terça-feira, 29 de junho de 2021

HISTORIA DOS SENTIMENTOS

 

 

 

 HISTORIA DOS SENTIMENTOS

 (historia trazida por um dos irmãos membro do grupo de estudos)

("a fim de poderes discernir o que é importante para que sejais puros e irreprováveis no dia de Cristo, na plena maturidade do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo para a gloria e o louvor de Deus ".  Paulo. (Filipenses, 1:10) - Sintetizando conforme o livro Segue-me de Emmanuel.

“Para que aproveis as coisas que são excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum”.

Paulo (Filipenses1:10)

“Problemas do Amor”

O amor é a força divina do Universo.

É imprescindível, porém, muita vigilância para que não o desviemos na justa aplicação.

Quando um homem se devota, de maneira absoluta, aos seus cofres perecíveis, essa energia, no coração dele, denomina-se "avareza"; quando se atormenta, de modo exclusivo, pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida, no lugar em que se encontra, essa mesma força se converte nele em "egoísmo”; quando só vê motivos para louvar o que representa, o que sente e o que faz, com manifesto desrespeito pelos valores alheios, o sentimento que predomina em sua órbita chama-se "inveja".

O ódio é, comumente, o amor envenenado de ontem.

O ciúme é o amor vestido de espinhos dilacerantes. A soberba é o amor desvairado a si próprio.

Paulo, escrevendo à amorosa comunidade Filipenses, formula indicação de elevado alcance. Assegura que "o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa provar as coisas que são excelentes".

Instruamo-nos, pois, para conhecer.

Eduquemo-nos para discernir.

Cultura intelectual e aprimoramento moral são imperativos da vida possibilitando-nos a manifestação do amor, no império da sublimação que nos aproxima de Deus.

Atendamos ao conselho apostólico e cresçamos em valores espirituais para a eternidade, porque, muitas vezes, o nosso amor é, simplesmente, querer, e, tão-somente com o "querer" é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida.

 

HISTÓRIA DOS SENTIMENTOS

Contam que uma vez, se reuniram todos os sentimentos, qualidades e defeitos dos homens em algum lugar da terra.

Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, lhes propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE, sem poder conter-se, perguntou:

Esconde-esconde? Como é isso?

- É um jogo. Explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará meu lugar para continuar o jogo.

O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA.

A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos quiseram participar:

A VERDADE preferiu não se esconder. - "Para que, se no final todos me encontram?" - Pensou.

A SOBERBA (orgulho) opinou que era um jogo muito tonto e a COVARDIA preferiu não se arriscar.

Um, dois, três, quatro... - Começou a contar a LOUCURA.

A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho. A FÉ subiu ao céu e a INVEJA se escondeu atrás da sombra do TRIUNFO, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.

A GENEROSIDADE quase não conseguiu esconder-se, pois cada local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos: Se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA. Se era a copa de uma árvore, perfeito para a TIMIDEZ. Se era o vôo de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA. Se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE. E assim, acabou escondendo-se em um raio de sol.

O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cômodo, mas apenas para ele.

A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris) e a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões.

O ESQUECIMENTO, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante. Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.998, o AMOR ainda não havia encontrado um lugar para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou uma rosa e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.

- Um milhão! - terminou de contar a LOUCURA e começou a busca.

A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra. Depois, escutou-se a FÉ discutindo com DEUS, no céu, sobre zoologia. Sentiu vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. Em um descuido, encontrou a INVEJA e claro, pode deduzir onde estava o TRIUNFO.

O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo. Ele sozinho saiu disparado de seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar, sentiu sede e ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA.

A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconder.

E assim foi encontrando a todos: O TALENTO entre a erva fresca, a ANGÚSTIA em uma cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO, que já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde.

Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local. A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos.

A LOUCURA não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, rezou, implorou, pediu e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na terra:

O AMOR é cego e a LOUCURA sempre o acompanha.

 

FONTE:

Sociedade das Ciências Antigas

Segue-me - Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

Sete minutos com Emmanuel

PENAS IMPOSTAS – PENAS ETERNAS

 

PENAS IMPOSTAS – PENAS ETERNAS

Essa transcrição faz parte do estudo que foi levantado quanto a questão da eternidade das penas entre os irmãos evangélicos e católicos

 

As penas impostas jamais o são por toda a eternidade?

“Interrogai o vosso bom-senso, a vossa razão e perguntai-lhes se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade? Eternidade! Compreendeis bem esta palavra? Sofrimentos, torturas sem-fim, sem esperanças, por causa de algumas faltas! O vosso juízo não repele semelhante ideia? Que os antigos tenham considerado o Senhor do Universo um Deus terrível, cioso e vingativo, concebe-se. Na ignorância em que se achavam, atribuíam à divindade as paixões dos homens. Esse, todavia, não é o Deus dos cristãos, que classifica como virtudes primordiais o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas. Poderia Ele carecer das qualidades, cuja posse prescreve, como um dever, às Suas criaturas? Não haverá contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança também infinita? Dizeis que, acima de tudo, Ele é justo e que o homem não lhe compreende a justiça. Mas, a justiça não exclui a bondade e Ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. Teria o direito de fazer da justiça uma obrigação para seus filhos, se lhes não desse meio de compreendê-la? Aliás, no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta sentença: “A cada um segundo as suas obras. ”

Aqui errou, aqui irá pagar... (resgatar o erro!)

 

“Aplicai-vos, por todos os meios ao vosso alcance, em combater, em aniquilar a ideia da eternidade das penas, ideia blasfematória da justiça e da bondade de Deus, gérmen fecundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas humanas, desde que as inteligências começaram a desenvolver-se. O Espírito, prestes a esclarecer-se, ou mesmo apenas desbastado, logo lhe apreendeu a monstruosa injustiça. Sua razão a repele e, então, raro é que não englobe no mesmo repúdio a pena que o revolta e o Deus a quem a atribui. Daí os males sem conta que hão desabado sobre vós e aos quais vimos trazer remédio. Tanto mais fácil será a tarefa que vos apontamos, quanto é certo que todas as autoridades em quem se apoiam os defensores de tal crença evitaram todas pronunciar-se formalmente a respeito. Nem os concílios, nem os Pais da Igreja resolveram essa grave questão. Muito embora, segundo os Evangelistas e tomadas ao pé da letra as palavras emblemáticas do Cristo, ele tenha ameaçado os culpados com um fogo que se não extingue, com um fogo eterno, absolutamente nada se encontra nas suas palavras capaz de provar que os haja condenado eternamente. “Pobres ovelhas desgarradas, aprendei a ver aproximar-se de vós o bom Pastor, que, longe de vos banir para todo o sempre de sua presença, vem pessoalmente ao vosso encontro, para vos reconduzir ao aprisco. Filhos pródigos, deixai o vosso voluntário exílio; encaminhai vossos passos para a morada paterna. O Pai vos estende os braços e está sempre pronto a festejar o vosso regresso ao seio da família. ”

 

