENTOS que encontramos clara em (Luc.17:21- “não se poderá dizer. ’ei-lo aqui, ei-lo ali, pois eis que o reino de Deus está no meio de vós; também traduzido  como :”dentro de vós”), quando afirma que "o reino de Deus está DENTRO DE vós" (entòs humin); mas também a mesma ideia É expressa pela preposição EN (latim in, português em): se a Água está na (EM A) garrafa ou no (EM O) copo, É porque está DENTRO desses recipientes. Não pode haver dúvida. Recordem-se que já dissemos “o Logos se fez carne e fez sua residência DENTRO DE Nós" (João, 1:14-“e o verbo se fez carne –(a carne designa a humanidade em sua condição de fraqueza e de mortalidade)e habitou entre nós e nós vimos a sua gloria, gloria que Ele tem junto ao Pai como filho único”). Paulo É categórico em suas afirmativas: "Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita dentro de vós" (1 Cor. 3:16 – “não sabeis que sois templo de Deus e que o espirito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós”). Οΰи οίδατε ότι ναός θεοϋ έστε иαί τό πνεϋα τοϋ θεοϋ έν ϋϊν οίиεί; E mais: "E não sabeis que vosso corpo É o templo do Espírito Santo que está dentro de vós, o qual recebestes de Deus, e não pertenceis a vós mesmos? Na verdade, fostes comprados por alto preço. Glorificai e TRAZEI DEUS EM VOSSO CORPO" (1Cor. 6:19-20- “ou não sabeis que o vosso corpo é templo do espirito santo que está em vós e que recebestes de Deus? E que, portanto, não pertenceis a vós mesmos? Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo”). Esse Espírito Santo, que É a Centelha do Espírito Universal, É, por isso mesmo, idêntico em todos: "há muitas operações, mas UM só Deus, que OPERA TUDO DENTRO DE TODAS AS COISAS; ... Todas essas coisas opera o único e mesmo Espírito; ... Então, em UM Espirito todos nós fomos MERGULHADOS em: UMA carne, judeus e gentios, livres ou escravos" (1Cor. 12:6, 11, 13-“diveros moídos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos”- “julgai por vós mesmos: será conveniente que a mulher ore a Deus sem estar coberta de véu?”). Καί διαιρέσεις ένεργηάτων είσιν, ό δέ αύτός θεός ό ένεργών τα πάντα έν πάσιν. ... Дάντα δέ ταύτα ένεργεί τό έν иαί τό αύτό πνεύα. ... Кαί γάρ έν ένί πνεύατι ήείς πάντες είς έν σώα έβαπτίσθηεν, είτε ̉Ιουδαίοι εϊτε έλληνες, είτε δούλοι, εϊτε έλεύθεροι. Mais ainda: "Então já não sois hóspedes e estrangeiros, mas sois concidadãos dos santos e familiares de Deus, super edificados sobre o fundamento dos Enviados e dos Profetas, sendo a própria pedra angular máxima Cristo Jesus: em Quem toda edificação cresce no templo santo no Senhor, no Qual também vós estais edificados como Habitação DE DEUS NO Espirito" (Ef. 2:19-22- “portanto já não sois estrangeiros nem adventícios, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus estais edificados sobre os fundamentos dos apóstolos e dos profetas do qual é Cristo Jesus a pedra angular. Nele bem articulado todo o edifício se ergue como santuário santo, no Senhor, e vós também sois co-edificados para serdes habitação de Deus no Espirito”). Αρα ούν ούиέτι έστε ζένοι иαί πάροιиοι, άλλά έστε συπολίται τών άγίων иαί οίиείοι τού θεού, έποιиοδοηθέντες έπί τώ θεελίω τών άποστόλων иαί προφητών, όντος άиρογωνιαίου αύτού Χριστόύ

Іησού, έν ώ πάσα οίиοδοή συναρολογουένη αύζει είς ναόν άγιον έν иυρίώ, έν ώ иαί ύείς συνοιиοδοείσθε είς иατοιиητήεριον τού θεού έν πνεατι. Se Deus habita DENTRO do homem e das coisas quem os despreza, despreza a Deus: "quem despreza estas coisas, não despreza homens, mas a Deus, que também deu seu Espírito Santo em vos" (1Tess.4:8-“agora estamos reanimados, porque estais firme no Senhor”). Тοιγαρούν ό άθετών ούи άνθρωπον άθετεί, άλλά τόν θεόν τόν иαί διδόντα τό πνεύα αύτού τό άγιον είς ύάς. E a consciência dessa realidade era soberana em Paulo: "Guardei o bom deposito, pelo Espirito Santo que habita DENTRO DE Nós" (2Tim. 1:14- “guarda o bom deposito por meio do espirito santo que habita em nós).  Тήν иαλήν παραθήиην φύλαζον διά πνεύατος άγίου τού ένοιиούντος έν ήϊν. João dá seu testemunho: "Ninguém jamais viu Deus. Se nos amarmos reciprocamente, Deus permanecerá DENTRO DE Nós, e o Amor Dele, dentro de nós, será perfeito (ou completo). Nisto sabemos que permaneceremos Nele e Ele em nós, porque deu SEU Espírito deu a nós" (1Jo. 4:12-13- “para aperfeiçoar os santos em vista do seu ministério, para a edificação do corpo de Cristo até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, o estado de homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo”). θεόν ούδείς πώποτε τεθέαται:έάν άγαπώεν άλλήλους, ό θεός έν ήϊν ένει, иαί ή άγάπη αύτοϋ τετελειωένη έν ήϊν έστιν. Εν τουτω γινώσиοεν ότι έν αύτώ ένοεν иαί αύτός έν ήϊν, ότι έи τοϋ πνεύατος αύτοϋ δέδώиεν ήϊν.

b.     Vejamos agora os textos que especificam melhor ser o CRISTO (Filho) que, dentro de nós. constitui a essência profunda de nosso ser. não é mais uma indicação de que temos a divindade em nós, mas um ensino concreto de que somos uma partícula da divindade. escreve Paulo: "não sabeis que cristo (jesus) está dentro de vós"? (2Cor.13:5- “examinai-vos a vós mesmos e vede se estais na fé; provai-os. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A menos que nãos sejais aprovados no exame). E, passando aquela teoria belíssima de que formamos todos um corpo só, cuja cabeça É Cristo, ensina Paulo: "Vós sois o corpo de Cristo, e membros de seus membros" (l.Cor.12:27-“ora vós sois o corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte”). Esse mesmo Cristo precisa manifestar-se em nós, através de nós: "vossa vida está escondida com cristo em deus; quando cristo se manifestar, vós também vos manifestareis em substância" (Col. 3:3-4). E logo adiante insiste: "Despojai-vos do velho homem com seus atos (das personagens terrenas com seus divisionismos egoístas) e vesti o novo, aquele que se renova no conhecimento, segundo a imagem de Quem o criou, onde (na individualidade) não há gentio nem judeu, circuncidado ou incircunciso, bárbaro ou cita, escravo ou livre, mas tudo e em todos, cristo" (Col. 3:9-11-“não mintais uns aos outros. Vós vos desvestistes do homem velho com as suas práticas e vos revestistes do novo que se renova para o conhecimento segundo a imagem do seu criador “o homem criado a imagem e semelhança d Deus perdeu-se procurando o conhecimento do bem e do mal fora d vontade divina- ai não há mais grego ou judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tu em todos”). A personagem É mortal, vivendo a alma por efeito do Espírito vivificante que nela existe: "Como em Adão (personagem) todos morrem, assim em CRISTO (individualidade, Espírito vivificante) todos são vivificados" (1 Cor. 15:22-“pois assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida”). A consciência de que Cristo vive nele, faz Paulo traçar linhas imorredouras: "ou procurais uma prova do CRISTO que fala DENTRO DE MIM? o qual (Cristo) DENTRO DE VS não É fraco" mas É poderoso DENTRO DE VS" (2.“ Cor. 13:3-“poius procurais uma prova de que é Cristo que fala em mim; ele que não é fraco em relação a vós, mostra, porém, o seu poder em vós”). E afirma com a Ênfase da certeza plena: "já não sou eu (a personagem de Paulo), mas CRISTO QUE VIVE EM MIM" (Gal. 2:20-0” já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”)). Por isso, pode garantir: "Nós temos a mente (Noús) de Cristo" (lCor.2:16- “pois quem conheceu o pensamento do Senhor para poder instrui-lo?). Essa convicção traz consequências fortíssimas para quem já vive na individualidade: "não sabeis que vossos CORPOS são membros de Cristo? Tomando, então, os membros de Cristo eu os tornarei corpo de meretriz? Absolutamente. Ou não sabeis que quem adere meretriz se torna UM CORPO com ela? Está dito: "e serão dois numa carne". Então - conclui Paulo com uma lógica irretorquível - quem adere a Deus É UM ESPÍRITO" com Deus (1 Cor. 6:15-17 – “não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei então os membros de Cristo para faze-los membros de uma prostituta? Por certo não! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta constitui com ela um só corpo? Pois está dito: serão dois em uma só carne. Ao contrario aquele que se une ao Senhor constitui com ele um só espirito”).