“Guerras de palavras! Guerras de palavras! Ainda não basta o sangue que tendes feito correr! Será ainda preciso que se reacendam as fogueiras? Discutem sobre palavras: eternidade das penas, eternidade dos castigos. Ignorais então que o que hoje entendeis por eternidade não é o que os antigos entendiam e designavam por esse termo? Consulte o teólogo as fontes e lá descobrirá, como todos vós, que o texto hebreu não atribuía esta significação ao vocábulo que os gregos, os latinos e os modernos traduziram por penas sem fim, irremissíveis. Eternidade dos castigos corresponde à eternidade do mal. Sim, enquanto existir o mal entre os homens, os castigos subsistirão. Importa que os textos sagrados se interpretem no sentido relativo. A eternidade das penas é, pois, relativa e não absoluta. Chegue o dia em que todos os homens, pelo arrependimento, se revistam da túnica da inocência e desde esse dia deixará de haver gemidos e ranger de dentes. Limitada tendes, é certo, a vossa razão humana, porém, tal como a tendes, ela é uma dádiva de Deus e, com auxílio dessa razão, nenhum homem de boa-fé haverá que de outra forma compreenda a eternidade dos castigos. Pois que! Fora necessário admitir-se por eterno o mal. Somente Deus é eterno e não poderia ter criado o mal eterno; do contrário, forçoso seria tirar-se-lhe o mais magnífico dos Seus atributos: o soberano poder, porquanto não é soberanamente poderoso aquele que cria um elemento destruidor de suas obras. Humanidade! Humanidade! Não mergulhes mais os teus tristes olhares nas profundezas da Terra, procurando aí os castigos. Chora, espera, expia e refugia-te na ideia de um Deus intrinsecamente bom, absolutamente poderoso, essencialmente justo. ”

 

 “Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Pois bem! Digo-vos, em verdade, que mentis a estes princípios fundamentais, comprometendo a ideia de Deus, com o Lhe exagerardes a severidade. Duplamente a comprometeis, deixando que no Espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais virtude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao Ser infinito. Destruís mesmo a ideia do inferno, tornando-o ridículo e inadmissível às vossas crenças, como o é aos vossos corações o horrendo espetáculo das execuções, das fogueiras e das torturas da Idade Média! Pois que! Quando banida se acha para sempre das legislações humanas a era das cegas represálias, é que esperais mantê-la no ideal? Oh! Crede-me, crede-me, irmãos em Deus e em Jesus-Cristo, crede-me: ou vos resignais a deixar que pereçam nas vossas mãos todos os vossos dogmas, de preferência a que se modifiquem, ou, então, vivificai-os, abrindo-os aos benfazejos eflúvios que os Bons, neste momento, derramam neles. A ideia do inferno, com as suas fornalhas ardentes, com as suas caldeiras a ferver, pôde ser tolerada, isto é, perdoável num século de ferro; porém, no século dezenove, não passa de vão fantasma, próprio, quando muito, para amedrontar criancinhas e em que estas, crescendo um pouco, logo deixam de crer. Se persistirdes nessa mitologia aterradora, engendrareis a incredulidade, mãe de toda a desorganização social. Tremo, entrevendo toda uma ordem social abalada e a ruir sobre os seus fundamentos, por falta de sanção penal. Homens de fé ardente e viva, vanguardeiros do dia da luz, mãos à obra, não para manter fábulas que envelheceram e se desacreditaram, mas para reavivar, revivificar a verdadeira sanção penal, sob formas condizentes com os vossos costumes, os vossos sentimentos e as luzes da vossa época. “Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo. “Que é o castigo? A consequência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgostá-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. O castigo é o aguilhão que estimula a alma, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma e a buscar o porto de salvação. O castigo só tem por fim a reabilitação, a redenção. Querê-lo eterno, por uma falta não eterna, é negar-lhe toda a razão de ser. “Oh! Em verdade vos digo, cessai, cessai de pôr em paralelo, na sua eternidade, o Bem, essência do Criador, com o Mal, essência da criatura. Fora criar uma penalidade injustificável. Afirmai, ao contrário, o abrandamento gradual dos castigos e das penas pelas transgressões e consagrareis a unidade divina, tendo unidos o sentimento e a razão. ”

 

Com o atrativo de recompensas e temor de castigos, procura-se estimular o homem para o bem e desviá-lo do mal. Se esses castigos, porém, lhe são apresentados de forma que a sua razão se recuse a admiti-los, nenhumas influências terão sobre ele. Longe disso, rejeitará tudo: a forma e o fundo. Se, ao contrário, lhe apresentarem o futuro de maneira lógica, ele não o repelirá. O Espiritismo lhe dá essa explicação. A doutrina da eternidade das penas, em sentido absoluto, faz do Ente Supremo um Deus implacável. Seria lógico dizer-se, de um soberano, que é muito bom, muito magnânimo, muito indulgente, que só quer a felicidade dos que o cercam, mas que ao mesmo tempo é cioso, vingativo, de inflexível rigor e que pune com o castigo extremo as três quartas partes dos seus súditos, por uma ofensa, ou uma infração de suas leis, mesmo quando praticada pelos que não as conheciam? Não haveria aí contradição? Ora, pode Deus ser menos bom do que o seria um homem? Outra contradição. Pois que Deus tudo sabe, sabia, ao criar uma alma, se esta viria a falir ou não. Ela, pois, desde a sua formação, foi destinada à desgraça eterna. Será isto possível, racional? Com a doutrina das penas relativas, tudo se justifica. Deus sabia, sem dúvida, que ela faliria, mas lhe deu meios de se instruir pela sua própria experiência, mediante suas próprias faltas. É necessário, que expie seus erros, para melhor se firmar no bem, mas a porta da esperança não se lhe fecha para sempre e Deus faz que, dos esforços que ela empregue para o conseguir, dependa a sua redenção. Isto toda gente pode compreender e a mais meticulosa lógica pode admitir. Menos cépticos haveria, se deste ponto de vista fossem apresentadas as penas futuras. Na linguagem vulgar, a palavra “eterno” é muitas vezes empregada figuradamente, para designar uma coisa de longa duração, cujo termo não se prevê, embora se saiba muito bem que esse termo existe. Dizemos, por exemplo, os gelos eternos das altas montanhas, dos polos, embora saibamos, de um lado, que o mundo físico pode ter fim e, de outro lado, que o estado dessas regiões pode mudar pelo deslocamento normal do eixo da Terra, ou por um cataclismo. Assim, neste caso, o vocábulo - eterno não quer dizer perpétuo ao infinito. Quando sofremos de uma enfermidade duradoura, dizemos que o nosso mal é eterno. Que há, pois, de admirar em que Espíritos que sofrem há anos, há séculos, há milênios mesmo, assim também se exprimam? Não esqueçamos, principalmente, que, não lhes permitindo a sua inferioridade divisar o ponto extremo do caminho, creem que terão de sofrer sempre, o que lhes é uma punição. Demais, a doutrina do fogo material, das fornalhas e das torturas, tomadas ao Tártaro do paganismo, está hoje completamente abandonada pela alta teologia e só nas escolas esses aterradores quadros alegóricos ainda são apresentados como verdades positivas, por alguns homens mais zelosos do que instruídos, que assim cometem grave erro, porquanto as imaginações juvenis, libertando-se dos terrores, poderão ir aumentar o número dos incrédulos. A Teologia reconhece hoje que a palavra fogo é usada figuradamente e que se deve entender como significando fogo moral (974). Os que têm acompanhado, como nós, as peripécias da vida e dos sofrimentos de além-túmulo, através das comunicações espíritas, hão podido convencer-se de que, por nada terem de material, eles não são menos pungentes. Mesmo relativamente à duração, alguns teólogos começam a admiti-la no sentido restritivo acima indicado e pensam que, com efeito, a palavra “eterno” se pode referir às penas em si mesmas, como consequência de uma lei imutável, e não à sua aplicação a cada indivíduo. No dia em que a Religião admitir esta interpretação, assim como algumas outras também decorrentes do progresso das luzes, muitas ovelhas desgarradas reunirá.

 

 

Já falamos e tornamos a dizer: não existe esse tipo de corrigenda, que nunca se acaba. O que seria, se assim fosse, o nosso Deus? Sendo Ele todo bondade, amor e caridade, seus filhos são filhos do Seu mais profundo amor, e não iriam sofrer penas sem remissão.

Isso se passa como corriges um filho, colocando-o no castigo, por vezes por alguns minutos que, para ele, parecem uma eternidade. E isto tu fazes por amor, para educá-lo, e o carinho dos pais fá-lo-á entender que eles somente desejam o seu bem e o seu aprendizado para o amanhã. Da parte de Deus, é perfeita essa correção.

Como atribuir à bondade infinita a vingança infinita? Não podes pensar assim. Nós outros estamos nos submetendo às leis eternas do Criador, processos de despertamento espiritual para que acordemos os valores existentes dentro de nós, entretanto, essa libertação não pode ser total, pois sempre somos dependentes de Deus. Para isso fomos feitos; Ele é a vida.

Certamente que ainda há muitas coisas que não compreendemos e que se encontram em segredo, porém, quando surgir o desejo de aprender, busquemos ao Senhor em oração. Disse Paulo aos Coríntios:

“Se não há intérprete, cale-se o irmão na assembleia; fale a si mesmo e a Deus” (l Coríntios, 14:28)

Eis aí o conselho mais acertado; quando não compreendes certas leis ou certos acontecimentos em teu caminho, fica calado, recolhe-te ao templo interno do teu coração e pelas preces fala a Deus, esperando com confiança, que Ele, a Bondade Divina, te dirá o que precisas, na faixa que te é própria.

As penas são temporárias, duram pouco por estarem em desarmonia com a vida. Nós, como Espíritos desencarnados que já passamos por muitas delas, te exortamos com amor a suportares as duras penas, principalmente as impostas, pois no fundo delas se encontra a luz para a tua consciência.

Jesus disse: "Aquele que perseverar até o fim, será salvo." Vamos bater na tecla do amor até sair a nota da verdade e da alegria. A música universal se encontra ligada à caridade, esse gênio divino e humano que sempre procura salvar as almas.

Penas perpétuas devem cair no esquecimento. O tempo já passou, e o progresso teológico trouxe outras maneiras de pensar e sentir a vida em outros aspectos. O carro da evolução é portador de luzes da esperança para todas as criaturas de Deus. Eis a tua hora de meditar e aproveitar a viagem eterna para a eternidade do bem, que mostra para todos o ambiente para se ver e sentir os princípios da felicidade.

Em tempos idos, somente se falava nos templos religiosos sobre sofrimentos depois do túmulo, torturas etc. Tanto se falou nesses tormentos que eles acabaram por se materializarem na Terra, como as Cruzadas, a Inquisição, a escravidão e outras diferentes disposições impostas para os sofrimentos humanos. Tanto foram pedidas que vieram no correr dos ares.

Devemos esquecer do mal, para que ele desapareça do mundo e das criaturas. Jesus é o ponto de irradiação do bem e do amor. Firmando-nos n'Ele, limparemos nosso carma e passaremos a viver na luz, que fala somente das coisas agradáveis e felizes.

FONTE:

Livro dos Espíritos

Santo Agostinho

Lamennais

PLATÃO.

Paulo de Tarso

Miramez

Allan Kardec

RAZÃO DAS PARÁBOLAS

 

RAZÃO DAS PARÁBOLAS

Mat.13:34-35

Jesus falou tudo isso as multidões por parábolas. E sem parábolas nada lhes faltava, para que cumprisse o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a oca em parábolas; proclamarei coisas ocultas desde a fundação do mundo”.

Marc. 4:33-34

Anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas como essas, conforme podiam entender; e nada lhes faltava a não ser em parábolas. A seus discípulos, porém, explicava tudo em particular.

Foi nessa ocasião da "'fala do Lago" de Genesaré, que Jesus iniciou seu ensino por meio de parábolas.

O evangelista explica a razão delas, num pequeno verso de ritmo binário, em que se afirma e se nega: tudo em parábolas, nada senão em parábolas. Ou seja, a predição mediúnica através do profeta, no Salmo 79 (vers. 2-“povo meu, escuta minha lei, dá ouvido as palavras de minha boca; abrirei minha boca numa parábola exporei enigmas do passado”). O Salmo é citado no Velho Testamento como de autoria de Asaph, qualificado como profeta por (2.º Crôn. 28 a 30).

Marcos é mais explícito, afirmando que Jesus falava de acordo com a capacidade dos ouvintes, só explicando o sentido real a seus discípulos.

As anotações de Mateus e Marcos fazem uma revelação que já alguns comentadores perceberam. Pirot ("La Sainte Bible", tomo IX, pág. 451) escreve: "é preciso salientar a finalidade pedagógica das parábolas. Jesus a elas recorre diante do povo para dar seu ensinamento, tòn lógon, isto é, a doutrina concernente ao reino de Deus, e fê-lo por bondade, para colocar seu ensino ao alcance dos ouvintes, como o fez para seus apóstolos (Jo. 16:12-“tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará na verdade plena - na verdade inteira - pois não falara de si mesmo mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciara as coisas futuras”) e como fará a seu exemplo, Paulo aos coríntios (1 Cor.

3:2-“dei-vos a beber leite, não alimento sólido, pois não o podeis suportar, mas nem mesmo agora podeis”)".

Com efeito, tendo verificado que seu ensino, dado clara e abertamente no Sermão do Monte, não tinha atingido senão uma minoria (a parábola do semeador é uma justificativa disso, quando afirma que três quartas partes de Suas palavras caíram em terreno ruim e não produziram fruto), Jesus resolve modificar Sua didática.

O assunto a explicar, a doutrina do Lagos (ou Cristo Cósmico) e a necessidade do mergulho e da unificação com o Cristo interno, eram demais elevadas para as massas. A não-compreensão espantava os ouvintes e os afastava. Eles não tinham capacidade de penetrar os segredos "do reino", por se acharem em degrau evolutivo muito baixo.

Já falando em parábolas, o ensino era dado da mesma maneira, mas facilitava a percepção, como veremos adiante. Aos discípulos, que tinham maior capacidade evolutiva de compreensão, era tudo explicado, embora, por vezes, não entendessem bem, e Jesus se queixa disso com certa decepção (Marc. 4:13-“e disse-lhes: se não compreendeis essa parábola, como podeis entender todas as parábolas? ”).

A EXPLICAÇÃO DAS PARÁBOLAS

 

A EXPLICAÇÃO DAS PARÁBOLAS

Mat. 13:10-15 e 18-23

Aproximando-se os discípulos perguntaram-lhe: “porque falas em parábolas? ” Jesus respondeu porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não. Pois aquele que tem, lhe será dado em abundancia, mas ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas; porque veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. É neles que se cumpre a profecia de Isaias que dia

Z: “ certamente haveis de ouvir e jamais entendereis. Certamente haveis de enxergar e jamais vereis. Porque o coração desse povo se tornou insensível e eles ouviram de má vontade e fecharam os olhos para não acontecer que vejam com os olhos e ouçam com os ouvidos e entendam com o coração e se convertam e assim eu os cure”).

..............................

Mas o que sai da boca procede do coração e é isso que torna o homem impuro. Com efeito é do coração que procedem as, mas intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações.