JÁ desde Paulo a união sexual É trazida como o melhor exemplo da unificação do Espírito com a Divindade. Decorrência natural de tudo isso É a instruam dada aos romanos: "vós não estais (não viveis) EM CARNE (na personagem), mas EM Espírito (na individualidade), se o Espírito de Deus habita DENTRO DE VÓS; se porém não tendes o Espírito de Cristo, não sois Dele. Se CRISTO (está) DENTRO DE VS, na verdade o corpo É morte por causa dos erros, mas o Espírito vive pela perfeição. Se o Espírito de Quem despertou Jesus dos mortos HABITA DENTRO DE VS, esse, que despertou Jesus dos mortos, vivificará também vossos corpos mortais, por causa do mesmo Espírito EM VÓS" (Rom. 9:9-11-“pous os termos da promessa são estes: por essa época voltarei e Sara terá um filho. E não é só! Também Rebeca que conceberá de um só, de Isaac nosso pai quando ainda não haviam nascido, e nada tinham feito de bem ou de mal a fim de que ficassem firme a liberdade da escolha de Deus”). E logo a seguir prossegue: "O próprio Espírito testifica ao nosso Espírito que somos filhos de Deus; se filhos, (somos) herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo" (Rom. 8:16-“o próprio espirito se une ao nosso espirito para testemunhar que somos filhos de Deus. E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, pois sofremos com ele para com ele sermos glorificados”)

). Provém da a angústia de todos os que atingiram o Eu Interno para libertar-se: "também tendo em nós as primícias do Espírito, gememos dentro de nós, esperando a adoção de Filhos, a libertação de nosso corpo" (Rom. 8:23-“e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do espirito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo”).

c) Finalmente, estreitando o círculo dos esclarecimentos, verificamos que o Cristo, dentro de nós, reside NO CORA˙ˆO, onde constitui nosso EU Profundo.  ensinamento escriturístico. Ainda É Paulo que nos esclarece: "Porque sois filhos, Deus enviou o ESP˝RITO DE SEU FILHO, em vosso CORAÇÃO, clamando Abba,  Pai" (Gal. 4:6-“e porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações  Espírito dos eu filho que clama: Abba Pai!”). Compreendemos, então, que o Espírito Santo (Deus) que está em nós, refere-se exatamente ao Espírito do FILHO, ao CRISTO Cósmico, o Filho Unigênito. E ficamos sabendo que seu ponto de fixação em nós É o CORAÇÃO. Lembrando-se, talvez, da frase de Jeremias, acima-citada, Paulo escreveu aos coríntios: "vós sois a nossa carta, escrita em vossos CORAÇÕES, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifesto que sois CARTA DE CRISTO, preparada por nós, e escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo; não em tábuas de pedra, mas nas tábuas dos CORAÇÕES CARNAIS" (2.“ Cor.3:2-3). Bastante explicito que realmente se trata dos corações carnais, onde reside o Átomo espiritual. Todavia, ainda mais claro É outro texto, em que se fala no mergulho de nosso eu pequeno, unificando-nos ao Grande EU, o CRISTO INTERNO residente no coração: "CRISTO HABITA, pela fé, no VOSSO CORA˙ˆO". E assegura com firmeza: "enraizados e fundamentados no AMOR, com todos os santos (os encarnados já espiritualizados na vivência da individualidade) se compreenderá a latitude, a longitude a sublimidade e a profundidade, conhecendo o que está acima do conhecimento, o AMOR DE CRISTO, para que se encham de toda a plenitude de Deus" (Ef. 3:17). Кατοιиήσαι τόν Χριστόν διά τής πίστεως έν ταϊς иαρδίαις ύών, έν άγάπη έρριζωένοι иαί τεθεελιωένοι, ϊνα έζισγύσητε иαταλαβέσθαι σύν πάσιν τοϊςάγίοιςτί τό πλάτος иαί ήиος иαί ύψος иαί βάθος, γνώσαι τε τήν ύπερβάλλουσαν τής γνώσεως άγάπην τοϋ Χριστοϋ, ίνα πληρωθήτε είς πάν τό πλήρωα τού θεοϋ. Quando se dá a unificação, o Espírito se infinitiza e penetra a Sabedoria Cósmica, compreendendo então a amplitude da localização universal do Cristo. Mas encontramos outro ensino de suma profundidade, quando Paulo nos adverte que temos que CRISTIFICAR-NOS, temos que tornar-nos Cristos, na unificação com Cristo. Para isso, teremos que fazer uma tradução lógica e sensata da frase, em que aparece o verbo CHRIO duas vezes: a primeira, no participo passado, Christós, o "Ungido", o "permeado da Divindade", particípio que foi transliterado em todas as línguas, com o sentido filosófico e místico de O CRISTO; e a segunda, logo a seguir, no presente do indicativo. Ora, parece de toda evidência que o sentido do verbo tem que ser O MESMO em ambos os empregos. Diz o texto original: ho dè bebaiôn hemãs syn humin eis Christon kaí chrísas hemãs theós (2 Cor. 1:21- “aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus”). Ο δέ βεβαιών ήάς σύν ύίν είς Χριστόν иαί χρίσας ήάς θεός. Eis a tradução literal: "Deus, fortifica dor nosso e vosso, no Ungido, unge-nos.

E agora a tradução real: "Deus, fortificador nosso e vosso, em CRISTO, CRISTIFICA-NOS". Essa a chave para compreendermos nossa meta: a cristificarão total e absoluta.

Logo após escreve Paulo: "Ele também nos MARCA e nos dá, como penhor, o Espírito em NOSSOS Corações" (2 Cor. 1:22- “ aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o qual nos marcou com um selo e pôs em nossos corações o penhor do Espírito”). Ο иαί σφραγισάενος ήάς иαί δούς τόν άρραβώνα τόν πνεύατος έν ταϊς иαρδϊαις ήών. Completando, enfim, o ensino - embora ministrado esparsamente - vem o texto mais forte e explicito, informando a finalidade da encarnação, para Todas AS CRIATURAS: "até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, ao Homem Perfeito, medida da evolução plena de Cristo" (Ef. 4:13-“ até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus o estado do homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo”- “-não simplesmente o cristão chegado ao estado de perfeito, mas o homem perfeito num sentido coletivo; ou no próprio Cristo, “ o homem novo”, arquétipo de todos os regenerados, ou melhor ainda o Cristo total, cabeça e membros constituindo o seu corpo”). Мέρχι иαταντήσωεν οί πάντες είς τήν ένότητα τής πίστοως. иαί τής έπιγνώσεως τοϋ υίοϋ τοϋ θεοϋ, είς άνδρα τελειον, είς έτρον ήλιиίας τοϋ πληρώατος τοϋ Χριστοϋ. Por isso Paulo escreveu aos GÁlatas: " filhinhos, por quem outra vez sofro as dores de parto, até que Cristo SE FORME dentro de vós" (Gal. 4:19 –“meus filhos por quem sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja formado em vós”) (Тεиνία ου, ούς πάλιν ώδίνω, έρχις ού ορφωθή Χριστός έν ύϊν). Agostinho (Tract. in Joanne, 21, 8) compreendeu bem isto ao escrever: "agradeçamos e alegremo-nos, porque nos tornamos não apenas cristãos, mas cristos", (Christus facti sumus); e Metodio de Olimpo ("Banquete das dez virgens", Patrol. Graeca, vol. 18, col. 150) escreveu: "a ekklêsía está grávida e em trabalho de parto até que o Cristo tome forma em nós, até que Cristo nasça em nós, a fim de que cada um dos santos (encarnados) por sua participação com o Cristo, se torne Cristo". Também Cirilo de Jerusalém ("Catechesis mystagogicae" 1.3.1 in Patr. Graeca vol. 33, col. 1.087) asseverou: "Após terdes mergulhado no Cristo e vos terdes revestido do Cristo, fostes colocados em pé de igualdade com o Filho de Deus ... pois que entrastes em comunhão com o Cristo, com razão tendes o nome de cristos, isto É, de ungidos". Todo o que se une ao Cristo, se torna um cristo, participando do Pneuma e da natureza divina (theías koinônoí physeôs) (2.“ Pe. 1:3), pois "Cristo É o Espírito" (2.“ Cor. 3:17) e quem Lhe está unido, tem em si o selo (sphrágis) de Cristo. Na homilia 24,2, sobre (1 Cor. 10:16- “o cálice de benção que abençoamos-isto é o cálice sobre o qual pronunciamos a benção, como Cristo por ocasião da última ceia- não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo-= não falamos do Cristo, mas de Cristo”), João Crisóstomo escreveu: "O pão que partimos não É uma comunhão (com+união, koinônía) ao corpo de Cristo? Porque não disse "participação" (metoché)? Porque quis revelar algo mais, e mostrar uma associação (synápheia) mais intima. Realmente, estamos unidos (koinônoúmen) não só pela participação (metéchein) e pela recepção (metalambánein), mas também pela Unificação (enousthai). Por isso justifica-se o fragmento de Aristóteles, supra citado, em Sinésio: os místicos devem não apenas aprender (mathein) mas experimentar" (pathein). Essa É a razão por que, desde os primeiros séculos do estabelecimento do povo israelita, YHWH, em sua sabedoria, fazia a distinção dos diversos "corpos" da criatura; e no primeiro mandamento revelado a Moisés dizia: " Amarás a Deus de todo o teu coração (kardía), de toda tua alma (psychê), de todo teu intelecto (diánoia), de todas as tuas forças (dynameis)"; kardía É a individualidade, psychê a personagem, dividida em diánoia (intelecto) e dynameis (veículos fiscos). Conforme (Lev. 19:18- “-não te vingaras e não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amaras o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Iahweh”); (Deut. 6:5-“portanto amará a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força”); (Mat. 22:37-“Ele respondeu: amaras ao Senhor teu Deus de todo o tu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espirito”); (Marc. 12:28-“...: louve ó Israel o senhor nosso Deus é o único Senhor e amaras o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo teu entendimento e com, toda a tua força”); (Luc. 10:27- “ele então respondeu: amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo”). A doutrina é uma só em todos os sistemas religiosos pregados pelos Mestres (Enviados e Profetas), embora com o tempo a imperfeição humana os deturpe, pois, a personagem É fundamentalmente divisionista e egoísta. Mas sempre chega a ocasião em que a Verdade se restabelece, e então verificamos que todas as revelações são idênticas entre si, em seu conteúdo básico.