Marc. 4:10-25

Quando ficaram sozinhos os que estavam junto dele, com os doze o interrogaram sobre as parábolas. Dizia-lhes: “a vós foi dado o mistério do Reino de Deus; aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas, a fim de que – por mais que olhem não vejam; por mais que escutem não entendam; para que não se convertam e não sejam perdoados-. E disse-lhes: “se não compreendeis essa parábola, como podereis entender todas as parábolas? O Semeador semeia a palavra. Os que estão à beira do caminho onde a palavra foi semeada, são aqueles que ouvem, mas logo vem Satanás e arrebata a palavras que neles foi semeada. Assim também as que foram semeadas em solo pedregoso; são aqueles que ao ouvirem a palavra, imediatamente a recebem com alegria, mas não tem raízes em si mesmo, são homens de momento; caso venha uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra imediatamente sucumbem. E outras são as que foram semeadas entre os espinhos; estes são os que ouviram a palavra, mas os cuidados do mundo, a sedução da riqueza e as ambições de outras coisas os penetram, sufocam a palavra e as tornam infrutífera, mas há os que foram semeadas em terra boa; estes escutam a palavra, acolhem-na e dão fruto, um trinta, outro sessenta, outro cem”. E dizia-lhes. Quem traz uma lâmpada para coloca-la debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Ao invés não a traz para colocá-la no lampadário? Pois nada há de oculto que não venha a ser manifesto e nada em segredo que não veja à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça! ” E dizia-lhes: ” cuidado com o que ouvis! Com a medida com que medis será medido para vós, e vos será acrescentado ainda mais. Pois ao que tem será dado e ao que não tem, mesmo o que tem, lhe será tirado”)

Lc 8:9-18

Seus discípulos perguntavam-lhe que significaria tal parábola. Ele respondeu: ” a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus; aos outros, porém, em parábolas, a fim de que vejam sem ver e ouçam sem entender. Repetição da parábola do semeador com outras palavras, mas com o mesmo sentido.

(Cfr. Marc. 3:23-“chamando-os para junto de si, falou-lhe por parábolas. Como pode Satanás expulsar Satanás? ”) e (Luc.3:23-“ao iniciar o ministério Jesus tinha mais ou menos 30 anos e era, conforme se supunha, filho de Jose... genealogia...” e 39-“...ilho de Deus”) Marcos salienta que os discípulos o interrogaram quando ele estava "a sós" (katà mónon).

A modificação da maneira de ensinar tem razão profunda. Até aqui Jesus dava seus ensinamentos morais com rápidos acenos ao "reino dos céus". Mas a partir deste momento começará a revelar os segredos (tà mystéria) da doutrina do Logos e da obtenção do reino dos céus, coisas para as quais o povo não estava preparado naquela época (como ainda o não está, na sua maioria). E aqui nos recordamos do aviso prévio dado por Jesus, quanto à prudência e discrição que se deveria ter no ensinamento:

 

 

 

 

 

 

 

"Não dareis as coisas santas aos cães" (Mat. 7:6-“não deis aos cães o que é sagrado, nem atireis as vossas perolas aos porcos, para que não as pisem, e voltando-se contra vós, vos estraçalhes”). De fato, ao falar do "reino", os ouvintes daquela época interpretaram Suas palavras de acordo com a expectativa deles: a restauração do reino de Israel, consequente à expulsão dos romanos; e ainda durante milênios, igualmente, continuaram Suas palavras a ser interpretadas erroneamente pela maioria, como a obtenção de um céu "no outro mundo". Poucos perceberam a realidade do ensino, de que o "reino dos céus" é interior a nós mesmos, e se obtém aqui mesmo na Terra, com o Encontro e a Unificação com o Cristo Interno.

Examinemos o texto.

A resposta de Jesus começa com a declaração de que aos discípulos é dado (permitido) conhecer os segredos do reino dos céus. Aí é empregada a palavra tà mystéria, único lugar em que aparece nos evangelhos (no plural em Mateus e Lucas, no singular em Marcos), embora seja de uso frequente em Paulo (21 vezes) e no Apocalipse (4 vezes). Entre os gregos significava a doutrina religiosa secreta ou oculta, que só era revelada aos iniciados.

Os segredos principais são: que o reino dos céus não é externo, mas interno; não vem com o rumor das vitórias, nem com o aplauso popular, mas com o silêncio da meditação; não chega com o orgulho do vencedor, mas com a humildade do vencido; não é obtido com a raiva de quem derrota um inimigo, mas com o amor de quem ama os adversários, como verdadeiros benfeitores; não é conseguido após a passagem pela cova escura do túmulo, mas enquanto estamos na carne; não é "deste mundo" de lutas personalísticas, mas é do mundo espiritual em que, embora na carne, vive o Espírito, a individualidade; não é constituído de títulos de soberania nem de superioridade hierárquica, mas de vivência interior, sem aparências exteriores; não é uma conquista visível aos outros, mas se realiza no secreto do próprio coração onde habita o Pai.

Vem depois a frase que parece enigmática e até, segundo alguns, injusta: “a quem tem, lhe será dado em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado", frase que é repetida após a parábola dos talentos (Mat.25:29-“porque a todo aquele que tem será dado, e terá em abundancia, mas daquele que não tem até o que tem lhe será tirado”)). Essa frase introduz a explicação de Jesus, em resposta à pergunta sobrea razão de ser do ensino parabólico.

Mateus e Marcos trazem o texto de Isaias (6:9-10), que Lucas apenas resume. Ambos atribuem a Jesus a citação do profeta segundo a versão dos LXX.

Como já vimos, o grego koiné era a língua comum da Palestina desde o domínio romano, que começara duas gerações antes do nascimento de Jesus, ou seja, desde o ano 63 A.C. (Flávio Josefo, Ant. Jud. 14,3,3 a 4,2; Bell. Jud., 1, 6,4 a 7,5, Dion Cassius, 37,16; Estrabão, 16, 2, 40; Tito Lívio, Epítome, 102; Tácito, Hist. 5,9, etc.). Por isso é que a quase totalidade das citações do Antigo Testamento são feitas segundo a tradução grega dos LXX, e não pelo original hebraico, língua que, desde o regresso do cativeiro da Babilônia, não era mais compreendida pelo povo, que passara a falar aramaico (dialeto de palavras hebraicas misturadas ao assírio, entre cujo povo viveram os israelitas do 8.ºao 6.º séculos a. C.). Os israelitas foram levados para a Babilônia em diversas levas (nos anos 705,606, 598, 588 e 582 a. C.) e de lá foram trazidos em duas etapas principais, em 536 com Zorobabel em 459 com Esdios, que escreveu: "e seus filhos falavam metade de suas palavras na língua de Ahdod (assírio) e não podiam falar a língua dos judeus, mas a de um e de outro povo" (Neem., 13:24).

Jesus faz suas as palavras de Isaías, e aprova o texto dos LXX contra o do hebraico, que foi escrito por ocasião da vocação do profeta em 740 A.C., ano em que desencarnou o rei Osias. E explica: o fato "deverem (lerem) e não entenderem (o sentido profundo real) e de ouvirem e não perceberem (esse sentido), provém de que seu coração (sua mente) está enregelado (pela vaidade e pelo egoísmo); então, eles fecham os olhos e tapam os ouvidos (para não serem obrigados a aceitar a interpretação correta; e isso lhes é permitido) para que, vendo (lendo) com os olhos, e ouvindo com os ouvidos, não suceda que entendam com o coração (a mente) e se voltem e eu os sare", porque a eles NÃO INTERESSA a cura(libertação) das coisas materiais do mundo, às quais estão apegados em profundidade.

Não é que Jesus os faça não entender, porque Ele não quer que se convertam e sejam libertos; não é isso. É o contrário: eles NÃO QUEREM voltar-se (converter-se) nem ser libertados (sarados) e PORISSO fecham os olhos e tapam os ouvidos.

Não há pois intenção malévola da parte da Divindade, mas apenas má-vontade, por ignorância e involução, da parte dos próprios homens que, embora na consciência atual digam que querem converter-se, na realidade em seu subconsciente não no querem.

Então, o fato de falar em parábolas não é um castigo de Deus; mas antes ao contrário: é uma prova de misericórdia, pois permite às criaturas que tenham tempo de ir evoluindo, e a cada nova encarnação possam ir aprofundando o sentido oculto das parábolas, conseguindo assim atingir a realidade total do ensino de Jesus. Então, não é castigo, como disseram alguns comentadores antigos e modernos, mas um ensino que deveria ir sendo compreendido gradativamente pela humanidade, à proporção que fossem evoluindo os homens. Mas era indispensável que o ensino fosse dado na oportunidade da permanência de Jesus na Terra, e o melhor meio era exatamente esse: parábolas que iriam sendo interpretadas segundo os sete planos (veja vol. 2) até a compreensão final que ainda está para chegar à Terra.

As palavras de Isaías são citadas também por Paulo (At. 28: 23-28-“marcaram u dia, pois, com ele, e vieram em maior numero encontra-lo em seu alojamento. Ele lhes fez uma exposição, dando testemunho do Reino de Deus e procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moises quanto pelos profetas. Isso desde manhã até a tarde. Uns se deixaram persuadir pelo que ele dizia, outros, porém, recusavam-se a crer. Estando assim discordantes entre si eles se despediram, enquanto Paulo dizia uma só palavra. Bem falou o Espirito Santo a vossos pais, por meio do profeta Isaias, quando disse: - vai ter com esse povo e dize-lhe: em vão escutareis; pois não compreendereis; em vão olhareis, pois não vereis. É que o coração desse povo se endureceu; eles taparam os ouvidos e vendaram os olhos, para não verem com os olhos, nem ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o coração, para que não se convertam, e eu não os cure! Ficai, pois cientes,: aos gentios é enviada essa salvação de Deus. E eles a ouvirão) e por João (12:37-41-“apesar de ter realizado tantos sinais diante deles, não creram nele, a fim de se cumprir a palavra dita pelo profeta Isaias: Senhor quem creu em nossa palavra? E o braço do Senhor a quem foi revelado? Não podias crer, porque disse ainda Isaias: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração para que seus olhos não vejam seu coração não compreenda e não se convertam e eu não os cure. Isaias disse essas palavras, porque contemplou a sua gloria e falou a respeito dele. ”).

A explicação da parábola do semeador é dada por Jesus numa interpretação alegórica e metafórica, dizendo que a semente é a palavra de Deus e apresentando quatro situações:

a) a primeira categoria é a dos que não compreendem a palavra do reino e o "mau" (a ignorância) desfaz o efeito do ensinamento;

b) a 2.ª é a dos que ouvem a boa-nova, mas não têm preparo espiritual para com ela superar as dores e tribulações, desesperando por qualquer coisa;

c) a 3.ª é a dos que ouvem e gostam do ensino, mas o colocam em posição secundária, pois acima dele estão os interesses da vida e as riquezas; e

d) a 4.ª é a dos que realmente respondem aos apelos e o fazem em diversos graus: 30, 60 e 100 por um. Há algo mais a compreender nesta lição.

Jesus começa a explicar a finalidade principal de Sua descida à Terra: ensinar aos homens a Unificação com o Pai que em nós habita; o Pai, que está nos céus, e que, portanto, constitui o reino dos céus, o qual está dentro de nós e por isso, o meio de conseguir a união é o mergulho no fogo e no Espírito (batismo), dentro de cada um.

Mas a humanidade não estava preparada para um passo tão grande à frente e havia necessidade de muita discrição e prudência na revelação dos "segredos do reino", e dos "mistérios do Logos".

Realmente, todos os ensinos morais foram dados abertamente, e neles nada encontramos além do que os outros avatares anteriores a Jesus haviam ensinado: Krishna, Hermes, Budha, Lao-Tseu, Zoroastro, Moisés, Pitágoras. Mas esse passo definitivo de liberação total veio por meio de Jesus, embora tivesse sido antecipado em parte, ocultamente por alguns de Seus predecessores.

Então, quando os discípulos (personalidades-iluminadas) pedem explicação, a individualidade (Jesus) estranha que "nem eles" sabem penetrar o sentido profundo ... Então limita-se a dar, para efeito de divulgação, uma interpretação alegórica (nível das emoções) e metafórica (nível do intelecto).

Era a única que podia ser publicada para a época em que Jesus visitou o planeta e também a única que perduraria séculos, já que dirigida à personalidade. Ignoramos se secretamente foi dada aos discípulos a interpretação para a individualidade.

De qualquer forma, pelas palavras de Isaías que Jesus cita, deduz-se que sim. Porque, na realidade, Ele lhes adverte que não adianta "forçar", pais os homens que não superaram ainda as sensações (físico-etéricas), as emoções (astral-animal), e o intelecto, NÃO PODEM perceber com o coração e volta-se para o seu interior onde habita o Pai, e, portanto, NÃO PODEM conseguir a libertação. Eles amam a prisão da gaiola dourada da carne com suas ilusões. Então há de ser o ensino dado gradativamente, para não causar traumas, já que "a evolução (natureza) não dá saltos".

Vem agora a explicação, que divide os homens na realidade em seis categorias, e não em quatro como parece à primeira vista:

1. A primeira categoria é a dos que estão presos às sensações (físico-etéricas) e que, portanto, se deixam influir pelo mau, isto é, pelo diabo-satanás, que é exatamente o corpo físico, ou melhor, matéria em geral, o polo negativo. Por esses, que mais amam o corpo e suas comodidades e conforto acima de tudo, a doutrina da Palavra (do Logos) não chega a ser nem sequer compreendida, pois é julgada "loucura", sonho, tolice, etc. ... Eles se acham "à beira do caminho", ou seja, à margem da espiritualidade, totalmente enterrados na matéria, com espírito bem materializado ainda. Qualquer aceno ao Logos é jogado fora pela preponderância das sensações física etéricas.

2. A segunda é a dos que vivem presos à animalidade, e, portanto, com preponderância das emoções (corpo astral), e nesse setor se inclui a maioria esmagadora da humanidade. Deixam-se levar pelo gosto e desgosto, pelo prazer e desprazer, pela simpatia e antipatia, pelo amor e pelo ódio, pela alegria e pela dor, encontrando a estrada da vida eriçada de pedras e escolhos, que representamos carmas negativos, os resultados ruins de ações e pensamentos de vidas anteriores. Esses ouvem a doutrina do Logos ("recebem a Palavra") com alegria, mas quando sofrem os embates da própria vida, os sofrimentos e ingratidões (quando tropeçam nas pedras), se escandalizam ("escandalizar" em grego significa "tropeçar") e arrepiam carreira. Quantos vemos que, bem iniciados na senda, ao primeiro revés retrocedem amedrontados e, como disse Jesus, escandalizados, porque julgam que, uma vez na estrada certa, o sofrimento e as pedras do caminho DEVERIAM ser retirados para que sua jornada fosse de rosas ... Acham-se, então, COM DIREITO a certos privilégios ... A raiz deles é pequena: qualquer contrariedade maior ou palavra ou "falta de consideração" é suficiente para afastá-los do espiritualismo. Dizem que "aquele meio" não serve para eles e vão de grupo e à procura de uma coisa que jamais encontrarão, pois só a achariam dentro deles mesmos.

3. A terceira categoria é a daqueles que já se encontram com o intelecto mais desenvolvido, e, portanto, apresentam certo domínio sobre as emoções, embora estas ainda tenham bastante influência nas decisões intelectivas. Ocorre, então, que vivem como que entre "espinheiros", que são constituídos pelos cuidados e "preocupações da vida”, pela "ilusão das riquezas", pela "cobiça de tantas outras coisas" transitórias, que são verdadeiras ilusões. Esses ouvem e até gostam, chegam mesmo a compreender a doutrina do Logos, o segredo da Unificação com o Pai. Mas NÃO PODEM fazê-las frutificar, porque estão muito OCUPADOS com suas atividades terrenas. A frase comum a esse grupo de pessoas é: NÃO TENHO TEMPO ... E tudo o que ouvem e aprendem fica infrutífero.