FONTE:

C. TORRES PASTORINO

Metodio de Olimpo

Cirilo de Jerusalém

Bíblia de Jerusalém

 

EMMANUEL

 

O livro A Caminho da Luz não tem sua importância apenas pelas revelações e explicações de Emmanuel através da psicografia de Chico Xavier mas também mostra a veia literária poética de Emmanuel:

 

“E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do sol beijava, em silencio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas alturas os interpretes divinos do seu pensamento. Viu-se então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso.

Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.

Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dois primeiros homens”.

Emmanuel, por Chico Xavier

Fonte:

a Caminho da Luz” cap. I

SIMBIOSES EM GRAUS DIVERSOS

SIMBIOSES EM GRAUS DIVERSOS

O grupo fez a leitura aleatória de diversos livros de André Luiz psicografados por Chico Xavier. Daí surgiram dúvidas que em vídeo conferencia foram solucionadas e cujos resumos seguem

OBSESSÕES ESPÍRITICAS são as obsessões propriamente ditas. se originam da atuação dos Espíritos desencarnados. Temos, como primeira subdivisão, as simbioses em graus diversos, processos muito antigo de conluios de mentes perturbadas.

Para estudá-las, vamos cotejá-las com as que ocorrem na natureza. De fato, simbiose é processo comum nos reinos inferiores e no organismo humano. No homem, por exemplo, existem simbioses fisiológicas, em que micro-organismos se albergam no trato intestinal dos seus hospedeiros, apropriando-se dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias úteis à existência dos anfitriões. Conforme elucida André Luiz, ocorre também do ponto de vista espiritual e, nesse processo, o encarnado entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que passa a lhe controlar a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio e, em troca, de certa forma, fica protegido contra o assalto de influências ocultas ainda mais deprimentes.  Vamos analisar alguns tipos de simbioses no reino vegetal e animal para podermos comparar com as que ocorrem em nível mental.

A simbiose pode ser útil e exploradora; quando essa expoliação atinge alto grau de vampirismo, temos a parasitose, outra modalidade de associação, muito mais deletéria para o hospedeiro.

Na simbiose útil, temos como exemplo a que existe entre o cogumelo e a alga, na esfera dos liquens, em que as hifas ou filamentos dos cogumelos se intrometem nas gonídias (Células verdes, que, nas algas e nos líquens, formam uma camada contínua, em que parece residir todo o poder vegetativo daquelas plantas.) Ou células das algas e projetam-lhes no interior certos apêndices, equivalendo a complicados haustórios (raízes muito finas desenvolvidas por plantas parasitas. Penetram nos tecidos da planta hospedeira, de onde retiram os alimentos necessários à sobrevivência da planta parasita), efetuando a sucção das matérias orgânicas que a alga elabora por intermédio da fotossíntese.

O cogumelo empalma-lhe a existência, todavia, em compensação, a alga se revela protegida por ele contra a perda de água, e dele recolhe, por absorção permanente, água e sais minerais, gás carbônico e elementos azotados, motivo pelo qual os liquens conseguem superar as maiores dificuldades do meio. Entretanto, o processo de semelhante associação pode estender-se em ocorrências completamente novas. E que se dois liquens, estruturados por diferentes cogumelos, se encontram, podem viver, um ao lado do outro, com talo comum, pelo fenômeno da parabiose (simbiose, observada por ex nas formigas de espécies diferentes, cujos ninhos apresentam galerias que se entrecruzam, mas sem que haja entre elas qualquer relação harmônica ou desarmônica) ou união natural de indivíduos vivos

Dessa maneira, a mesma alga pode produzir liquens diversos com cogumelos variados, podendo também suceder que um líquen se transfigure de aspecto, quando uma espécie micológica se sucede a outra. Outro exemplo de simbiose útil vamos encontrar em certas plantas leguminosas que guardam os seus tubérculos nas raízes, cujas nodosidades albergam determinadas bactérias do solo que realizam a assimilação do azoto atmosférico, processo esse pelo qual essas plantas se fazem preciosas a gleba, devolvendo-lhe o azoto despendido em serviço.

 

ORIGEM DAS SIMBIOSES MENTAIS

As raízes desse problema prendem-se ao próprio desenvolvimento do princípio inteligente. Ao atingir a fase nominal, emergindo de um longo processo evolutivo nos reinos inferiores, este princípio já se transmudou em alma, ganhando o direito de gerar o pensamento de forma ininterrupta. A partir daí, inicia-se no processo conhecido como mentossíntese, baseado em trocas: a alma emite as próprias ideias e radiações, assimilando as radiações e ideias alheias.

Como meio de mantê-lo estimulado à experiência terrena, a Providência Divina impregnou-o do desejo de satisfação, através da aquisição dos bens terrenos e do afeto. Com a morte física, porém, a alma sente-se alquebrada e aflita por constatar que todos os seus sonhos de propriedade e afetividade foram interrompidos. Arrebatado aos que mais ama e ainda incapaz de entender a transformação da paisagem doméstica de que foi alijado, revolta-se comumente contra as lições da vida a que é convocado, em plano diferente, e permanece fluidicamente algemado aos que se lhe afinam com o sangue e com os desejos, comungando-lhes a experiência vulgar. Desde as mais remotas eras, aprendeu automaticamente a respirar e a viver justaposto ao hausto e ao calor alheio.

Foi assim que surgiu a simbiose das mentes. A alma amedrontada diante da morte, essa grande incógnita, vale-se da receptividade dos que lhe choram a perda e demora-se colada aos que mais ama.

a simbiose espiritual permanece entre os homens, desde as eras mais remotas, em processos de mediunismo consciente ou inconsciente, através dos quais os chamados mortos , traumatizados ou ignorantes, fracos ou indecisos , se aglutinam em grande parte ao habitat , dos chamados vivos , partilhando-lhes a existência, a absorver-lhe parcialmente a vitalidade, até que os próprios Espíritos encarnados, com a força do seu próprio trabalho, no estudo edificante e nas virtudes vividas lhes ofereçam material para mais amplas meditações .

Através dessas, passam a se habilitar à necessária transformação com que se adaptem a novos caminhos e aceitem encargos novos, à frente da evolução deles mesmos, no rumo de esferas mais elevadas.

DIVERSAS MODALIDADES

Como vimos, a simbiose é processo comum nos reinos inferiores e na vida biológica humana, estendendo-se às mentes. Na simbiose espiritual, como vimos o encarnado entrega-se inconscientemente ao desencarnado, que passa a lhe controlar a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio e, em troca, de certa forma, fica protegido contra o assalto de influências ocultas ainda mais deprimentes. Semelhantes processos de associação aparecem largamente empregados pela mente desencarnada, ainda tateante, na existência além-túmulo. E André Luiz ressalta: Sentindo a receptividade dos que lhe choram a perda a mente receosa permanece colada aos que mais ama. E qual cogumelo que projeta para dentro dos tecidos da alga dominadores apêndices, com os quais lhe suga grande parte dos elementos orgânicos, por ela própria assimilados, o Espírito desenfaixado da veste física lança habitualmente, para a intimidade dos tecidos fisiopsicossomáticos daqueles que o asilam, as emanações do seu corpo espiritual, como radículas alongadas ou sutis alavancas de força, subtraindo-lhes a vitalidade, elaborada por eles nos processos de biossíntese, sustentando-se, por vezes, largo tempo, nessa permuta viva de forças. Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio, até certo ponto, mas, em troca, em face da sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdurar semelhante influência, necessariamente protegida contra o assalto de forças ocultas ainda mais deprimentes.

Por esse motivo, ainda agora, em plena atualidade, encontramos os problemas da mediunidade evidente, ou da irreconhecida, destacando, a cada passo, inteligências nobres intimamente aprisionadas a cultos estranhos, em matéria de fé, as quais padecem a intromissão de ideias de terror, ante a perspectiva de se afastarem das entidades familiares que lhes dominam a mente através de palavras ou símbolos mágicos, com vistas a falaciosas vantagens materiais. Essas inteligências fogem deliberadamente ao estudo que as libertaria do cativeiro interior, quando não se mostram apáticas, em perigosos processos de fanatismo, inofensivas e humildes, mas arredadas do progresso que lhes garantiria a renovação.

Em outros processos simbióticos, André Luiz enfatiza:  o desencarnado que teme as experiências do Mundo Espiritual ou que insiste em prender-se por egoísmo aos que jazem na retaguarda, se possui inteligência mais vasta que a do hospedeiro, inspira-lhe atividade progressiva, que resulta em benefício do meio a que se vincula, tal como sucede com a bactéria na raiz da leguminosa. Noutras circunstâncias, porém, efetua-se a simbiose em condições infelizes, nas quais o desencarnado permanece eivado de ódio ou perversidade enfermiça ao pé das próprias vítimas, inoculando-lhes fluidos letais, seja copiando a ação do cogumelo que se faz verdugo da orquídea, impulsionando-a a situações anormais, quando não lhe impõe lentamente a morte, seja reproduzindo a atitude das algas invasoras no corpo dos anelídeos, conduzindo-os a longas perturbações.

ALGUNS EXEMPLOS DE SIMBIOSE ESPIRITUAL

Inicialmente, vamos enfocar um caso de simbiose generalizada: o fato comum da permanência dos parentes desencarnados nas residências terrestres. O caso de Ester e sua família. Alexandre dirigiu-se, com André Luiz, à casa de Ester, localizada em uma rua modesta. Antes mesmo da penetração deles no ambiente doméstico, perceberam uma grande movimentação de entidades de condição inferior, com entradas e saídas constantes.

Penetraram a casa sem que os espíritos menos evoluídos se dessem conta, em virtude do baixo-padrão vibratório que lhes caracterizava as percepções. A família, constituída da viúva, três filhos e um casal de velhos, permanecia a mesa de refeições, no almoço muito simples. Um fato marcante, até então inédito para André Luiz: seis entidades, envolvidas em círculos escuros, alimentavam-se, também, pelo sistema de absorção. Diante do espanto do nosso caro médico desencarnado, Alexandre explicou: Meu amigo, os quadros de viciação mental, ignorância e sofrimento nos lares sem equilíbrio religioso, são muito grandes. Onde não existe organização espiritual, não há defesas da paz de espírito. Isto é intuitivo para todos os que estimem o reto pensamento. Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantêm ligados a casa, as situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico. Ao ver a satisfação das entidades que absorviam gostosamente as emanações dos pratos fumegantes, André quis saber se estavam se alimentando de fato.