4. A quarta categoria é a dos que se iniciam na senda: ouviram a Palavra, aceitaram-na com amor, querem vivê-la. Para isso, buscam perceber a presença e a ação de sua individualidade. Começam a distinguir entre a realidade do Espírito (dando-lhe supremacia) e a ilusão da matéria e das coisas materiais; já compreendem a necessidade de dedicar algum tempo de sua vida às orações e meditações que visam à busca do Eu Interno, e de fato dedicam parte de suas horas a esse mister.

Então, a Palavra produz trinta por um, o que já apresenta bom resultado, embora pudessem, realmente, fazer um pouco mais.

5. A quinta categoria compreende aqueles que já aprofundaram mais o espiritualismo, que já conseguiram penetrar certos mistérios ou segredos do reino, que já obtiveram o mergulho na Consciência Cósmica, embora tivesse sido apenas por alguns minutos, sem permanência constante; mas já sentiram a REALIDADE palpavelmente. Homens que superaram todo ilusionismo material e vivem na ânsia e da ânsia do Encontro Sublime e da Unificação total, e para obter isso tudo fazem: exercícios, Ásanas, meditações, etc. São os “místicos" no sentido legítimo do termo, que já experimentaram a realidade do Espírito e dessa realidade tem lampejos seguros, nos mergulhos embora ocasionais que conseguem. O fruto é recolhido numa proporção bem maior que a anterior, a sessenta por um.

6. Finalmente a sexta categoria é a daqueles que já obtiveram a união, ou melhor a Unificação Total e permanente com o Cristo Interno, e, portanto, já se tornaram cristificados, conseguindo, pois, a libertação plena, e produzindo uma frutificação de cem por um. Já são "filhos do Homem", como os grandes avatares.

Apenas para dar uma ideia de como, mesmo os considerados grandes espíritos não conseguiram sair da materialidade do corpo denso, dando muito maior importância ao físico que ao espírito, observem-se estas interpretações:

Agostinho - 100 por 1, os mártires," 60 por 1, as virgens; 30 por 1, os casados.

Jerônimo - 100 por 1, os que observam a continência; 60 por 1, as viúvas; 30 por 1, os casados que se conservam castos.

Teofilacto - 100 por 1, os anacoretas; 60 por 1, os cenobitas e religiosos conventuais; 30 por 1, os casados.

Como se vê, a importância toda é dos atos físicos e do corpo físico, porque, para eles, a espiritualidade é o resultado dos atos e das atitudes externas e materiais.

* * *

Em Marcos aparece aqui uma advertência a respeito da lâmpada, que foi vista em Mateus (5:14-16-“vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas na luminária, e assim ele brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus”).

Por ocasião do Sermão do Monte, e em Lucas (11:33-36 –“ninguém acende uma lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo do alqueire, e sim sobre o candelabro a fim de que os que entram vejam a luz. A lâmpada do corpo é o teu olho. Se teu olho estiver são, todo o teu corpo ficara também iluminado, mas se ele for mau, teu corpo também ficara escuro. Por isso vê bem se a luz que há em ti não é treva. Portanto se todo o teu corpo esta iluminado, sem parte alguma tenebrosa, estará todo iluminado como a lâmpada quando te ilumina, com seu fulgor”). Deixamos aqui, porque se adapta bem, no vers. 22(“quem não está a meu favor está contra mim e quem não ajunta comigo, dispersa”) ao espírito da parábola.

A frase "nada está oculto senão para ser manifesto e nada foi escondido senão para ser posto à luz" é um alerta para que, os que podem aprofundem o sentido. E mais, exprime que essa "ocultação" é proposital: foi oculto com a finalidade de ser descoberto por quem o possa. Assim também a frase seguinte: "quem tem ouvidos, ouça", chama nossa atenção para o sentido profundo que se oculta sob as palavras, ensinando-nos que devemos atinar não apenas com a alegoria e a metáfora (ditadas por Ele), mas ainda com os planos simbólico, místico e espiritual.

Além disso, não esquecer de que aqueles que conseguem penetrar o segredo do reino ("procurai o reino de Deus e sua perfeição") terão tudo o mais por acréscimo. Mas o" que o não conseguirem, perderão até o pouco que julgam ter. Quantos, após uma vida inteira dedicada ao sacerdócio, ao ministério, ao mediunismo mais puro, se acham depois do túmulo de mãos vazias: puderam até o pouco que julgavam ter, porque estavam na direção errada, já que buscavam Deus fora de si mesmos, e serviam a Deus através das vaidades e honras humanas.

 

FONTE:

CARLOS T PASTORINO

Bíblia de Jerusalém

A PARÁBOLA DRAMATIZADA DO PÃO E DO VINHO

 

A PARÁBOLA DRAMATIZADA DO PÃO E DO VINHO

(Mt 26, 26-29-“Enquqnto comiam, Jesus tomou um pão e tendo-o abençoado partiu-o e, distribuindo-o aos discípulos, disse: Tomai e comei, isto é o meu corpo. Depois tomou um cálice e, dando graças, deu-o a eles dizendo: Bebei deles todos, pois isso é o meu sangue da Aliança que é derramado por muitos para remissão dos pecados. Eu vos digo: Não bebereis mais desse fruto da videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai”); (Mc 14, 22-25 –“ Enquanto comiam ele tomou um pão, abençoou, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Depois tomou um cálice, rendeu graças, deu a eles, e todos dele beberam. E disse-lhes isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos. Em verdade vos digo, já não beberei do fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus”); (Lc 22, 18-20 –“Então tomando uma taça, deu graças e disse: Tomai isso e reparti entre vos; pois eu vos digo que doravante não beberei do fruto da videira até que venha o Reino de Deus. E tomou um pão, deu graças, partiu e deu-o a eles, dizendo. Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isso em minha memória. E depois de comer, fez o mesmo com a taça dizendo: Esta taça é a nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós”)

 

INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA.

Pela fé assimila a alma o Cristo divino na última ceia dramatizou Jesus a mais misteriosa de todas as suas parábolas.

Até hoje, quase 2000 anos depois, a cristandade não compreendeu devidamente a parábola do pão e do vinho.

Já na Sinagoga de Cafarnaum, como consta no capítulo 6 do Evangelho de João (“... Respondeu-lhes Jesus não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu, porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe: Senhor dá-nos sempre esse pão. Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome e o que crê em mim nunca mais terá sede. Eu, porém, vos disse. Vós me vedes, mas não credes. Todo aquele que o Pai me der virá a mim, eu não o rejeitarei, pois desci do céu, não para fazer minha vontade, mas a vontade daquele que e enviou(...)os judeus murmuravam então contra ele, porque dissera, Eu sou o pão descido do céu. E diziam: esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: Eu desci do céu(...).

Havia o Mestre aludido a esse misterioso paralelo: a relação entre o alimento ea vida, por um lado – e, por outro, a pessoa física do Jesus humano e o espírito do Cristo divino.

Através de uma parábola esotérica faz Jesus ver que a essência vitalizante do espírito do Cristo só pode ser assimilada pela alma humana por meio da fé.

Que se entende por fé?

A palavra latina fides é o radical de fidelidade, alta fidelidade, harmonia, sintonia.

Este substantivo latino não tem verbo; de maneira que a Vulgata Latina recorreu a um verbo de outro radical, credere, crer, em vez de “ter fé”, e com isto começou a tragédia milenar da cristandade. Crer, no sentido usual, nada tem de ver com ter fé. O substantivo grego pistis, que figura no original do Evangelho do 1°século, tem o verbo pisteuein, que poderíamos traduzir por fidelizar.