Alexandre replicou que, efetivamente, aquelas entidades, viciadas nas sensações fisiológicas, estavam encontrando nas substâncias cozidas e desintegradas pelo fogo, absorvidas ali, o mesmo sabor que apreciavam quando estavam no corpo. Segundo lembrou, isso não era de se admirar uma vez que o homem terrestre recebe mais de setenta por cento da alimentação comum através dos princípios atmosféricos que ele capta pelas vias respiratórias. Quanto à argumentação de André de que era muito desagradável tomar refeições na companhia de estranhos, assim de condição inferior, Alexandre ponderou que não se tratava de desconhecidos, mas de familiares diversos, e que, ainda que fossem estranhas, aquelas almas estariam ali obedecendo às tendências do conjunto, uma vez que cada Espírito tem as companhias que prefere.

Em seguida, o instrutor ressaltou que a mesa familiar é sempre um receptáculo de influenciações de natureza invisível. Por esse motivo, os que tecem comentários maledicentes à mesa atrairão caluniadores invisíveis, os que buscam a ironia receberão como resposta a presença de entidades galhofeiras e sarcásticas. E Alexandre deu o diagnóstico completo no caso do lar de Ester: - E o vampirismo reciproco. Logo em seguida, André passou a ouvir os espíritos, comensais habituais da casa, constatando-lhes o grau de apego à existência terrestre e desejou fazer-se visível para dialogar com eles, mas Alexandre adiantou-se, aconselhando:

...noutra oportunidade, porque as cristalizações mentais de muitos anos não se desfazem com esclarecimentos verbais de um dia. O caso Libório e esposa de ”Nos Domínios da Mediunidade”, ilustra o processo simbiótico. Libório uniu-se a uma mulher encarnada em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. A companheira buscou ajuda em sessão de desobsessão realizada por um centro espírita e, devido ao concurso de entidades abnegadas, obteve o afastamento momentâneo do espírito obsessor. Bastou, porém, que ele fosse retirado para que ela o fosse procurar, durante o sono físico, reclamando-lhe a presença. Na prática da desobsessão, temos de levar em consideração esses casos, em que o encarnado julga querer o reajustamento, entretanto, no íntimo, alimenta-se com os fluidos doentios do companheiro desencarnado e apega-se a ele, instintivamente. O caso Desiderio-Elisa de “E A Vida Continua” podemos assim resumir: Ernesto Fantini falecera, vítima de um tumor maligno da suprarrenal, deixando a esposa Elis a e a filha Vera. Depois da morte, esteve internado em uma clínica de refazimento do mundo espiritual, com vários desencarnados, inclusive Evelina Serpa, que falecera ainda jovem e, fato curioso, vítima da mesma doença. Ernesto, porém, trazia um peso na consciência: quando jovem, participara de uma caçada com mais dois amigos e, por ciúme da mulher, atirara em um deles - Desiderio - que veio a falecer. Embora dois tiros tivessem sido detonados, de lados diferentes, Ernesto responsabilizava-se pelo crime e a dor de consciência era um espinho constante a dilacerar-lhe o íntimo. Após um período de refazimento na clínica do mundo espiritual, Evelina e Ernesto dispuseram-se a servir juntos, assistindo aos familiares que permaneceram na crosta. Voltando para junto dos seus, que, no momento, estavam instalados na casa de veraneio do Guarujá, Ernesto teve uma enorme surpresa. Elisa, a esposa, cabelos mais grisalhos, rosto mais vincado de rugas, estava deitada e, ao seu lado, estirava-se um homem desencarnado, o mesmo sobre o qual ele havia atirado anos antes. Era Desiderio Santos, o Dedé, companheiro de sua meninice, assassinado naquela caçada e que ele supunha haver removido para sempre da própria casa. Fantini chorou, pensando no inimigo que estava, ali, triunfante e dominador. Depois, mais sereno, foi percebido por ambos. Elisa passou a gritar, chamando-o de assassino, matador, expulsando-o de casa, revelando suas faculdades psíquicas desordenadas, desgastadas pelo longo processo de simbiose junto a Dedé. Ela falava com Ernesto, de certo modo identificando-lhe a presença, sem que a filha Vera e o genro Caio pudessem entender a razão dos impropérios, supondo-a em avançada demência senil.

Elisa confessou que passou a gostar de Dedé, desde que Fantini acabou com ele, descendo a detalhes da vida íntima dos dois, sobre os quais, pede a caridade, se faça silêncio.

Em seguida, foi Desiderio quem investiu contra Ernesto e, apesar das rogativas de perdão, não cedeu em nada em seu ódio. Mas revelou que o verdadeiro assassino tinha sido Amâncio, o outro caçador do dia fatídico, que acabou ficando com sua esposa e filha. Apesar de não ter sido ele, Ernesto, o autor direto, não lhe perdoava a ideia e o modelo do crime, aproveitado pelo verdadeiro homicida. E Desiderio falou da simbiose que estabeleceu com Elisa: batido à maneira de um cão escorraçado e sem dono, sem a companheira que retirou da lembrança e sem a filha que devia beijar seu algo por segundo pai, vagueou pelas estradas de ninguém, entre as maltas das trevas, até que se instalou definitivamente ao pé de Elisa, sua mulher, cuja silenciosa ternura o chamava, insistentemente(...)

Aos poucos, do ponto de vista do espírito, ajustou-se a ela, como o pé ao sapato, e passou a amá-la com ar dor, porque era ela a única criatura da Terra que o guardava na memória e no coração (...)

Adotando a violência, nada mais conseguiu senão atirar-se mais intensivamente para os braços de sua mulher (...)

E, enquanto você viveu nesta casa, após acreditar morto, partilhou sua mesa e sua vida (...) vive aqui, mora aqui e a mulher lhe pertence...

Eis aí a descrição de um processo que se verifica na Terra, desde a mais remota antiguidade.

Os corpos morrem, mas os Espíritos permanecem nos lares, convivendo com os chamados vivos em graus de intimidade e de profundidade, por enquanto insuspeitados pela imensa maioria dos homens.

FONTE:

Marlene Nobre ”Obsessão e suas máscaras” 

O DISCIPULATO

 

O DISCIPULATO

Mat. 16:24-28

Então disse Jesus a os seus discípulos: "Se alguém quer vir após mim,  salvar a  sua vida, a perderá; mas o que perder sua vida por mim, a achará.  De fato que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro mas arruinar sua vida? Ou o que poderá o homem dar em troca de sua vida   Pois o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com seu comportamento. Em verdade vos digo, que alguns dos aqui estão não provarão a morte até que vejam o filho do homem vindo em seu reino.

(Marc. 8:34-38 e 9:1)

Chamando a multidão, juntamente com seus discípulos disse-lhes: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua visa a perdera; mas o  que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho a salvara com efeito que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida? De fato, aquele que, nesta geração adúltera e pecadora se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o filho do homem se envergonhara dele, quando vier na gloria de seu Pai com os santos anjos.

E dizia ainda:! Em verdade vos digo que estão aqui presentes, alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus, chegando com poder.”.

 

Luc. 9:23-27

23. Dizia, ele, a todos: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá; mas o que perder sua vida por causa de mim, a salvar com efeito o que aproveito ao homem ganhar o mundo inteiro, se se perder ou arruinar a si mesmo? Pois quem se envergonhar de mim ou de minhas palavras, o filho do homem dele se envergonharia quando vier na sua gloria e na do Pai e dos santos anjos. eu vos digo verdadeiramente, que  alguns dos que  aqui estão  não provarão a morte antes de terem visto o Reino de Deus.

Depois do episódio narrado no último capítulo, novamente Jesus apresenta uma lição seria, embora bem mais curta que as do Evangelho de João. Segundo Mateus, a conversa foi mantida com seus discípulos. Marcos, entretanto, revela que Jesus "chamou a multidão" para ouvi-la, como que salientando que a aula era "para todos"; palavras, aliás, textuais em Lucas.

Achava-se a comitiva no território não-israelita ("pagão") de Cesária de Filipe, e certamente os moradores locais haviam observado aqueles homens e mulheres que perambulavam em grupo homogêneo. Natural que ficassem curiosos, a "espiar" por perto. A esses, Jesus convida que se aproximem para ouvir os ensinamentos e as exigências impostas a todos os que ambicionavam o DISCIPULATO, o grau mais elevado dos três citados pelo Mestre: justos (bons), profetas (médiuns) e discípulos. As exigências são apenas três, bem distintas entre si, e citadas em sequência gradativa da menor maior. Observamos que nenhuma delas se prende a saber, nem a dizer, nem a crer, nem a fazer, mas todas se baseiam em SER. O que vale é a evolução interna, sem necessidade de exteriorizais, nem de confissões, nem de ritos. No entanto, é bem frisada a vontade livre: "se alguém quiser"; ninguém É obrigado; a espontaneidade deve ser absoluta, sem qualquer coação física nem moral. Vamos analisar: Vimos, o Mestre ordenar a Pedro que "se colocasse atrás Dele". Agora esclarece: "se alguém QUER ser SEU discípulo, siga atrás Dele". E se tem vontade firme e inabalável, se o QUER, realize estas três condições:

1.     “ - negue-se a si mesmo (Lc. arnésasthô; Mat. e Mr. aparnésasthô eautón).

2.     “ - tome (carregue) sua cruz (Lc. "cada dia": arátô tòn stáurou autoú kath'hêméran);

3.     “ - e siga-me (akoloutheítô moi).

Se excetuarmos a negação de si mesmo, já ouvíramos essas palavras em Mat. 10:38. O verbo "negar-se" ou "renunciar-se" (aparnéomai) é empregado por Isaías (31:7-“porque naqueles dias todos porão fora seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro que vossas mãos pecaminosas fizeram para vós”)) para descrever o gesto dos israelitas infiéis que, esclarecidos pela derrota dos assírios, rejeitaram ou negaram ou renunciaram a seus dolos. E essa É a atitude pedida pelo Mestre aos que QUEREM ser seus discípulos: rejeitar o ídolo de carne que É o próprio corpo físico, com sua sequela de sensações, emoções e intelectualismo, o que tudo constitui a personagem transitória a pervagar alguns segundos na crosta do planeta. Quanto ao "carregar a própria cruz", já vimos, o que significava. E os habitantes da Palestina deviam estar habituados a assistir cena degradante que se vinha repetindo desde o domínio romano, com muita frequência. Para nos reportarmos a Flávio Josefo, ele cita-nos quatro casos em que as crucificações foram em massa: Varus que fez crucificar 2.000 judeus, por ocasião da morte, em 4 A.C., de Herodes o Grande (Ant. Jud. 17.10-4-10); Quadratus, que mandou crucificar todos os judeus que se haviam rebelado (48-52 A.D.) e que tinham sido aprisionados por Cumarus (Bell. Jud. 2. 12.6); em 66 A.D. até personagens ilustres foram crucificadas por Gessius Florus (Bell. Jud. 2.14.9); e Tito que, no assédio de Jerusalém, fez crucificar todos os prisioneiros, tantos que não havia mais nem madeira para as cruzes, nem lugar para plantá-las (Bell. Jud. 5.11.1). Pois se calcula quantos milhares de crucificações foram feitas antes; e o espetáculo do condenado que carregava as costas o instrumento do próprio suplício era corriqueiro. Não se tratava, portanto, de uma comparação vazia de sentido, embora constituindo uma metáfora. E que o era, Lucas encarrega-se de esclarecê-lo, ao acrescentar "carregue cada dia a própria cruz". Vemos a exigência da estrada de sacrifícios heroicamente suportados na luta do dia-a-dia, contra os próprios pendores ruins e vícios. A terceira condição, "segui-Lo", revela-nos a chave final ao discipulado de tal Mestre, que não alicia discípulos prometendo-lhes facilidades nem privilégios: ao contrário. Não basta estudar-lhe a doutrina, aprofundar-Lhe a teologia, decorra-lhe as palavras, pregar-Lhe os ensinamentos: É mister SEGUI-LO, acompanhando-O passo a passo, colocando os pés nas pegadas sangrentas que o Rabi foi deixando ao caminhar pelas Ásperas veredas de sua peregrinação terrena. Ele é nosso exemplo e também nosso modelo vivo, para ser seguido até o topo do calvário. Aqui chegamos a compreender a significação plena da frase dirigida a Pedro: “ainda és meu adversário (porque caminhas na direção oposta a mim, e tentas impedir-me a senda dolorosa e sacrificial): vai para trás de mim e segue-me; se queres ser meu discípulo, terás que renunciar a ti mesmo (não mais pensando nas coisas humanas); que carregar também tua cruz sem que me percas de vista na dura, laboriosa e dorida ascensão ao Reino". Mas isto, "se o QUERES" ... Valerá a pena trilhar esse Áspero caminho cheio de pedras e espinheiros? O versículo seguinte (repetição, com pequena variante de Mat. 10:39 –“aquele que acha a sua vida, a perdera, mas quem perde sua vida por causa de mim, a achará”) responde a essa pergunta. As palavras dessa lição são praticamente idênticas nos três sinópticos, demonstrando a impressão que devem ter causado nos discípulos. Sim, porque quem quiser preservar sua alma (hs eán thélei tên psychên autòn sõsai) a perderá (apolêsei autên). Ainda aqui encontramos o verbo sôzô, cuja tradução "salvar" dá margem a tanta ambiguidade atualmente. Neste passo, a palavra portuguesa "preservar" (conservar, resguardar) corresponde melhor ao sentido do contexto. O verbo apolesô "perder", só poderia ser dado também com a sinonímia de "arruinar" ou "degradar" (no sentido etimológico de "diminuir o grau"). E o inverso é salientado: "mas quem a perder "hós d'án apolésêi tên psychên autoú), por minha causa (héneken emoú) - e Marcos acrescenta "e da Boa Nova" (kaì toú euaggelíou) - esse a preservará (sósei autén, em Marcos e Lucas) ou a achará (heurêsei autén, em Mateus). A seguir pergunta, como que explicando a antinomia verbal anterior: "que utilidade terá o homem se lucrar todo o mundo físico (kósmos), mas perder - isto É, não evoluir - sua alma? E qual o tesouro da Terra que poderia ser oferecido em troca (antállagma) da evolução espiritual da criatura? Não há dinheiro nem ouro que consiga fazer um mestre, riem que possa dar-se em troca de uma iniciação real. Bens espirituais não podem ser comprados nem trocados por quantias materiais. A matemática possui o axioma válido também aqui: quantidades heterogêneas não podem somar-se. O versículo seguinte apresenta variantes. MATEUS traz a afirmação de que o Filho do Homem vira com a glória de seu Pai, em companhia de Seus Mensageiros (anjos), para retribuir a cada um segundo seus atos. Traduzimos aqui dóxa por "glória", porque É o melhor sentido dentro do contexto. E entendemos essa glória como sinônimo perfeito da "sintonia vibratória" ou a frequência da túnica do Pai (Verbo, Som). A atribuição a cada um segundo seus atos" (tên práxin autoú) ou talvez, bem melhor, de acordo com seu comportamento, com a "prática" da vida diária. Não são realmente os atos, sobretudo isolados (mesmo os heroicos) que atestarão a Evolução de uma criatura, mas seu comportamento constante e diuturno. MARCOS diz que se alguém, desta geração "adúltera", isto É, que se tornou "infiel" a Deus, traindo-O por amar mais a matéria que o espírito, e "errada" na compreensão das grandes verdades, "se envergonhar" (ou seja "desafinar", não-sintonizar), também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier com a glória do Pai, em companhia de Seus mensageiros (anjos). LUCAS repete as palavras de Marcos (menos a referência Boa Nova), salientando, porém, que o Filho do Homem vira com sua própria glória, com a glória do Pai, e com a glória dos santos mensageiros (anjos). E finalmente o último versículo, em que s Mateus difere dos outros dois, os quais, no entanto, nos parecem mais conformes s palavras originais. Afirma o Mestre "alguns dos aqui presentes" (eisin tines tõn hõde hestótõn), os quais não experimentarão (literalmente: "não saborearão, ou mê geúsôntai) a morte, até que vejam o reino de Deus chegar com poder. Mateus em vez de "o reino de Deus", diz "o Filho do Homem", o que deu margem expectativa da Parusia, ainda para os indivíduos daquela geração. Entretanto, não se trata aqui, de modo algum, de uma Parusia escatológica (Paulo avisa aos tessalonicenses que não o aguardem "como se já estivesse perto”; mas da descoberta e conquista do "reino de Deus DENTRO de cada um" (cfr. Luc. 17:21), prometido para alguns "dos ali presentes" para essa mesma encarnação. A má interpretação provocou confusões. Os gnósticos (como Teodósio), João Crisóstomo, Teofilacto e outros - e modernamente o cardeal Billot, S.J. (cfr. "La Parousie", pág. 187), interpretam a "vinda na glória do Filho do Homem" como um prenúncio da Transfiguração; Cajetan diz ser a Ressurreição;

Godet acha que foi Pentecostes; todavia, os próprios discípulos de Jesus, contemporâneos dos fatos, não interpretaram assim, já que após a tudo terem assistido, inclusive ao Pentecostes, continuaram esperando, para aqueles próximos anos, essa vinda espetacular. Outros recuaram mais um pouco no tempo, e viram essa "vinda gloriosa" na destruição de Jerusalém, como "vingança" do Filho do Homem; isso, porém, desdiz o perdão que Ele mesmo pedira ao Pai pela ignorância de Seus algozes (D. Calmet, Knabenbauer, Schanz, Fillion, Prat, Huby, Lagrange); e outros a interpretaram como sendo a difusão do cristianismo entre os pagãos (Gregório Magno, Beda, JansÊnio, Lamy). Penetremos mais a fundo o sentido.

Na vida literária e artística, em geral, distinguimos nitidamente o "aluno" do "discípulo". Aluno é quem aprende com um professor; discípulo é quem segue a trilha antes perlustrada por um mestre. Só denominamos "discípulo" aquele que reproduz em suas obras a técnica, a "escola", o estilo, a interpretação, a vivência do mestre. Aristóteles foi aluno de Platão, mas não seu discípulo. Mas Platão, além de ter sido aluno de Sócrates, foi também seu discípulo. Essa distinção já era feita por Jesus há vinte séculos; ser Seu discípulo é segui-Lo, e não apenas "aprender" Suas lições. Aqui podemos desdobrar os requisitos em quatro, para melhor explicação. Primeiro: é necessário QUERER. Sem que o livre-arbítrio espontaneamente escolha e decida, não pode haver discipulado.