Pisteuein, fidelizar, ter fé, quer dizer estabelecer perfeita fidelidade entre a alma humana e o espírito de Deus. O conhecido tópico “quem crer será salvo” é um absurdo; mas “quem tiver fé (fidelidade) será salvo” é perfeitamente lógico.

Quando o homem, no plano físico, vitaliza o seu corpo pelo alimento, transfere para seu organismo a substância material que ingere, mas, pelo misterioso processo da digestão e assimilação, extrai da substância material da comida as “calorias”, como a ciência chama essa ”alma imaterial” da matéria.

Caloria é a energia solar que pela fotossíntese foi armazenada na substância comestível, e que, pela digestão, é extraída do alimento e transferida para o organismo humano. Caloria, a energia do calor e da luz solar é algo relacionado com a vida. Essa energia solar vitaliza o corpo e lhe dá força, beleza, alegria. Se o organismo não tivesse fidelidade vital (fides, fé) com a energia solar, não poderia assimilar essa vibração do Sol. Um corpo morto, embora exposto à energia solar, não a assimila; somente um corpo vivo é capaz de assimilar a energia solar; só ele tem fides, afinidade com o Sol; só um corpo vivo fideliza, é fiel à alma solar; só ele é vitalizado pelo calor e pela luz do Sol.

Segundo Einstein, luz é energia descondensada, e energia é matéria descongelada.

Vida é luz altamente potencializada, vida é luz vitalizada, e por esta razão não pode a vida assimilar a matéria grosseira como tal, mas somente a alma cósmica da matéria, que é luz, luceria ou caloria imaterial.

Homens altamente intuitivos sabiam, e sabem, por uma visão interna, o que outros procuram descobrir através de laboriosas análises intelectuais. Antecipam verdades que a ciência descobre séculos e milênios mais tarde. Cerca de 3500anos antes de Einstein, escreveu Moisés que, no primeiro yom, creou Deus a luz, e que da luz vieram todas as outras coisas. Só no século 20 provou Einstein que a luz é a base dos 92 elementos da química e de todas as coisas.

* * *

A julgar pelos relatos do Evangelho, era Jesus de Nazaré o homem mais intuitivo que a história conhece. Ele sabia, por uma visão interna, verdades que os cientistas descobrem (ou deixam de descobrir) milênios mais tarde.

Todo o paralelo entre o Jesus humano e o Cristo divino se baseia nessa intuição.

Assim como a substância material de um alimento não pode ser assimilada pelo corpo humano se a sua parte material não for primeiro destruída pela trituração e digestão – assim o espírito do Cristo não pode ser assimilado pela alma na forma da pessoa física do Jesus humano. Ninguém pode assimilar o Jesus humano. Por isto, insiste ele em dizer: “As palavras que vos digo são espírito, são vida – a carne de nada vale”. Por isto afirma ele a seus discípulos: “Convém a vós que eu me vá (seja destruído), porque, se não for, o espírito da Verdade não pode vir a vós”.

Somente um Jesus cristificado é que pode servir de alimento vitalizante às almas humanas, como aconteceu na gloriosa manhã do Pentecostes, quando 120pessoas, homens e mulheres, como refere Lucas nos “Atos dos Apóstolos”, foram vitalizados pelo espírito do Cristo cósmico, chamado Espírito Santo. Quando, após 9 dias de “oração permanente”, essas 120 pessoas atingiram o máximo da sua sintonização crística, da sua fides, ou alta fidelidade, então assimilaram eles o espírito do Cristo. Durante os três anos precedentes, nenhum dos discípulos de Jesus assimilara o espírito do Cristo, porque eles só viam a pessoa humana de Jesus, do qual esperavam a proclamação da independência nacional de Israel. Somente após 9 dias de sintonização cósmica, no cenáculo de Jerusalém, crearam eles suficiente fidelidade ou sintonização para sentir a presença do Cristo espiritual; mesmo na ausência do Jesus material, sentiram e viveram a metafísica para além da física.

Essa manhã de domingo do ano 33, no décimo dia após a ascensão, marca o início do verdadeiro Cristianismo, o despertar do Cristo nas almas de seus discípulos.

Já um ano antes, como refere João no seu Evangelho, capítulo 6, na Sinagoga de Cafarnaum, retificara Jesus o equívoco dos ouvintes de que devessem comer a carne dele. A esse equívoco respondeu o Mestre: “As palavras que vos digo são espírito e vida, a carne de nada vale”, por sinal que toda a referência à “carne” dele, como alimento, é uma alegoria simbólica. É pela fé no Cristo, espírito e vida, que o homem comunga o seu corpo e sangue, como revelou o grandioso acontecimento de Pentecostes, onde 120 pessoas, homens e mulheres, depois de 9 dias de meditação e silêncio, comungaram o Cristo carismático.

Em quase 2000 anos, as igrejas cristãs não foram capazes de vislumbrar esta grande verdade, ainda que cristãos individuais a tenham vivido em todos os séculos. As igrejas – quiçá por motivos humanos – se agarraram ao símbolo material do pão e do vinho, do corpo e do sangue do Jesus humano, e não compreenderam o simbolizado espiritual do Cristo divino. Os teólogos excogitaram o dogma da transubstanciação do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus – como se o corpo e o sangue do Jesus humano, fisicamente ingeridos pelo comungante, pudessem espiritualizar a alma. Para assimilar o espírito do Cristo não é necessária nenhuma ingestão física, mas sim a sintonização metafísica, a fides, ou alta fidelidade, entre a alma humana e o espírito do Cristo.

Aliás, dos 120 cristificados presentes na manhã do primeiro Pentecostes, apenas11 haviam ingerido o pão e o vinho na Santa Ceia; os outros 109 comungaram Cristo espiritual na ausência do Jesus material ou seus símbolos. E todos esses 120 Cristo-comungantes foram as primícias do verdadeiro Cristianismo.

Nenhum deles traiu o Mestre, nenhum deles o negou, nenhum deles fugiu covardemente; pelo contrário, diz o livro dos “Atos”, quando foram flagelados em praça pública pelo fato de anunciarem o Cristo, retiraram-se exultando de júbilo por terem sido achados dignos de sofrerem por amor ao Cristo.

Haviam comungado o Cristo Carismático, em espírito e verdade.

* * *

Vai nesta parábola, embora veladamente, outro aspecto: não pode o nosso ego humano conscientizar o Eu divino se aquele não for devidamente desintegrado, assim como o alimento só se integra na vida do corpo depois de ser desintegrado.

“Se o grão de trigo não morrer ficará estéril, mas se morrer produzirá muito fruto. ”

“Eu morro todos os dias, e é por isto que eu vivo, mas já não sou eu que vivo, o Cristo é que vive em mim. ”

A rainha das parábolas de Jesus é, sem dúvida, esta, embora o grosso da cristandade não esteja ainda em condições de compreendê-la.

Possivelmente, daqui a mais 20 séculos, lá pelo ano 4000, a cristandade compreenderá a mística desta parábola do pão e do vinho.

Por ora, a cristandade terá de contentar-se com o corpo do símbolo material, sem compreender a alma do simbolizado espiritual.

Por ora, o corpo exotérico da Santa Ceia eclipsa a alma esotérica do Pentecostes.

Por ora, teremos de repetir isto “em memória de Jesus”, “até que o Cristo venha”, como Paulo de Tarso escreve aos cristãos do primeiro século.

Mas após a vinda do Cristo divino, pela comunhão carismática, cessará o símbolo da comunhão eucarística do Jesus humano.

E então compreenderemos o que o Mestre quis dizer com as palavras finais da Santa Ceia: “Não mais beberei deste fruto da videira até o dia em que convosco o beber, novo, no Reino de meu Pai”.