Daí a importância que assume, no progresso espiritual, o aprendizado e o estudo, que não podem limitar-se a ouvir rápidas palavras, mas precisam ser sérios, contínuos e profundos. Pois, na realidade, embora seja a intuição que ilumina o intelecto, se este não estiver preparado por meio do conhecimento e da compreensão, não poderá esclarecer à vontade, para que esta escolha e resolva para o ou contra. O segundo é NEGAR-SE a si mesmo. Hoje, com a distinção que conhecemos entre o Espírito (individualidade) e a personagem terrena transitória (personalidade), a frase mais compreensível será: "negar a personagem", ou seja, renunciar aos desejos terrenos, conforme ensinou Sidarta Gautama, o Buda. Cientificamente poderíamos dizer: superar ou abafar a consciência atual, para deixar que prevaleça a supraconsciência. Essa linguagem, entretanto, seria incompreensível àquela época. Todavia, as palavras proferidas pelo Mestre são de meridiana clareza: "renunciar a si mesmo". Observando-se que, pelo atraso da humanidade, se acredita que o verdadeiro eu é a personagem, e que a consciência atual é a única, negar essa personagem e essa consciência exprime, no fundo, negar-se "a si mesmo". Diz, portanto, o Mestre: "esse eu, que vocês julgam ser o verdadeiro eu, precisa ser negado". Nada mais esclarece, já que não teria sido entendido pela humanidade de então. No entanto, aqueles que seguissem fielmente sua lição, negando seu eu pequeno e transitório, descobririam, por si mesmos, automaticamente, em pouco tempo, o outro Eu, o verdadeiro, coisa que de fato ocorreu com muitos cristãos. Talvez no início possa parecer, ao experimentado: desavisado, que esse Eu verdadeiro seja algo "externo". Mas quando, por meio da evolução, for atingido o "Encontro Místico", e o Cristo Interno assumir a supremacia e o comando, ele verificará que esse Divino Amigo não é um TU desconhecido, mas antes constitui o EU REAL. Além disso, o Mestre não se satisfez com a explanação teórica verbal: exemplificou, negando o eu personalistico de "Jesus", até deixá-lo ser perseguido, preso, caluniado, torturado e assassinado.

Que lhe importava o eu pequeno? O Cristo era o verdadeiro Eu Profundo de Jesus (como de todos nós) e o Cristo, com a renúncia e negação do eu de Jesus, pode expandir-se e assumir totalmente o comando da personagem humana de Jesus, sendo, às vezes, difícil distinguir quando falava e agia "Jesus" e quando agia e falava "o Cristo". Por isso em vez de Jesus, temos nele O CRISTO, e a história o reconhece como "Jesus", O CRISTO", considerando-o como homem (Jesus) e Deus (Cristo). Essa anulação do eu pequeno fez que a própria personagem fosse glorificada pela humildade, e o nome humano negado totalmente se elevasse acima de tudo, de tal forma que "ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na Terra e debaixo da terra" (Filip. 2:10).

Tudo isso provocou intermináveis discussões durante séculos, por parte dos que não conseguiram penetrar a realidade dos acontecimentos, caracterizados, então, de "mistério": são duas naturezas ou uma? Como se realizou a união hipostática? Teria a Divindade absorvido a humanidade? Por que será que uma coisa tão clara terá ficado incompreendida por tantos luminares que trataram deste assunto? O Eu Profundo de todas as criaturas é o Deus Interno, que se manifestará em cada um exatamente na proporção em que este renunciar ao eu pequeno (personagem), para deixar campo livre à expressão do Cristo Interno Divino. Todos somos deuses (cfr. Salmo 81:6 e João, 10:34) se negarmos totalmente nosso eu pequeno (personagem humana), deixando livre expansão à manifestação do Cristo que em todos habita. Isso fez Jesus. Se a negação for absoluta e completa, poderemos dizer com Paulo que, nessa criatura, "habita a plenitude da Divindade" (Col. 2:9). E a todos os que o fizerem, ser-lhes-á exaltado o nome acima de toda criação" (cfr. Filip. 2:5-11). Quando isto tiver sido conseguido, a criatura "tomará sua cruz cada dia" (cada vez que ela se apresentar) e a sustentará galhardamente - quase diríamos triunfalmente - pois não mais será ela fonte de abatimentos e desânimos, mas constituirá o sofrimento-por-amor, a dor-alegria, já que é a "porta estreita" (Mat. 7:14) que conduzirá à felicidade total e infindável (cfr. Pietro Ubaldi, "Grande Síntese, cap. 81). No entanto, dado o estágio atual da humanidade, a cruz que temos que carregar ainda é uma preparação para o "negar-se". São as dores físicas, as incompreensões morais, as torturas do resgate de carmas negativos mais ou menos pesados, em vista do emaranhado de situações aflitivas, das "montanhas" de dificuldades que se erguem, atravancando nossos caminhos, do sem-número de moléstias e percalços, do cortejo de calúnias e martírios inomináveis e inenarráveis. Tudo terá que ser suportado - em qualquer plano - sem malsinar a sorte, sem desesperos, sem angústias, sem desfalecimentos nem revoltas, mas com aceitação plena e resignação ativa, e até com alegria no coração, com a mais sólida, viva e inabalável confiança no Cristo-que-é-nosso-Eu, no Deus Imanente, na Força-Universal-Inteligente e Boa, que nos vivifica e prepara, de dentro de nosso âmago mais profundo, a nossa ascensão real, até atingirmos TODOS, a "plena evolução cristica" (Ef. 4:13). A quarta condição do discipulado é também clara, não permitindo ambiguidade: SEGUI-LO. Observe-se a palavra escolhida com precisão. Poderia ter sido dito “imitá-Lo". Seria muito mais fraco. A imitação pode ser apenas parcial ou, pior ainda, ser simples macaqueação externa (usar cabelos compridos, barbas respeitáveis, vestes talares, gestos estudados), sem nenhuma ressonância interna. Não. Não é imitá-Lo apenas, é SEGUI-LO. Segui-Lo passo a passo pela estrada evolutiva até atingir a meta final, o ápice, tal como Ele o FEZ: sem recuos, sem paradas, sem demoras pelo caminho, sem descanso, sem distrações, sem concessões, mas marchando direto ao alvo. SEGUI-LO no AMOR, na DEDICAÇÃO, no SERVIÇO, no AUTO-SACRIFÍCIO, na HUMILDADE, na RENÚNCIA, para que de nós se possa afirmar como dele foi feito: "fez bem todas as coisas" (Marc.  –“pois que daria o homem em troca de sua vida?”) E: "passou pela Terra fazendo o bem e curando" (At. 10:38). Como Mestre de boa didática, não apresenta exigências sem dar as razões. Os versículos seguintes satisfazem a essa condição. Aqui, como sempre, são empregados os termos filosóficos com absoluta precisão vocabular (elegantia), não deixando margem a qualquer dúvida. A palavra usada é psychê, e não pneuma; é alma e não "espírito" (em adendo a este capítulo daremos a "constituição do homem" segundo o Novo Testamento). A alma (psychê) é a personagem humana em seu conjunto de intelecto-emoções, excluído o corpo denso e as sensações do duplo eterico. Daí a definição da resposta 134 do "Livro dos Espíritos": "alma é o espírito encarnado", isto é, a personagem humana que habita no corpo denso. Aí está, pois, a chave para a interpretação do "negue-se a si mesmo": esse eu, a alma, é a personagem que precisa ser negada, porque, quem não quiser fazê-lo, quem pretender preservar esse eu, essa alma, vai acabar perdendo-a, já que, ao desencarnar, estará com "as mãos vazias". Mas aquele que Por causa do Cristo Interno - renunciar e perder essa personagem transitória, esse a encontrará melhorada (Mateus), esse a preservará da ruína (Marcos e Lucas). E prossegue: que adiantará acumular todas as riquezas materiais do mundo, se a personalidade vai cair no vazio? Nada de material pode ser-lhe comparado. No entanto, se for negada, será exaltada sobre todas as coisas (cfr. O texto acima citado, Filip. 2:5-11-“quando estávamos mortos, em nossos delitos, nos vivificou juntamente com isto -  pela graça foste salvos! E com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus em Cristo Jesus. Pela graça sois salvos por meio da fé e isso não vem de vós é o dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se encha de orgulho. Pois somos criaturas dele criados em Cristo jesus para as boas obras que Deus já antes preparara para  nelas andássemos).

Toda e qualquer evolução do Espírito é feita exclusivamente durante seu mergulho na carne (veja atrás). Só através das personagens humanas haverá ascensão espiritual, por meio do "ajustamento sintônico". Então, necessidade absoluta de consegui-lo, não "se envergonhando", isto é, não desafinando da tônica do Pai (Som) que tudo cria, governa e mantém. Enfrentar o mundo sem receio, sem "respeitos humanos", e saber recusá-lo também, para poder obter o Encontro Místico com o Cristo Interno. Se a criatura "se envergonha" e se retrai, (não sintoniza) não é possível conseguir o Contato Divino, e o Filho do Homem também a evitará ("se envergonhará" dessa criatura). Só poderá haver a "descida da graça" ou a unificação com o Cristo, "na glória (tônica) do Pai (Som-Verbo), na glória (tônica) do próprio Cristo (Eu Interno), na glória de todos os santos mensageiros", se houver a coragem inquebrantável de romper com tudo o que é material e terreno, apagando as sensações, liquidando as emoções, calando o intelecto, suplantando o próprio "espírito" encarnado, isto é, PERDENDO SUA ALMA: só então “a achará”, unificada que estará com o Cristo, Nele mergulhada (batismo), “como a gota no oceano" (Bahá'u'lláh). Realmente, a gota se perde no oceano, mas, inegavelmente, ao deixar de ser gota microscópica, ela se infinitiva e se eterniza tornando-se oceano ... Em Mateus é-nos dado outro aviso: ao entrar em contato com a criatura, esta “receberá de acordo com seu comportamento" (pláxin). De modo geral lemos nas traduções correntes “de acordo com suas obras". Mas isso daria muito fortemente a ideia de que o importante seria o que o homem FAZ, quando, na realidade, o que importa é o que o homem é: e a palavra comportamento exprime-o melhor que obras; ora, a palavra do original práxis tem um e outro sentido. Evidentemente, cada ser só poderá receber de acordo com sua capacidade, embora todos devam ser cheios, replenos, com “medida sacudida e recalcada” (cfr. Lc. 5:38). Mas há diferença de capacidade entre o cálice, o copo, a garrafa, o litro, o barril, o tonel ... De acordo com a própria capacidade, com o nível evolutivo, com o comportamento de cada um, ser-lhe-á dado em abundância, além de toda medida. Figuremos uma corrente imensa, que jorra permanentemente luz e força, energia e calor. O convite nos é feito para aproximar-nos e recolher quanto quisermos. Acontece, porém, que cada um só recolherá conforme o tamanho do vasilhame que levar consigo. Assim o Cristo Imanente e o Verbo Criador e Conservador SE DERRAMAM infinitamente. Mas nós, criaturas finitas, só recolheremos segundo nosso comportamento, segundo a medida de nossa capacidade. Não há fórmulas mágicas, não há segredos iniciáticos, não peregrinações nem bênçãos de "mestres", não há sacramentos nem sacramentais, que adiantem neste terreno. Poderão, quando muito, servir como incentivo, como animação a progredir, mas por si, nada resolvem, já que não agem ex pere operantis nem ex opere operatus, mas sim ex opere recipientis: a quantidade de recebimento estará de acordo com a capacidade de quem recebe, não com a grandeza de quem dá, nem com o ato de doação. E pode obter-se o cálculo de capacidade de cada um, isto é, o degrau evolutivo em que se encontra no discipulado de Cristo, segundo as várias estimativas das condições exigidas: a) pela profundidade e sinceridade na renúncia ao eu personalistico, quando tudo é feito sem cogitar de firmar o próprio nome, sem atribuir qualquer êxito ao próprio merecimento (não com palavras, mas interiormente), colaborando com todos os "concorrentes", que estejam em idêntica senda evolutiva, embora nos contrariem as ideias pessoais, mas desde que sigam os ensinos de Cristo;

b) pela resignação sem queixas, numa aceitação ativa, de todas as cruzes, que exprimam atos e palavras contra nós, maledicências e calúnias, sem respostas nem defesas, nem claras nem veladas (já nem queremos acenar à contra-ataques e vinganças). c) pelo acompanhar silencioso dos passos espirituais no caminho do auto sacrifício por amor aos outros, pela dedicação integral e sem condições; no caminho da humildade real, sem convencimentos nem exterioridades; no caminho do serviço, sem exigências nem distinções; no caminho do amor, sem preferências nem limitações. O grau dessas qualidades, todas juntas, dará uma ideia do grau evolutivo da criatura. Assim entendemos essas condições: ou tudo, à perfeição; ou pouco a pouco, conquistando uma de cada vez. Mas parado, ninguém ficará. Se não quiser ir espontaneamente, a dor o aguilhoará, empurrando-o para a frente de qualquer forma. No entanto, uma promessa relativa à possibilidade desse caminho é feita claramente: "alguns dos que aqui estão presentes não experimentarão a morte até conseguirem isso". A promessa tanto vale para aquelas personagens de lá, naquela vida física, quanto para os Espíritos ali presentes, garantindo-se lhes que não sofreriam queda espiritual (morte), mas que ascenderiam em linha reta, até atingir a meta final: o Encontro Sublime, na União mística absoluta e total. Interessante a anotação de Marcos quando acrescenta: O "reino de Deus chegado em poder". Durante séculos se pensou no poder externo, a espetacularidade. Mas a palavra "en dynÁmei" expressa muito mais a força interna, o "dinamismo" do Espírito, a potencialidade cristica a dinamizar a criatura em todos os planos.

FONTE:

Estudo do evangelho

Carlos T Pastorino

Bíblia de Jerusalém

PÃO

 

Pão

Chegamos a postar uma sinopse, mas foi solicitado o estudo final completo!

Aqui a expressão varia. Não é mais "o pão da Vida", mas "o Pão Vivo", ou seja: ho ártos ho zôn, literalmente: "O PÃO, O QUE VIVE". Depois acrescenta: "é minha carne" (hê sárx mou estin) expressão muito mais forte do que se dissera "meu corpo" (sóma). Notemos a insistência de João (aqui e nos versículos 52, 53, 54, 55 e 56) em frisar bem que Jesus possuía realmente carne e sangue, e que, portanto, era um homem normal, e não apenas um fantasma, com o corpo fluídico.

A preposição hupér, quando construída com o genitivo, apresenta os significados usuais:

a)     - Sobre em cima de;

b)     - Por, ou para;

c)     - Em lugar de;

d)     - Por causa de;

e)     - A respeito de.

Ao transladá-la, neste trecho, para a Vulgata, Jerônimo (que não dominava o Grego apenas sabia falar e ler sem conhecer a gramatica) usou a preposição latina PRO, que aceita os significados 2, 3 e 4, mas não o 1.º nem o 5.º. Temos, então, que limitar o sentido da frase a:

1 - a) PELA vida do mundo (em troca da ...);

2 - b) PARA a vida do mundo (para vivificá-la);

3        - EM LUGAR DA vida do mundo (para substituí-la);

     4- POR CAUSA DA vida do mundo (para que não morra).

Por todo o contexto da exposição, verificamos que cabem melhor os sentidos 2 e 3: PELA, EM TROCA DA, EM LUGAR DA, EM SUBSTITUIÇÃO A.

Preferimos "em lugar da" porque apresenta maior clareza de sentido, sem perigo de ambiguidade.

Até o 53 é usado sistematicamente o verbo defectivo phageín, sempre traduzido por "comer". Nos versículos 54, 56 e 57 é empregado trôgeín, que tem quase o mesmo sentido; alguma razão deve haver para essa troca de sinônimos. Beber é pípein, e sangue, haíma.

"Verdadeiramente", em ambas as repetições, é alêthôs, advérbio, nos mss. aleph, D, delta, theta e Vulgata; ao passo que B, C, L, T, e W têm "verdadeira" (alêthês), adjetivo na forma feminina.

"Permanece" é o verbo ménei (cfr. latim Manet). Veja a mesma afirmativa em João, 14:10,20 e João, 3:24 e 4:15-16.

 O mesmo adjetivo usado para qualificar o pão, no vers. 51, é empregado aqui para qualificar o Pai: "o Pai Vivo" ou "que vive". "Eu vivo através do Pai" (zô dià tòn patéra), em que "através de" tem o sentido de “por meio de", melhor tradução do que simplesmente "por" ou "pelo", que apresentaria ambiguidade de sentido, podendo ser interpretado como "por causa do Pai". Ora, a preposição diá significa basicamente "através de"; e só secundariamente apresenta sentido causal.

Neste vers. há uma variação sinonímica entre os verbos: primeiro é empregado éphagon (comeram), ao passo que depois é usado trôgôn (saboreia). A expressão "para a imanência" tem, no original:

eis tòn aiôna.

Assim como diante da Samaritana (a alma "vigilante") foi dito "Eu sou a Água Viva", expondo o primeiro passo do DESPERTAMENTO DO EU; e no trecho da cura da Hemorroíssa e da ressurreição da filha de Jairo, foi alertado sobre a VIA PURGATIVA; e no trecho que acabamos de comentar foi ensinada a VIA CONTEMPLATIVA, agora nos é revelada a VIA UNITIVA, ou seja, o Cristo confirma que Deus habita em nós com Sua Essência; e não apenas em nós, mas "em todas as coisas" (Cfr. . Tomás de Aquino, Summa Theológica, I, q. 8, art. 1: Deus est in ómnibus rebus ... et intime ... sicut agens adest ei in quod agit, isto é: "Deus está em todas as coisas ... e intimamente ... como o agente está naquilo em que age").  Vimos que "a vontade do Pai" é que O encontremos. Agora, veremos que temos que VIVER NELE, tal como Ele vive em nós, não apenas em perfeita união, mas em unificação total.

Então prosseguimos no mesmo tom, que se eleva cada vez mais, até chegar ao clímax, que faz que os imaturos (indecisos) se afastem definitivamente. São dados os ensinos práticos de como obter essa unificação.

Vejamos:

O novo passo é iniciado ainda com a fórmula de garantia da veracidade: "Em verdade, em verdade vos digo". Sempre é repetida como prólogo de uma lição importante, de uma verdade fundamental.

Vem depois a afirmativa: "quem confia em mim (no Cristo Cósmico, que continua com a palavra) tem a Vida eterna (Imanente)". E então reafirma solenemente: "Eu sou o Pão da Vida". A imagem do Pão é uma das mais felizes para ensinar a Via Unitiva.

Aparece depois uma comparação para introduzir, com melhor compreensão, a temática que será desenvolvida. Começa, pois, concedendo a veracidade da objeção formulada no vers. 31: "Vossos pais comeram o pão no deserto". Observemos que, se fora a personalidade de Jesus que falasse, teria dito: "nossos pais"; mas sendo o Cristo, não tem filiação humana, não tendo nascido "do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" ( “..., eles que não foram gerados nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus” João, 1:13.).

Vamos observar ainda que diz apenas "pão", e não como fora enunciado pelos objetantes: "pão vindo do céu". Concedida, em princípio, a objeção apresentada, é lhe oposta, de imediato e contradita decepcionante:

"mas morreram" ... A contra argumentação é categórica, verdade irrespondível que não admite réplica.

E logo em contraposição do pão que não evita a morte, é apresentado aos discípulos o outro pão espiritual que, uma vez ingerido, lhe comunica, vida que não admite morte. O que mais assusta os circunstantes é que Jesus, após apresentar-se como sendo Ele o Pão que desce do céu, diz que se alguém comer desse pão não morrerá. Não tendo conhecimento de que era o Cristo que falava, julgavam ser a personalidade de Jesus que se propunha dar-se como alimento. Daí o “quiproquó” terrível que os desorienta, que se agrava cada vez mais, e que o Cristo não se preocupa em desfazer.

Ao contrário: vai dando Sua lição superior, sem cuidar dos imaturos.