Maran-atha (Maranatha!)! Vem, Senhor!

* * *

Em síntese elucidativa:

Após a suposta primeira missa, ordenação sacerdotal e primeira comunhão, os doze apóstolos de Jesus cometeram os atos mais vergonhosos e anticríticos da sua vida: um deles consumou a planejada traição, o diabo entrou nele e ele se suicidou; outro neo-sacerdote e neo-comungante, que parecia o chefe da turma, negou descaradamente o Mestre, jurou que não era discípulo dele e rogou pragas sobre si; e todos esses supostos neo-sacerdotes e neo-comungantes fugiram covardemente, com medo do sofrimento, à exceção de um só, João o discípulo amado.

E, o que é totalmente incompreensível, Jesus, depois da ressurreição, não estranhou esse vergonhoso procedimento dos seus discípulos, nem os repreendeu por isto – por sinal que nenhum efeito espiritual esperava dessa suposta primeira missa, ordenação sacerdotal e primeira comunhão.

A mais comezinha lógica nos obriga a não aceitar o que uma teologia quase

Bimilenar impingiu à cristandade como sendo a verdade do Evangelho.

Não houve, no cenáculo da quinta-feira santa, nenhuma primeira missa de

Jesus, não houve ordenação sacerdotal, não houve transubstanciação do pão e do vinho, não houve primeira comunhão dos apóstolos.

O que ocorreu foi uma parábola dramatizada, cujo simbolizado espiritual se cumpriu na gloriosa manhã do Pentecostes, quando 120 pessoas, homens e mulheres, como refere Lucas nos “Atos dos Apóstolos”, comungaram realmente o Cristo Carismático, em espírito e verdade.

* * *

A explicação que acabamos de dar dos eventos da Santa Ceia em forma de

Parábola é indubitavelmente exata. Se assim não fosse, se os 12 discípulos de Jesus tivessem sido ordenados sacerdotes e comungado realmente a carne e o sangue de Jesus, seria absolutamente incompreensível, repetimos, o que aconteceu logo depois dessa suposta ordenação sacerdotal e primeira comunhão: traição, suicídio, negação, juramento falso, blasfêmia, fuga covarde dos apóstolos – um caos de paradoxos, um inferno de pecados...

E tudo isto sem que Jesus estranhasse com uma só palavra esse efeito flagrantemente negativo e contraproducente em seus discípulos...

É, pois, fora de qualquer dúvida, que não houve nenhuma primeira missa, ordenação sacerdotal e primeira comunhão no cenáculo da quinta-feira santa.

Mas como então justificar a interpretação tradicional de certa teologia?

Essa teologia tradicional é mais ou menos compreensível em face de uma humanidade incapaz de compreender o simbolizado espiritual de uma parábola profundamente metafísica e mística. A cristandade dos primeiros séculos era quase totalmente composta de escravos do Império Romano e povos bárbaros– godos, vândalos, hunos etc. – que invadiram o decadente Império dos Césares, povos mental e espiritualmente analfabetos, dos quais não se podia esperar compreensão, mas de que se devia exigir obediência a seus chefes espirituais.

Uma ingênua pedagogia infantil era para esses neófitos mil vezes mais importante do que a grandiosa metafísica da verdade do Evangelho.

Se a mensagem de Jesus tivesse sido difundida, de início, pelos países do

Oriente – Índia, China, Japão etc. – de avançada cultura metafísica e espiritual, completamente diferente teria sido o destino histórico e teológico do nosso cristianismo. Em nenhum dos países orientais existe, até hoje, segundo estatística oficial, 1% de cristãos, a despeito de séculos de trabalhos missionários. Fala por todo o Oriente Mahatma Gandhi, que dizia aos missionários cristãos que tentavam convertê-lo ao nosso cristianismo: “Aceito o Cristo e seu Evangelho – não aceito o vosso cristianismo”.

Fala ainda, em nome do Ocidente cristão, Albert Schweitzer, quando escreve: “Nós injetamos nos homens o soro da nossa teologia, e quem é vacinado com o soro da teologia cristã está imunizado contra o espírito do Cristo”.

É que o nosso cristianismo teológico foi, desde o princípio, padronizado para uma humanidade espiritualmente infantil – e, estranhamente, até hoje não ultrapassou ainda esse padrão primitivo. Para certa igreja cristã, o maior teólogo é Tomás de Aquino, que codificou quase toda a teologia tradicional do Ocidente; mas esse mesmo teólogo, depois de escrever a Summa Theologiae e a Summa Contra Gentiles, teve uma visão ou revelação, depois da qual nunca mais escreveu uma palavra, e, interrogado pelo motivo desse silêncio, respondeu: “Tudo o que escrevi é palha”.

1. Em face da gravidade do assunto, consultamos alguns sacerdotes, inclusive um erudito jesuíta, um escritor protestante, um budista e um judeu estudioso do judaísmo, sobre a autenticidade desta confissão do grande teólogo, e todos afirmaram que essas palavras de Tomás de Aquino são perfeitamente autênticas.

Entretanto, essa “palha” continua a ser o alimento de centenas de milhões de cristãos como sendo verdade divinamente revelada. Possivelmente, o “príncipe da teologia medieval”, se reaparecesse, aplaudiria a explicação que estamos dando dos eventos da Santa Ceia.

A comunhão do Cristo Carismático, ocorrida na gloriosa manhã do primeiro

Pentecostes, em Jerusalém, é perfeitamente aceitável para qualquer homem, ao passo que a suposta comunhão eucarística do corpo e sangue de Jesus na Santa Ceia não será jamais aceita por nenhum homem sinceramente espiritual.

Não podemos afirmar que os teólogos tenham agido de má-fé. A cristandade dos primeiros séculos, depois de sair das catacumbas, necessitava, mais de uma pedagogia teológica do que de uma metafisica crística – mas não se compreende por que essa pedagogia primitiva seja mantida em plena adultez da cristandade do século 21. Por que não dizer à cristandade do nosso século o que o principal codificador dessa pedagogia teológica confessou explicitamente que tudo o que escreveu é palha?

Não disse o Mestre: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”?

Hoje, no ocaso do Segundo Milênio da Era Cristã, e quase na alvorada do

Terceiro Milênio, a elite espiritual da humanidade espera que lhe seja proclamada a verdade libertadora da mensagem do Cristo. Se, segundo as palavras de Paulo de Tarso, é necessário dar leite aos infantes em Cristo, porque não dar aos adultos em Cristo comida sólida?

O simbolizado espiritual da parábola do pão e do vinho verdadeiramente eclodiu na gloriosa manhã do primeiro Pentecostes, quando 120 heróis e heroínas comungaram o espírito do Cristo Carismático e iniciaram a epopeia do verdadeiro cristianismo.

Essa iniciação crística se deu no ano 33, após 9 dias de silêncio e interiorização espiritual, no cenáculo de Jerusalém, que pode ser considerado como o primeiro ashram ou Santuário de Iniciação da Cristandade.

Se a humanidade do Terceiro Milênio quiser realizar a mensagem do Cristo, terá de encontrar o seu Cristo interno em profunda meditação e comungar o Cristo Carismático em espírito e em verdade – e então será proclamado o Reino de Deus sobre a face da Terra e haverá um novo céu e uma nova terra.

Ainda uma pergunta final, para um sincero exame de consciência: teriam os teólogos sustentado, através de séculos, o dogma da transubstanciação eucarística, se esse suposto milagre não fosse monopólio exclusivo deles e abasse de todo o seu poder e prestígio? Não teriam eles concordado com Tomas de Aquino, o maior defensor da transubstanciação, confessando: “Tudo o que escrevemos é palha”?

 

FONTE:

Huberto Rodhen

Bíblia de jerusalem