Fala o Cristo. "Eu sou o PÃO VIVO que desci do céu". Já não diz mais "o Pão da Vida", mas muito mais explicitamente, definindo Sua natureza: "o PÃO, O QUE VIVE" (ho ártos, ho zôn, com a mesma fórmula usada no vers. 57 “o PAI, 0 QUE VIVE, ho pátêr, ho zôn”.).

É a repetição do mesmo conceito em outros termos mais precisos e profundos, numa didática perfeita, em que cada repetição acrescenta um pormenor, por vezes mínimo, mas trazendo sempre maior elucidação. E repisa: "se alguém comer deste Pão (que é Ele!) viverá para a imanência".

Como poderia dar-se isso? Não dando tempo nem para pensar, vem a frase chocante: "e mais, o Pão que eu darei é MINHA CARNE" ... e esclarece "em lugar da vida do mundo"! O ensino chegou à revelação total da Verdade que constituía nosso objetivo. Compreendamos bem o texto: para todos os que ainda vivem na personalidade, o eu é constituído por seu próprio corpo físico denso; então a substância deles, para eles, é a carne deles. Nesse sentido, diz o Cristo que o Pão é Sua Carne," isto é, Sua Substância; pois a substância do Cristo Cósmico é a substância última de todas as coisas, apenas numa vibração mais baixa, ou seja; na condensação da energia.

Exatamente esse pensamento é repetido por Agostinho que, em suas meditações, confessa ter percebido essa mesma voz do Cristo Interno: tamquam audírem vocem tuam de excelso: cibus sum gradium; cresce et manducabis me Nec tu me in te mutabis sicut cibum carnis tuae, sed tu mutáberis in me (Confiss. 7, 10, 16) ou seja: "como se eu ouvisse uma voz do alto: sou o alimento dos evoluídos; cresce e me comerás. E tu não me transformarás em ti como alimento de tua carne, mas tu te transformarás em mim". A característica das criaturas geniais é dizerem bem e dizerem muito em poucas palavras.

Nessa frase de Agostinho está perfeitamente revelada a Cristificação da criatura, que se infinitisa, se eterniza? Se deifica em contato com a Substância Divina, que está em todos e em cada um, pela unificação com o Cristo Interno, que é o Eu Profundo e verdadeiro, a Centelha Divina.

Tomás de Aquino explica o modo por que está em nós a essência de Deus (cfr. Summa Theol. I, q. 8, art. 3, ad primum, citado acima). Quanto à segunda parte da frase de Agostinho, é ela elucidada por

Tomás de Aquino, que escreve: “Spiritualia cóntínent ea in quibus sunt, sicut ánima cóntinet corpus”.

Unde et Deus est in rebus sicut cóntinens res. Támen, secundurn quamdam similitudinem corporalium,

dicuntur omnia esse in Deo, in quanturn continentur ab ipso (Sum. Theol. I, q. 8. art. I, ad 2 um), que significa: "as coisas espirituais contêm as coisas em que estão, como a alma contém o corpo. Donde também Deus está nas coisas corno contendo as coisas. Contudo, por uma espécie de semelhança com as coisas materiais, diz-se que todas as coisas estão em Deus, já que são contidas por Ele".

Em Sua lição, de que é o Pão Vivo o Cristo não quer deixar a menor dúvida de que o Pão de que Ele fala é "Sua CARNE", ou seja, Sua Substância aquela mesma substância divina que Ele nos dá na Vida Imanente, para substituir a vida do mundo, ou seja, em lugar da vida pequenina e transitória da personalidade.

Claro que nada disso foi compreendido pelos ouvintes, embora encontremos em Strack-Billerbeck que alguns deveriam ter entendido "comer e beber" como aplicados ao estudo da lei mosaica. Surgem então as discussões com os que entenderam que tudo devia ser interpretado literalmente. Vem a pergunta: "Como dará Ele de comer sua própria carne"? A hipótese antropofágica foi rejeitada como absurda e inaceitável.

Diante de tal incompreensão, o Cristo nem procura explicar. Nem uma palavra é proferida em resposta à indagação angustiosa. De nada adianta perder tempo esclarecendo criaturas que não alcançam sequer a metáfora e o simbolismo, quanto mais o sentido profundo. E sabendo o Cristo que mesmo com alterações sua mensagem é para a humanidade em todos os tempos.

Então o Cristo resolve romper todas as barreiras e repetir Seu ensinamento, martelando na mesma tecla e acrescentando um pormenor “horripilante” para os israelitas: "Se não comeis a carne do Filho do Homem, e não bebeis seu sangue, não tendes a Vida em vós"! Ora, era terminante e severamente proibido "comer o sangue" dos animais, mesmo cozinhado (cfr. Gên. 9:4 e Deut. 12:16), porque aí mesmo se esclarece que "o sangue é a alma do ser vivente". Muito pior seria, portanto, a hipótese de beber o sangue cru, ainda quente, e não de um animal, mas de um ser humano ...

Mas era exatamente isso que o Cristo ensinava e ensina-nos ainda: para ter a Vida Imanente é indispensável COMER (assimilar a si) a carne (a substância viva) do Cristo Interno que é nossa vida; e além disso, BEBER (aspirar em si por sintonia vibratória perfeita) o Seu sangue (a alma, a parte mais espiritual Dele). De fato, é assim: só nos unificaremos ao Eu Profundo no Esponsalício Místico, quando assimilarmos a nós a Substância e o Espírito do Cristo de Deus, que em nosso coração habita com toda a plenitude da Divindade.

E diante de um movimento de horror escandalizado, o Cristo repisa, já então mudando o verbo, para causar maior repulsa nos imaturos e mais apurado amor nos evoluídos: “quem me saboreia a carne e me bebe o sangue tem a Vida Imanente, e eu o elevarei na etapa final”. Só depois que o Espírito consegue essa unificação mística, mas REAL, é que poderá atingir a etapa final da evolução. Sem o Encontro no "mergulho", sem a unificação com o Cristo Interno dentro de nós, não obteremos o "reino dos céus", não atingiremos a etapa final! ("o último dia") de nossa subida para o Alto.

“Paulo já dizia “não sou mais eu que vivo, o Cristo é que vive em mim" (Gal. 2:20).”.

E a razão disso é dada:

"Porque minha carne é verdadeiramente alimento e meu sangue é verdadeiramente bebida". Não são apenas símbolos: são realidades, embora não físicas e materiais, mas espirituais, porque todas as palavras do Cristo são Espírito e são Vida" (vers. 63 – “O espírito é que vivifica; a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida”). Com efeito, nosso Eu Real não é constituído da carne do corpo físico denso, nem do sangue que circula em nossas veias: nosso EU REAL é constituído da substância mais íntima (a carne) e da vibração mais pura (o sangue) do Filho do Homem, do Cristo Interno, do Amado Divino. Então, essa essência de Deus em nós é que constitui o verdadeiro alimento e a verdadeira bebida da Vida Imanente.

E aqui chegamos ao ponto mais sublime do ensino sobre a Via Unitiva; temos a revelação plena da unificação com o Cristo; após mais uma repetição didática, para que não haja ambiguidade: "quem me saboreia (longamente, no mergulho interno) a carne e me bebe (a largos haustos, na oração) o sangue, PERMANECE EM MIM E EU NELE"! ...

Esse maravilhoso ensino será ainda repetido pelo Cristo em João, 14:10-20; 15:4-5; João, 4:15-16. Trata-se da unificação total, mútua, perfeita: vivemos na plenitude do Cristo e o Cristo vive em nós, como dizia Paulo: "não sou mais eu que vivo, o Cristo é que vive em mim" (Gal. 2:20).

Como não entender que toda essa magnífica e elevadíssima lição não se prende apenas a um simples ato externo da ingestão de uma hóstia de trigo? Seu sentido é muito mais profundo, mais belo, mais verdadeiro e mais sublime! Por que limitar um ensino de tal excelsitude a um pequeno e rápido rito exterior? Compreendamos o alcance maravilhoso da Palavra do Cristo em toda sua profundidade viva e real. Nenhum Avatar, nenhum místico, em qualquer época ou país, atingiu níveis tão elevados e sublimes de ensino.

Neste versículo volta o Mestre a insistir na união do Amado ao Amante: "assim como o Pai (o Verbo, o Som Criador) que vive, que é a Vida porque é Deus em Seu segundo aspecto, enviou a mim, o Cristo (o Amado), e eu, o Cristo, vivo por meio do Pai (através do Pai), assim quem me saboreia também viverá por meio de mim (através de mim)".

É perfeita a simbiose entre o Amante (Pai) e o Amado (Filho), e um vive pelo outro dentro do Amor (o Espírito Santo), que é o Absoluto, a Luz Incriada, o Sem Nome. Só quem saboreia o Cristo no mergulho, poderá viver através do Cristo, tal como o Cristo vive através do Pai que O enviou à matéria, na qualidade de Centelha Divina, para dar Vida ao mundo.

E como arremate da lição, volta às palavras iniciais, repetindo a tese que foi exuberante e exaustivamente provada: este é o pão que desce do céu e "que não é como o pão que comeram vossos pais e morreram: quem come este pão, viverá sempre na imanência".

Maravilhosa e sublime lição, que atinge as maiores altitudes místicas capazes de serem compreendidas no estágio hominal em que nos achamos!

Depois da aula virá uma explicação de grande importância reservada aos discípulos. “a revelação do Paraclito”

Quem defende, guia e protege outra pessoa; intercessor, mentor, consolador; paraclito, paracleto.

O consolador prometido por Jesus e trazido e codificado em 1857

“Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da verdade ele vos guiará na verdade plena (na verdade inteira), pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras”.

“E a Doutrina Espírita é o consolador prometido trazido pelo Espírito da Verdade onde revela tudo o que se precisa saber quando a “de onde vens, para onde vais e o que está fazendo aqui” além de repetir tudo o que Jesus já disse”.

Fontes:

Evangelho de João

Bíblia de Jerusalém

Novo Testamento C.E.I.

Confissões de Santo Agostinho

Epístolas de Paulo